Teatro

Confira as estreias da semana nos palcos

Entre as novidades, aparece a peça 'O Impecável', com Alexandre Nero

Por: Dirceu Alves Jr.

alex Nero 3 foto priscila prade
Alexandre Nero em 'O Grande Sucesso' (Foto: Priscila Prade)

Confira as estreias da semana nos teatros da capital:

 

  • Presença constante nos palcos paulistanos, em solos ou montagens elogiadas como Dissecar uma Nevasca (coprodução de artistas brasileiros e suecos encenada em 2015), a atriz Nicole Cordery reveza-se agora em duas boas peças (e dois palcos). Curiosamente, suas personagens têm o mesmo nome. em Alice — Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo, ela tem atuação introspectiva e, ainda assim, poderosa, ao dar voz a alice B. Toklas (1877-1967), cuja "autobiografia" foi escrita por sua companheira, a americana Gertrude Stein (1874-1946), com quem viveu em Paris por mais de três décadas. Fragmentado e enxuto, esse monólogo exibido às segundas e terças sob a direção de Malú Bazán é de uma delicadeza surpreendente. Estreou em 8/8/2016. 
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  • Os atores Guilherme Magon e Vinícius Calderoni, também autor do texto, começam a comédia dramática Os Arqueólogos como locutores esportivos que narram cenas singelas do cotidiano. Enquanto dois meninos brincam de caça ao tesouro, um casal briga no meio da praça e um outro garoto se surpreende diante de uma câmera fotográfica analógica. A emoção atinge a plateia no diálogo de um homem maduro e seu filho, que acaba de saber da morte de um dos gêmeos esperados por sua mulher. Afinados, Magon e Calderoni se transformam nos diversos personagens com a mesma naturalidade que as histórias picotadas se fundem e resultam em um sensível e nada piegas mosaico das relações pessoais na atualidade. Direção de Rafael Gomes. Estreou em 12/8/2016.
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  • Quem espera ver uma peça, digamos, mais certinha pode se frustrar. Ao menos por enquanto, Alexandre Nero revela-se disposto a usar o bom momento da carreira para atrair o público a experiências menos convencionais no palco. Foi dele a ideia da comédia O Grande Sucesso, escrita e dirigida por Diego Fortes, de Curitiba. Da cidade em que Nero nasceu e construiu carreira como ator e músico antes de virar galã global vem ainda parte da ficha técnica, incluindo cinco dos oito atores. Ao longo da narrativa, pontuada por canções, os espectadores acompanham a coxia de uma peça, na qual atores secundários esperam sua vez de entrar. Despidos de seus insignificantes papéis, numa espécie de limbo, eles cantam, dançam e filosofam sobre sucesso, fracasso e outras questões existenciais. Partem do personagem de Nero, o mais entediado, as maiores ironias, que são como metáforas que vão muito além dos bastidores teatrais. Mas ele não é a estrela do show: leve, melancólica e colorida (figurinos e cenário são atrações à parte), a peça dá a cada integrante seu momento de brilhar.  Estreou em 12/8/2016. Até 16/10/2016.
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  • Ator, dramaturgo, diretor e apaixonado por literatura, João Paulo Lorenzon já montou monólogos baseados em textos de Jorge Luis Borges, Sándor Márai e Jean Genet. Com o drama Havemos de Amanhecer, o artista recorre ao poema O Elefante, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987),  como metáfora para contrastar liberdade e opressão, som e silêncio, amor e violência. Lorenzon mescla teatro e dança em uma lírica encenação em que divide o palco —  mas não as palavras — com os atores e bailarinos da Cia. Espaço Mágico. Eles se multiplam em coreografias de forte apelo visual, muito bem valorizadas pela iluminação de Robson Bessa e pela música de Marcelo Pellegrini, que estimulam os sentidos do público. Destaque para a performance de Lisandro Leite. Com Agnes Rumi, Érika Caroline, Fernanda Chuquer, Isabella Kitsis, Larissa Terada, Mariane Wegmann, Michele Mattos e Rodrigo Biondi.  Estreou em 13/8/2016.
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  • Monólogo cômico

