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'Na Arca às Oito' reconta fábula de Noé sob a perspectiva dos pinguins

Com montagem enxuta, peça aborda saga das aves para embarcar antes do dilúvio

Por: Luiz Fukushiro - Atualizado em

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Rogério Modesto, Manoela Pamplona e Camila Amorin: atuações divertidas (Foto: Pipo Gialluisi)

Em sua agradável sede, localizada em um galpão no Alto da Boa Vista, região de Santo Amaro, a Cia. Paideia volta a apresentar mais uma simpática peça. Escrita pelo dramaturgo alemão Ulrich Hub e traduzida por Christine Röhrig, Na Arca às Oito toca em uma questão delicada — a existência de Deus — sem levantar bandeiras. O tema é debatido por um trio de pinguins no meio da Antártica, curiosos para saber se alguém zela por eles naquele lugar tão frio e coberto de neve. Depois de algumas discussões e brigas, os três recebem a visita de uma pomba, que lhes traz um recado muito importante: Deus existe, sim, e resolveu provocar um dilúvio para começar tudo de novo. A única maneira de se salvar é encontrar Noé, o humano incumbido de construir uma arca e separar apenas dois bichos de cada espécie. Últimas a ser avisadas, as aves devem estar no local do resgate pontualmente às 8 da noite. Diante do impasse de quem ficará fora da embarcação, os pinguins decidem levar o terceiro membro do grupo dentro de uma mala.

Vale a pena ver essa pequena fábula pela engraçada atuação de Camila Amorin, Rogério Modesto e Manoela Pamplona, além do cativante enredo. Contribui também para o resultado o bom texto, cheio de graça e referências à convivência dos animais, como a formiga que perde o marido na confusão e os antílopes que não querem dormir perto dos leões. Enxuta, a montagem ainda conta com dois músicos e mais dois atores ao lado do palco, responsáveis pela trilha e por ajudar na narração da história.

Fonte: VEJA SÃO PAULO