Teatro

Quatro ingressos que valem como presente de Dia dos Pais

Confira peças para celebrar a data em família

Por: Dirceu Alves Jr.

No Topo da Montanha
Lázaro Ramos e Taís Araújo encenam 'No Topo da Montanha' (Foto: Jorge Bispo)

De trama policial a comédia dramática, há boas opções nos teatros da capital para agradar o paizão. Confira:

  • Depois da bem-sucedida montagem de Killer Joe, que chegou a cumprir temporada no carioca Teatro Poeira, o diretor Mário Bortolotto e o grupo Cemitério de Automóveis investiram em outro exemplar da cena americana contemporânea. O drama policial O Canal, escrito por Gary Richards em 1993 e inédito no Brasil, repete a essência de opressores e oprimidos fora da lei na tentativa vã de retomar o caminho do bem. No centro da trama estão quatro homens envolvidos em desmanches de automóveis. Vinny (interpretado por Carcarah) herdou do pai uma oficina mecânica que virou fachada para carros roubados.  O ladrão drogado Willie (o ator Dudu de Oliveira) e o policial corrupto Jerry (papel de Bortolotto) viabilizam os esquemas, e Vinny  tenta encontrar uma maneira de se livrar das chantagens da dupla. Sua vida fica ainda mais complicada com a chegada de Chick (Jiddu Pinheiro, ótimo em cena), um playboy que ameaça despejá-lo do imóvel onde funciona o negócio. Bortolotto reafirma o domínio na construção de encenações realistas. Frases curtas, diálogos ágeis e situações surpreendentes dão o tom ao espetáculo. Desta vez, porém, a melancolia atropela o suspense e, enquanto o protagonista se afunda mais e mais, o espectador já não torce para que ele vença os vilões, mas que pene o menos possível. E, nessa barra-pesada, o ator Carcarah confirma o amadurecimento já verificado em Killer Joe. Estreou em 7/10/2015. Até 28/8/2016.
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  • Esqueça, por favor, o personagem Agostinho Carrara, do finado seriado A Grande Família, que, durante mais de uma década, limitou a imagem do ator Pedro Cardoso. Quem surge na comédia O Homem Primitivo é o intérprete e roteirista inteligente que transitava por vários papéis nos programas A Comédia da Vida Privada e Vida ao Vivo Show, na segunda metade dos anos 90, e parecia aposentado. Escrita, protagonizada e dirigida por Cardoso e Graziella Moretto, a montagem voltou ao cartaz depois de uma rápida passagem pela cidade no ano passado e segue a linha daquelas atrações televisivas, com textos ágeis e carregados de referências. No palco, duas histórias se multiplicam e, por fim, se cruzam. Em uma delas, uma atriz vai até a delegacia denunciar que foi estuprada durante a realização de uma filmagem; em outra, um casal se defronta com a demissão da empregada e precisa adiar o projeto de um filho. A decisão da funcionária se justifica inicialmente porque ela apanhou do marido e teme que os próprios rebentos caiam na marginalidade. Fique tranquilo que, apesar da discussão social e dos temas pesados, tudo é tratado em clima de paródia e crítica ao machismo enraizado na sociedade. Cardoso e Graziella dispensam caracterizações convencionais, como troca de figurinos ou recursos de maquiagem. A dupla envolve a plateia em um inteligente quebra-cabeça que propõe uma nova leitura da valorização do papel feminino decorrente da conscientização masculina. Estreou em 23/6/2015. Até 28/8/2016.
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  • Escrita pelo dramaturgo americano Jeff Gould, a comédia traz assuntos de fazem parte do cotidiano de grande parte dos mortais. Amizade, amor, bebida e sexo, não necessariamente nessa ordem, motivam os personagens da montagem dirigida por Isser Korik e, inevitavelmente, geram identificação na plateia. No palco, três casais de amigos marcam um jantar, como tantos outros que já fizeram, para tomar uns drinques e bater papo. Só que todo mundo está bem à flor da pele e, naquele dia, nada pareceu dar certo. Ricardo Tozzi interpreta um executivo flagrado numa traição, poucas horas antes, pela sua mulher (personagem de Guta Ruiz). Tania Khalill é uma massagista resistente aos avanços do marido insaciável (vivido por Alex Gruli). Por fim, Natallia Rodrigues representa uma advogada controladora casada com um profissional da informática (papel de Pedro Henrique Moutinho), tenso e irritado com a parceira. O álcool começa a subir para a cabeça e, de repente, um deles sugere uma troca de casais. O texto caminha para uma interessante leitura dos relacionamentos e transforma a questão sexual em uma mera virada dramática para fortalecer o conflito. Duas atrizes – Guta Ruiz e Natallia Rodrigues – se sobressaem no time, que se mostra à vontade e só derrapa nos momentos em que busca o riso fácil. Como um bom programa, a peça revela um retrato leve e divertido da vida a dois nos dias atuais. Estreou em 6/5/2016. Até 25/9/2016.
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  • Comédia dramática

    O Topo da Montanha
    VejaSP
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    Casados na vida real, os atores Lázaro Ramos e Taís Araújo estão no ar com o seriado Mister Brau, da Rede Globo, e dividiram o palco na peça O Método Grönholm (2007). Para a nova parceria profissional, escolheram a comédia dramática da americana Katori Hall e surpreendem pela empatia gerada diante de uma heterogênea plateia no Teatro Faap. A trama cria uma ficção que remete aos últimos momentos de vida do reverendo Martin Luther King (1929-1968), e essa já pode ser uma justificativa para a curiosidade que desperta. Na véspera de sua morte, o ativista político (interpretado por Lázaro) acaba de proferir um discurso em Memphis. Chegando ao hotel, exausto das preocupações e ávido por um café e um cigarro, Luther King conhece a camareira Camae (papel de Taís). Atrevida, a moça o provoca com uma pragmática visão da vida. O carisma dos protagonistas serve de veículo para questões relacionadas ao racismo e à política e, cientes disso, eles tentam ampliar a visibilidade dos temas. Também diretor, Ramos se encarrega de garantir a densidade. Taís, por sua vez, usa de ironia e deboche para aliviar a história e, graças a isso, reforça a humanização do líder social. Estreou em 9/10/2015. Até 4/9/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO