Perfil

O novo “Tapa na Pantera” de Maria Alice Vergueiro

Aos 80 anos, a polêmica e talentosa atriz desafia a doença de Parkinson e ensaia o próprio velório na peça Why the Horse?

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Um exemplar da Bíblia Sagrada aberto repousa, entre uma estátua de Santo Antônio e um candelabro, sobre um balcão no confortável apartamento de Higienópolis. Os pesados móveis de madeira e os sofás discretos sugerem que ali, em frente ao Parque Buenos Aires, vive uma mulher de 80 anos, refinada e de cabelos brancos, bem ao estilo de tantas outras senhoras do bairro. Em meio aos elementos clássicos da decoração, a imagem do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara e um quadro do dramaturgo irlandês Samuel Beckett saltam aos olhos e oferecem pistas destoantes em relação ao perfil da anfitriã.

Maria Alice Vergueiro
Maria Alice, na sala de seu apartamento: “Uso o marketing da minha morte como forma de inaugurar uma nova vida” (Foto: Mario Rodrigues)

De raízes aristocráticas, Maria Alice Monteiro de Campos Vergueiro, a dona do imóvel, aprendeu três idiomas até a adolescência, casou-se aos 22 anos com um advogado, teve dois filhos e, separada meia década depois, começou a se desviar da rota — para nunca mais parar. Nessa caminhada menos convencional, entrou fundo na trilogia sexo, drogas e teatro. Com atuações surpreendentes, virou a primeira-dama do teatro alternativo da capital, lutou contra o alcoolismo, esnobou convites para novelas da Rede Globo e conheceu o sucesso popular na internet com o vídeo Tapa na Pantera, em 2006, encarnando de forma impagável uma velha consumidora de Cannabis.

Maria Alice Vergueiro
Maria Alice, Luciano Chirolli, Robson Catalunha e Carolina Splendore na peça "Why the Horse?": cuidados dentro e fora de cena (Foto: Fábio Furtado)

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Aos 80 anos, ela ainda foge ao máximo das obviedades. Muitas vezes, paga uma fatura alta por suas ousadias, mas as enfrenta de cabeça erguida. “Nem sempre foi assim”, confessa. “Eu já baixei a guarda para muita gente.” Desde o fim de 2000, Maria Alice convive com a doença de Parkinson e se esforça para que a interferência do diagnóstico na sua profissão seja a menor possível. “Minha fala já foi afetada, e nem sempre encontro aquela palavra na ponta da língua, mas trouxe o problema de saúde para meus personagens e não deixo de atuar”, afirma, com a voz embargada e uma lucidez espantosa. A artista passa o tempo inteiro em uma cadeira de rodas por causa de uma artrose e uma cirurgia malsucedida para a colocação de próteses nos joelhos. Na peça As Três Velhas, apresentada entre 2010 e 2013, desfilava pelo palco desenvolta sobre sua cadeira, cantava e mostrava os seios. “Quando você aceita uma limitação, tudo fica ilimitado”, justifica.

Maria Alice Vergueiro
Em família: Maria Alice entre os filhos, Maria Silvia e Roberto, no ano passado (Foto: Acervo Pessoal)

Com estreia prometida para sexta (10), no Teatro do Sesc Santana, o espetáculo Why the Horse? é sua nova provocação. “Uso o marketing da minha morte como forma de inaugurar uma nova vida”, afirma. Ela simula o próprio velório na encenação de referências autobiográficas. A dramaturgia, assinada por Fábio Furtado, é centrada na moribunda Maria, uma veterana artista que se despede de sua história.

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Um ator maduro (interpretado por Luciano Chirolli), com quem estabeleceu uma relação de cumplicidade, e um jovem casal (representado por Carolina Splendore e Robson Catalunha) também estão por perto, para velar o corpo e segurar as alças do caixão. “Quero fazer desse espetáculo um acontecimento, e não algo tétrico”, diz a estrela. “Eu estou indo embora mesmo, não adianta ficar triste, então surgirei feliz no palco, expondo limitações da minha vida, e quero o público dando risadas na saída do teatro.” Para Luciano Chirolli, a alegoria não deixa de machucar um pouco. “Começo todos os ensaios com enorme vontade de chorar.” A estrela rebate: “Podem ficar tranquilos porque eu não tenho medo da morte. Dizem que ela vem acompanhada de solidão, e estou no lado oposto, sempre rodeada por amigos que cuidam de mim e me incentivam a criar”.