    O Impecável
    VejaSP
    1 avaliação
    No monólogo cômico O Impecável, o ator Luiz Fernando Guimarães interpreta oito personagens que frequentam ou trabalham em um salão de beleza carioca. Ator talentoso, ele não precisa de nenhuma caracterização para transitar com tranquilidade entre sujeitos tão díspares como o faxineiro evangélico Francisco, a manicure Chanderley, que também ganha uns trocados prestando serviços de prostituta, ou, ainda, o cabeleireiro e machão Guido. Mesmo assim, a peça não empolga a plateia: escrita por Charles Möeller e Claudio Botelho, dupla das boas quando o assunto é musical, a narrativa é fraca, as histórias dos personagens não têm lá muita graça... Ao final, a sensação é de que Guimarães merecia um texto muito melhor. Estreou em 12/8/2016. Até 2/10/2016.
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  • Atriz expressiva, Magali Biff sustenta o interesse no drama de suspense As Luzes do Ocaso. O texto de Mauricio Guilherme é centrado em uma ex-vedete exilada em uma praia. Ela passa os dias mergulhada em lembranças na companhia de um criado (papel de Paulo Goulart Filho). A rotina se transforma com a visita de um rapaz (o ator Giovani Tozi) interessado em fazer um livro sobre o teatro de revista. A diretora Neyde Veneziano não encontra unidade na encenação, principalmente por causa da dramaturgia, e o resultado é um híbrido difícil de cativar a plateia (75min). 14 anos. Estreou em 10/8/2016. Até 7/10/2016.
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  • O Núcleo de Criação Isso Não É Um Grupo leva ao palco o texto do premiado dramaturgo chileno Guillermo Calderón. Ambientada na Rússia do início do século passado, o drama ficcional aborda o drama privado da morte e, sobretudo, o drama público da violência política. Diego Moschkovich dirige o elenco formado por Ernani Sanchez, Flavia Melman e Michelle Gonçalves. De 10/9/2016 Até 3/10/2016.
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  • Comédia dramática

    O Pai
    VejaSP
    Sem avaliação
    Escrita pelo francês Florian Zeller, a comédia dramática O Pai estreou em Paris com três prêmios Molière em 2012, antes de ganhar montagens na Inglaterra, nos estados Unidos e na argentina. No Brasil, o papel do protagonista caiu como uma luva ao experiente Fulvio Stefanini, de 76 anos, sessenta deles vividos como ator. Seu personagem da vez é um aposentado cheio de vitalidade cuja memória vacila cada vez mais. Enquanto isso, Carole (Carolina Gonzalez), sua filha, desdobra-se para ter uma carreira, viver o casamento e, principalmente, dar as melhores condições de vida ao pai. Suas decisões incluem levá-lo para morar com ela e contratar uma cuidadora (papel de Carol Mariottini) capaz de lidar com as alterações de humor do octogenário. Bastante perspicaz, o texto leva a plateia a vivenciar também aquilo em que o protagonista acredita — em algumas situações desse jogo da memória, chega a ser difícil dizer o que é realidade e o que é imaginação. Filho de Fulvio, Leo Stefanini dirige o espetáculo. Além do excelente texto, ele tem a seu favor um competente time de atores, que é completado por Lara Córdulla, Paulo emílio Lisboa e Wilson Gomes, e recursos cênicos de primeira, a começar pelo cenário inteligente concebido por André Cortez e frequentemente movimentado pelo elenco. O resultado é uma peça leve, tocante e muito atual. Estreou em 12/8/2016. Até 30/10/2016.
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  • Os mineiros da Cia. Luna Lunera buscaram a parceria das diretoras Maria Silvia Siqueira Campos e Miwa Yanagizawa, do Areas Coletivo de Arte, na criação coletiva do drama Urgente. Cinco personagens (os atores Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Zé Walter Albinati) se cruzam em edifício, repleto de minúsculos apartamentos, que corre o risco de desabamento. A bela metáfora da opressão se enfraquece diante do tantas simbologias e mesmo o bom desempenho do elenco se diliui na fragmentada dramaturgia. Estreou em 13/8/2016. Até 17/10/2016.
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  • Cláudia Alencar, Adriano Toloza e Flávia Couto estão na comédia de Mário Viana. De 13/8/2016. Até 25/9/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO