Teatro

Sites especializados em financiamento coletivo ajudam espaços culturais

Teatro e Bar Cemitério de Automóveis, Club Noir e outros lugares que recebem doações de apoiadores

Por: Dirceu Alves Jr.

Club Noir
Fachada do Club Noir: arrecadação de 52000 reais em dois meses (Foto: Fernando Moraes)

Inaugurada em 2008, a sede do Club Noir, companhia do diretor Roberto Alvim e da atriz Juliana Galdino, por pouco não fechou as portas. A programação contínua e o prestígio não foram suficientes para saldar as contas. Alvim e Juliana viram-se diante de quatro aluguéis atrasados — cada parcela no valor de 7 000 reais — e tinham ainda débitos de contas de luz, água e telefone para pagar. A solução foi recorrer às plataformas de financiamento coletivo, o crowdfunding, para ganhar uma sobrevida.

Trata-se de sites especializados em reunir gente disposta a doar alguns reais por um projeto no qual acredita. No Catarse, Alvim e Juliana pediram 30 000 reais e, como contrapartida, se comprometeram a estrear três montagens, promover palestras e uma mostra de repertório. Em dois meses, receberam 52 000 reais de 319 apoiadores. “Tiramos a corda do pescoço, e percebemos a generosidade de pessoas que nós nem conhecíamos”, afirma Alvim, que tem quatro espetáculos no espaço da Rua Augusta, H.A.M.L.E.T., Máquina Paranoica, Genesis e Viva la Revolución!.

Experiências como essa vêm se multiplicando na área. O diretor Mário Bortolotto pediu 50 000 reais para criar isolamento acústico, reformar banheiros e camarins, além de reparar as redes elétrica e hidráulica e o sistema de ventilação do Teatro e Bar Cemitério de Automóveis, na Rua Frei Caneca. A meta foi alcançada graças a 211 apoiadores, e até algumas dívidas estão quitadas — como um mês de aluguel, em torno de 7 000 reais, e uma conta de excesso de água, de 2 000 reais. “Não deu para realizar a reforma desejada, mas o importante é manter a atividade”, diz Bortolotto.

H.A.M.L.E.T
Cena de H.A.M.L.E.T, em cartaz no Club Noir (Foto: Lee Kyung Kim)

O mais novo contemplado é o Instituto Brincante, escola e centro cultural dos artistas e professores Antonio Nóbrega e Rosane Almeida, cujo terreno na Vila Madalena acabou vendido a uma incorporadora. De posse de duas casas na mesma quadra, a dupla levantou 107 000 reais com 768 contribuintes e sonha com a nova sede pronta até março. “Nosso maior patrimônio é o saber que já entregamos para mais de uma geração”, declara Rosane.

Na produção de peças, o crowdfunding não é novidade. O diretor José Roberto Jardim, por exemplo, concretizou dois projetos em 2013, Tem Alguém que Nos Odeia e Tempos de Marilyn. “Quem colabora se sente como coprodutor”, define Jardim. Com estreia marcada para o mês que vem, a tragédia Otelo, de Shakespeare, já supera os 24 000 reais solicitados e tem até 1º de agosto para seduzir apoiadores. A diretora, Debora Dubois, e o elenco, que inclui a atriz Mel Lisboa, decidiram realizá-la só com o crowdfunding. “É decepcionante correr atrás de patrocínio e não conseguir concretizar o projeto”, conta Mel.

Fonte: VEJA SÃO PAULO