Maria Alice Vergueiro
Em família: em 1986, com a mãe, Maria Antônia, e a neta Maria Isabel (Foto: Acervo Pessoal)

Foi de Chirolli a ideia da montagem, logo depois de uma internação de Maria Alice em decorrência de uma infecção hospitalar contraída em uma cirurgia no ano passado. “Nessa época, eu vivi um luto e senti que necessitava de uma preparação para o dia em que ela faltasse.” Parceiros artísticos há duas décadas, Chirolli passou a viver no apartamento de Maria Alice desde que a mãe da atriz, Maria Antônia, morreu, aos 98 anos, em 2010. A intimidade é tanta que os dois dormem todas as noites com a porta do respectivo quarto aberta. “Se precisar de qualquer coisa urgente na madrugada, estou lá pronto para ajudá-la”, conta ele, que conduz a amiga tanto para as visitas aos médicos como para as estreias teatrais que não deixa de prestigiar.

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Fruto do único casamento convencional, em 1957, os dois filhos da artista, a musicista Maria Silvia, de 57 anos, e o empresário Roberto, de 53, deram-lhe quatro netos e permanecem leais em meio aos compromissos de suas agendas. Profundo admirador da mãe, o caçula reconhece que, apesar de eventuais ausências durante temporadas passadas por ela em Lisboa e Paris na década de 70, a relação entre ambos não foi estremecida e, hoje, vivem um resgate do afeto. “Minha mãe não seria essa pessoa tão verdadeira e corajosa, inclusive pela capacidade de enfrentar a saúde frágil, se não tivesse experimentado toda essa bagagem de vida”, afirma. “Logo depois dessa peça, quero vê-la de pé novamente. Vamos marcar uma cirurgia para trocar as próteses dos joelhos.”

Maria Alice Vergueiro
Maria Alice, Cacá Rosset e Luiz Roberto Galízia: o trio fundou o Teatro do Ornitorrinco (Foto: Sandra Adams)

Maria Alice guarda lá no fundo uma dose de culpa e considera que, em meio ao desbunde do passado, negligenciou os mais próximos. “Percebo que só agora, na velhice, tenho capacidade de amar e compreender meus filhos”, confessa ela, entusiasmada com a perspectiva do casamento da neta Maria Isabel nos próximos meses. Com a mãe, a relação de embate permanente durou quase até o fim. Crítica às opções pessoais e profissionais da filha, Maria Antônia, porém, nunca deixou de entregar a ela por quatro décadas boa parte da generosa pensão deixada pelo marido, um promotor público, morto em 1956. “Sempre fui bancada pela minha mãe e, por causa disso, construí uma carreira sem preocupações.”

A atriz não se arrepende de ter sido guiada pelo impulso em nome da arte. E não foram poucos. Como professora da Escola de Aplicação da USP nos anos 60, levava os alunos, menores de idade, às montagens do Teatro de Arena e do Teatro Oficina, todas proibidas a quem tivesse menos de 18 anos. Um deles era o futuro diretor Cacá Rosset, que reencontraria a mestre na Escola de Comunicações e Artes (ECA), também da USP, e protagonizaria ao seu lado uma das mais pesadas celeumas que envolveram Maria Alice. No ápice da peça estudantil O Cabaré da Rainha Louca, o cafetão vivido pelo aluno Rosset sodomizava a prostituta representada pela professora.

Maria Alice Vergueiro
Ao lado de Paulo Autran em Sassaricando (1987): novela na Globo (Foto: Roberto Cerqueira)

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Uma sindicância instaurada na universidade gerou um arrastado processo e exonerou a professora do cargo sem que ela recebesse os direitos acumulados por tempo de serviço. “Se até então Maria viveu com um pé em cada canoa, sem se decidir se era pedagoga ou atriz, ali ela foi forçada a assumir o palco”, conta Rosset. Ao lado da antiga mestre e de Luiz Roberto Galízia (1952- 1985), Cacá fundaria, em 1977, o grupo Teatro do Ornitorrinco, ícone da irreverência e do escracho em cena paulistana na década seguinte.

Reconhecida pela crítica e admirada no meio teatral — estatuetas dos prêmios Molière, APCA e Shell, entre outras, também decoram um espaço da casa —, a estrela dosou técnica com irreverência nos tablados. Em 1984, polemizou em São Paulo e Nova York ao dividir a cena com a atriz Magali Biff na performance A Pororoca, de teor feminista e sensual. Guiada pelo encenador Gerald Thomas, colheu elogios unânimes por sua composição em Electra com Creta. Em outra tragédia, Medea, chocava a plateia ao urinar diante de todos e, em 2002, já diagnosticada com Parkinson, realizou o sonho de montar Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertolt Brecht. Fora dos palcos, a única investida na Rede Globo foi com a novela Sassaricando (1987). “Eu me arrependo de ter recusado tantos convites da TV”, confessa. “Hoje, estaria mais amparada financeiramente.”

Maria Alice Vergueiro
Com Rubens Caribé em Mãe Coragem e Seus Filhos (2002): volta após diagnóstico (Foto: Divulgação)

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Na vida pessoal, o álcool foi um fantasma por quase trinta anos. Na temporada carioca do musical Ópera do Malandro, criado por Chico Buarque em 1978, ela bebia nos intervalos das sessões e criou indisposições inclusive com o autor e com Marieta Severo, uma das protagonistas. “Estava sem controle algum”, conta, baixando os olhos. “Por trás dessa mulher tão desafiadora, sempre fui domada pela insegurança, recorria a blefes e não vivia sem um copo ao meu alcance.” Quando a barra pesou de vez, em meados da década de 80, pediu água aos Alcoólicos Anônimos e, até poucos anos atrás, aparecia em uma ou outra reunião do grupo. “Às vezes, até me atrevo a dar um gole no uísque de algum amigo e não entendo por que gostava tanto daquilo”, garante.

Maria Alice Vergueiro
Cena do vídeo Tapa na Pantera (2006): marca de 6 milhões de acessos (Foto: Divulgação)

A popularidade na carreira chegou de forma inesperada. Em 2006, um bemhumo rado vídeo batizado de Tapa na Pantera bombou no YouTube. Protagonizado por Maria Alice, o filme mostra uma mulher que consome maconha há trinta anos e não se considera dependente. O tênue limite entre ficção e realidade gerou dúvidas entre os mais de 5 milhões de internautas que acessaram a história apenas no primeiro ano. Hoje, o número superou a marca de 6 milhões. “Não passo por consulta médica sem responder se fumo ou não maconha”, diverte-se Maria Alice. Mas, afinal, ela ainda dá um tapa na pantera? “Fumo há trinta anos todos os dias e não pulo nenhum”, desconversa, incorporando a fala do roteiro para esfumaçar a fronteira entre o real e o imaginário na pele de mais uma de suas personagens.

Quando a dor vira arte

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    Mimo

    Rua Caconde, 118, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3052 2517

    VejaSP
    10 avaliações

    Tocado pela proprietária Fernanda Duarte com o chef Volney Miguel Ferreira, o charmoso Mimo sempre mereceu lugar de destaque entre os endereços contemporâneos da cidade. Os resultados, porém, mostraram-se trepidantes neste ano, e o restaurante perde uma de suas quatro estrelas. Uma das entradas, a torrada de pão de fermentação natural da casa com pesto de legumes, presunto cru, brócolis, espinafre, ovo mollet e parmesão pode vir com uma decepcionante ervilha-torta cheia de fios na borda (R$ 32,00). Não se sai melhor o arroz negro de camarão, lula e aspargo com um excesso de queijo capaz de matar o sabor dos frutos do mar (R$ 51,00). Tem padrão superior o ótimo trio de porco — filé, barriga e linguiça caseira — com purê de grão-de-bico (R$ 54,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Drinques

    Admiral’s Place

    Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis

    Tel: (11) 3257 1575

    VejaSP
    Sem avaliação

    Esbanja charme por seu ambiente pouco iluminado e pelo som de clássicos de décadas passadas. Com um quê de secreto, fica nopiso superior do restaurante Sal Gastronomia .Embora pertença ao chef Henrique Fogaça, o jurado que faz cara de durão no programa televisivo MasterChef, o espaço apresentava resultados irregulares no balcão. Isso mudou no início do ano, quando o barman Victor Zucaroni, de 24 anos, passou a tomar conta das coqueteleiras da casa após ser treinado pelo talentoso Kennedy Nascimento, do Grupo Vegas. Ele expede pedidas como o boulevardier (R$ 28,00), de bourbon, Campari e vermute tinto, espécie de negroni feito com uísque. Vem com um cubo grande de gelo, que derrete bem lentamente. O cremoso atmosphere (cachaça, limão-siciliano, xarope de maple e gengibre; R$ 30,00). Além da lista de coquetéis, merece ser consultada a carta que lista um arsenal de quase uma centena de uísques. Para mastigar, boa opção é a terrine de campanha (R$ 39,00) acompanhada de pão de malte e bastante cebola caramelada.

    Preços checados em 16 de março de 2016.

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  • Baião de dois

    Atualizado em: 2.Abr.2015

    Leporace está entre os estabelecimentos selecionados
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  • Italianos

    Aguzzo Cucina e Vino

    Rua Simão Álvares, 325, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 7363

    VejaSP
    3 avaliações

    Desde janeiro, a cozinha voltou a ser comandada pelo chef Alessandro Oliveira, responsável pela melhor fase da casa em tempos passados. São acertos do bom cozinheiro o nhoque colorido por açafrão ao ragu de ossobuco (R$ 72,00) e o saborosíssimo robalo com camarão, ervas, alcachofra e cogumelo shiitake fatiado na companhia de risoto de aspargo (R$ 93,00). Doce francês, o creme brûlé (R$ 26,00) é preparado com uma interferência italiana: uma fina camada de Nutella.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Aos marmanjos fissurados em fitas de ação, uma dica: lencinhos de papel (sim, acredite) são recomendados nas sessões de Velozes e Furiosos 7. Na parte final do longa-metragem, um tributo a Paul Walker deve sensibilizar até os fãs mais turrões. A “licença poética”, embalada em trilha chorosa, dura pouco. Antes disso, e felizmente, o ator é homenageado de uma maneira menos óbvia: este é o tipo de blockbuster vibrante, divertido e exagerado que apetecia ao astro californiano. Apesar das muitas turbulências no percurso (Walker morreu em novembro de 2013, aos 40 anos, quando as filmagens ainda estavam longe do fim), o esforço de recorrer a dublês e a efeitos digitais para concluir a “saga” compensou. A fórmula, aliás, não muda (nem precisaria mudar). Com uma pegada “quanto menos plausível, melhor”, semelhante à do capítulo anterior, ela combina cenas de perseguição inacreditáveis, paisagens de revistas turísticas (das praias da República Dominicana aos prédios espelhados de Abu Dhabi) e personagens sempre prontos para disparar frases de efeito engraçadinhas. Até o alvo da turma liderada por Dom Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Walker) deixa sabor de reprise: o vingativo Deckard Shaw (papel de Jason Statham) é irmão de um vilão do sexto episódio. A trama? Serve apenas para costurar um e outro espetáculo de explosões e acrobacias, como de hábito. Firme no comando de uma máquina de saborosos absurdos, o diretor James Wan (das fitas de terror Jogos Mortais e Invocação do Mal) acerta ao pisar fundo no acelerador e, sem culpa, não se levar nem um pouco a sério. Estreou em 2/4/2015.
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    Um Fim de Semana em Paris
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    3 avaliações
    A cena de Bande à Part (1964), de Jean-Luc Godard, não está presente à toa em Um Fim de Semana em Paris. Além da homenagem explícita a esse expoente da nouvelle vague, a comédia dramática transpira o movimento que revitalizou o cinema francês na década de 60. Ambientada nos dias de hoje, a trama apresenta o casal Nick e Meg, interpretados por Jim Broadbent e Lindsay Duncan. Para comemorar o aniversário de trinta anos de casamento, estes ingleses desembarcam na capital francesa a fm de resgatar as paixões do passado. Só que nada sai como planejado. O hotel de antes virou uma espelunca e, professores de classe média, eles decidem se instalar num cinco-estrelas e viver como reis por dois dias. O humor domina o enredo em vários momentos, mas, após um encontro com um antigo amigo de Nick (papel de Jeff Goldblum), o roteiro faz um rápido desvio para o drama. Em diálogos calibrados de Hanif Kureishi (o mesmo de Minha Adorável Lavanderia e Intimidade), o filme combina a melancolia da terceira idade com a travessura da juventude. Estreou em 2/4/2015.
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  • Diretor de Margin Call (2011) e Até o Fim (2013), o excelente diretor J.C. Chandor tem uma precisão cirúrgica no comando de seu terceiro longa-metragem. Com influência da cinematografia da década de 70, O Ano Mais Violento faz um registro seco de um empresário do ramo de transporte de óleo industrial. Filho de imigrante, Abel Morales (Oscar Isaac, emulando o Al Pacino de O Poderoso Chefão) quer crescer sem sujar as mãos – ou seja, evitando a corrupção. Ele é casado com Anna (Jessica Chastain), pai de dois filhos e pretende comprar uma grande área no Brooklyn, em Nova York, para expandir os negócios. O problema, aparentemente, são os outros. Seus caminhões estão sendo roubados e os motoristas não se sentem mais seguros. Em narrativa lenta, o roteiro expõe, aos poucos, a violência até então enrustida em pequenos atos e palavras. Estreou em 2/4/2015.
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  • Injustamente ignorada nas indicações ao Oscar, Hilary Swank traz uma performance de impacto no drama Um Momento Pode Mudar Tudo, extraído do livro You’re Not You (Você Não É Você), de Michelle Wildgen. Hilary interpreta a pianista Kate, que, assim como aponta o título nacional, perde os movimentos da mão de uma hora para outra. Um ano e meio depois, ela se encontra praticamente inerte por causa de uma doença terminal, a esclerose lateral amiotrófica. Embora auxiliada pelo atarefado marido (Josh Duhamel), Kate precisa de uma cuidadora. Surge, então, a estabanada Bec (Emmy Rossum), uma universitária sem juízo nem habilidades que, por ser tão despreparada, acaba caindo nas graças da instrumentista. Não é difícil imaginar o restante da história, principalmente para quem viu a fita francesa Intocáveis — são duas pessoas com nada em comum tendo sua personalidade transformada no contato diário. Conduzido com segurança por George C. Wolfe (Noites de Tormenta), o roteiro segue a cartilha emocional e fica quase impossível não chegar às lágrimas, sobretudo pela maneira cativante das duas atrizes de abraçar suas difíceis personagens. Estreou em 2/4/2015.
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  • Comédia dramática

