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Teatro Cultura Artística: captação de recursos para reconstrução

Reconstrução do teatro, que foi consumido pelo fogo, vai custar 75 milhões de reais

Por: Sara Duarte - Atualizado em

Um dos maiores símbolos da pujante vida cultural da cidade prepara-se para renascer. Quatro meses após ser consumido por um incêndio, o Teatro Cultura Artística inicia a captação de recursos para a sua reconstrução. A nova casa de espetáculos ocupará o mesmo terreno de 1 924 metros quadrados na Rua Nestor Pestana, no centro, onde durante 58 anos os paulistanos viram desfilar grandes nomes das artes cênicas e da música clássica. Do edifício anterior serão aproveitados o mural de Di Cavalcanti, a marquise com o letreiro dourado e a fachada do piso térreo, que são tombados. Tudo o mais será erguido do zero, ao custo de 75 milhões de reais. O projeto acaba de ser aprovado pela prefeitura e pelos conselhos municipal, estadual e federal de preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental. Na semana passada, foi enviado ao Ministério da Cultura para ser inscrito na Lei Rouanet. Com isso, empresas e pessoas físicas que quiserem contribuir com as obras poderão abater de seu imposto de renda o valor doado. A Sociedade de Cultura Artística, dona do teatro, pretende começar a reforma no primeiro semestre de 2009, e a expectativa é que ela se estenda por cerca de 24 meses.

O arquiteto Paulo Bruna, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, é quem coordena a reconstrução. Discípulo de Rino Levi, autor do projeto original, ele se preocupou em modernizar as instalações sem fugir ao estilo do mestre. O teatro terá 10 500 metros quadrados de área construída, mais que o dobro do antigo, de 4 525 metros quadrados. Em lugar do palco triangular com 17 metros de profundidade, será construído outro, retangular, com 20 metros de fundo, 27 metros de altura e fosso para orquestra. "Será uma caixa cênica com capacidade para receber ao mesmo tempo cinqüenta camadas de cenário", afirma Paulo Bruna. A casa de espetáculos estará apta a acolher musicais, óperas e balés.

"Antigamente, não tínhamos produções desse tipo por falta de espaço", diz Gérald Perret, superintendente da Sociedade de Cultura Artística. A estrutura da platéia também será diferente. Antes, o teatro dispunha de 1 495 assentos, divididos em duas salas. Agora contará com apenas uma, equipada com dois balcões e dezoito camarotes. Poderá receber 1 406 espectadores. Para acomodar essas mudanças, será erguido um prédio de sete andares com 32,7 metros de altura (o antigo tinha 15 metros). No subsolo, haverá uma garagem para quarenta veículos. O foyer de 1 200 metros quadrados com iluminação natural terá café e loja. Nos demais pisos, ficarão áreas de convivência, onde os produtores poderão receber convidados, além de camarins, salas de ensaio, ambulatório, lavanderia e escritórios administrativos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO