Corinthians

Parque São Jorge: ninho dos gaviões

Arena do clube será em Itaquera, mas sua alma permanecerá na Fazendinha

Por: Daniel Navas - Atualizado em

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Cena da Fazendinha, inaugurada em 1928: a capela protegida pelo padroeiro do Timão (Foto: Cida Souza)

Até o fim do mês, os jogadores corintianos, acostumados a pegar a Marginal Tietê e dobrar à direita logo após o Parque do Piqueri para ir ao Parque São Jorge, terão de rodar um pouco mais para se apresentar no Centro de Treinamento Parque Ecológico, nas imediações da Rodovia Ayrton Senna, em Cangaíba. No segundo semestre de 2013, as partidas do Timão devem acontecer no novo estádio a ser construído em Itaquera, cotado para receber a abertura da Copa do Mundo. Fim de jogo para a velha Fazendinha, inaugurada em 1928? Nem pensar. A sede da Rua São Jorge continuará a exercer o papel de santuário do Corinthians, que comemorou 100 anos de fundação no último dia 1º.

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Estádio no Parque São Jorge, com 18 000 lugares (Foto: Cida Souza)

Nesse caso, santuário não é apenas força de expressão. Há ali uma capela de São Jorge, onde torcedores fiéis rezam e fazem promessas com o objetivo de dar uma forcinha aos atletas em campo. Todos os domingos, missas são celebradas no local, e quem quer iniciar os filhos desde pequenos no culto ao alvinegro pode batizá-los ali. Para isso, basta agendar uma data e pagar a taxa de 50 reais — com direito a certificado e uma toalha com o símbolo do Corinthians. Neste ano foram realizados cerca de vinte batizados. De acordo com o departamento social do clube, a agenda está lotada até fevereiro de 2011. Muitos torcedores correm para garantir uma data assim que a gravidez é confirmada.

O Parque São Jorge também tem um museu. Inaugurado em 2006, o Memorial do Corinthians recebe cerca de 300 pessoas por dia, que pagam ingresso de 10 reais durante a semana ou 15 reais aos sábados e domingos. O espaço é dividido em quatro salões. No primeiro, vídeos da torcida entoando gritos de guerra dão a impressão de que se está dentro do estádio em dia de jogo. A sala principal conta a história do clube, com fotos de antigos ídolos, como o meia Neto e o goleiro Ronaldo, além de todos os modelos de uniforme usados até hoje. Há ainda a sala de troféus e uma espécie de calçada da fama: lendas alvinegras como Basílio e Wladimir marcaram seus pés e assinaram o nome em placas de argila, emolduradas como se fossem quadros. Por último, uma sala de cinema exibe produções de drama e suspense, mas com final feliz garantido — são decisões de campeonatos vencidos pelo Corinthians. Na saída fica a indefectível lojinha. O preço dos regalos varia de 6 (cordão para pendurar crachá) a 400 reais (agasalho), passando por curiosidades como as rodinhas com o símbolo do time (15 reais o par) para colocar em cadeiras de escritório.

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Troféus expostos no Memorial do Corinthians, dentro da Fazendinha (Foto: Cida Souza)

Além de cumprir o papel de parque temático corintiano, o Parque São Jorge é um senhor espaço de lazer, com piscinas cujos tobogãs podem ser vistos da Marginal Tietê. Fica ali o maior ginásio particular da cidade, com capacidade para quase 7 000 pessoas. Há ainda seis quadras de tênis de saibro, doze quadras poliesportivas, um miniginásio, quadra de peteca e campo de futebol de areia. Para se associar, é preciso pagar uma taxa de 800 reais por pessoa, mais a mensalidade de 75 reais. Convidados podem passar o dia pelo ingresso de 20 reais (sem direito a usar o parque aquático). Não é necessário ser corintiano. Mas, cuidado. Dizem por lá que torcedores de outros times correm o risco de virar a casaca em meio a tamanha devoção.

Fonte: VEJA SÃO PAULO