    O Último Ato
    VejaSP
    Sem avaliação
    Inspirado no livro A Humilhação, de Philip Roth, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, O Último Ato traz Al Pacino na pele do ator Simon Axler. Ele teve um surto durante uma peça na Broadway, jogou-se do palco e, com tendência suicida, é aconselhado por seu empresário a se internar numa clínica de reabilitação. Sai de lá ainda em crise, só suavizada no reencontro com Pegeen (Greta Gerwig, de Frances Ha). Filha de um casal de amigos, a jovem confessa sua atração por Simon, embora seu último romance tenha sido com uma mulher. A partir daí, a vida monótona dele ganha novos rumos. Diretor de Rain Man e Esfera, Barry Levinson vem se dedicando a projetos menores e mais autorais e, aqui, consegue radiografar a intimidade de um fictício astro do teatro combinando risos e lágrimas. Estreou em 2/4/2014.
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  • Comédia romântica

    Amor à Primeira Briga
    VejaSP
    2 avaliações
    Após a morte do pai, Arnaud (Kevin Azaïs) passa a trabalhar com o irmão numa pequena empresa de marcenaria numa cidadezinha litorânea da França. Prestando serviços para uma família, o rapaz reencontra Madeleine (Adèle Haenel), uma jovem com quem teve uma disputa durante um treinamento de autodefesa. A moça é dura na queda. Sem um pingo de feminilidade nem simpatia, ela está disposta a se inscrever num curso militar. Arnaud se deixa levar pela paixão e segue o mesmo caminho dela. Amor à Primeira Briga ficou com três importantes prêmios na edição deste ano do César (o Oscar francês): melhor filme, atriz (Adèle) e revelação masculina (Azaïs). Na alternância de humor e drama, o roteiro capta com sensibilidade os muitos erros e os raros acertos de uma geração em crise de identidade. Estreou em 2/4/2015.
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  • Parece ironia que 14 Estações de Maria chegue aos cinemas na semana da Páscoa. Criticando explicitamente o fanatismo religioso, o drama alemão faz um incisivo paralelo entre a Via-Sacra (trajeto de Jesus carregando a cruz) e o destino de Maria (Lea van Acken). A adolescente de 14 anos vive sob o severo regime de sua família católica e, fervorosa beata, quer virar santa. Contudo, ela conhece um garoto da mesma idade e, a partir daí, parece enxergar um novo caminho. Sabe-se de antemão o desfecho. Até lá, porém, o espectador depara com um mundo sombrio regido por condutas fundamentalistas. É ficção, mas não deixa de, à sua maneira, refletir os dias de hoje. Estreou em 2/4/2015.
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  • Criada por Alexandra Golik e Carla Candiotto há 23 anos em Paris, a Cia. Le Plat du Jour, um dos grupos de teatro infantil mais prestigiados da cidade, entra em cartaz no Teatro Alfa com três montagens premiadas do seu repertório. Entre elas, aparece a primeira produção da dupla para crianças, que estreou em 2001 e será exibida a partir deste sábado (4/4) até o dia 26 de abril. Trata-se de uma versão pouco convencional de ✪✪✪ Chapeuzinho Vermelho, na qual as artistas, usando técnicas de clown, mímica, dança e malabarismo, entre outras, se revezam na pele dos personagens da fábula. De igual sucesso, ✪✪✪ Os Três Porquinhos (2003) também ganha o palco, de 2 a 24 de maio, com um enredo que se passa em um açougue. Aqui é apresentada a história de Pipo e Pepe, que, depois de receberem uma encomenda de carne suína de um freguês, partem para o sítio da tia Porpeta, onde vivem os animais. O encerramento do festival será marcado por ✪✪✪ João e Maria. O espetáculo, que reestreia em 30 de maio, narra a trajetória de duas simpáticas pássaras, Bicudona e Bicudinha, que estão em apuros. Por causa do desmatamento, precisam sair da foresta. São elas que dão a deixa para que entrem os protagonistas, João Maria e Maria João, irmãos perdidos no bosque. Composta de bonecos e com um cenário funcional e colorido, do qual fazem parte uma apetitosa casa da bruxa e um belo rio de tecidos azuis, a peça vale a pena, assim como a mostra por inteiro. De 4/4 a 21/6/2015.
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    A balada eletrônica recebe o trio Autograf, de Chicago. Formado por Jake Carpenter, Louis Kha e Mikul Wing, lança faixas de house com batidas mais tropicais, a exemplo de Dreams. Não estranhe se apenas dois integrantes estiverem nos pickups. Wing costuma ficar apenas na produção. Dia 12/9/2015.
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  • Quando a SP-Arte surgiu por aqui, em 2005, muitos céticos apostaram em um ciclo de vida curto para o evento dirigido a colecionadores e compradores de obras. Seu crescimento consistente ao longo dos anos mostrou que eles estavam com uma visão tão geométrica quanto as telas de Ivan Serpa. Em 2014, foram fechados ali 157 milhões de reais em negócios, 50% a mais que em 2013. A nova edição já começa com um recorde: serão 4 500 peças expostas, vindas de dezessete países, o maior número reunido desde o início da empreitada. Os preços partem de 2 000 reais e chegam a 2 milhões de reais. Para abrigar tanta coisa, os organizadores, pela primeira vez, vão ocupar todo o Pavilhão da Bienal, e não apenas os dois primeiros pisos. Quem não está interessado em arrematar nada, pode curtir a bela exposição de trabalhos, em uma lista que inclui nomes como Salvador Dalí, Lucio Fontana e William Kentridge. No 3º andar, estará uma das novidades deste ano, o espaço dedicado a instalações, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti. Para receber as peças de grandes dimensões, o ambiente foi deixado livre de paredes. Outra novidade é a programação dedicada a performances. Todos os  dias, alunos do Centro Universitário Belas Artes vão apresentar trabalhos inéditos ou reencenar ações do americano James Lee Byars (1932-1997), entre elas Breath (Two in a Hat), na qual duas pessoas respiram em sincronia, unidas por um chapéu. Com inauguração prevista para setembro, o Wesley Duke Lee Art Institute, cuja proposta é reproduzir o ateliê do paulistano, terá uma prévia montada pela Ricardo Camargo Galeria especialmente para o evento. De autoria de Duke Lee, serão exibidas telas como A Zona: OIAHI-Ô, de 1960, e um vídeo com depoimentos de pessoas próximas a ele. Morto em 2010, o artista foi um dos pioneiros a produzir instalações no país. Em 1963, ficou marcado por transformar em happenings sua audaciosa mostra no João Sebastião Bar, em São Paulo, na qual apresentou as pinturas eróticas da série Liga. De 9 a 12/4/2015. + Consultoras indicam o que vale a pena comprar na SP-Arte
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  • Os musicais biográficos firmaram-se como filão aparentemente infalível. Contar a vida de um artista de forma atraente e principalmente criativa, porém, passa a ser o desafio desse tipo de produção. Longe da narrativa linear guiada por uma cronologia, Chacrinha, o Musical, escrito por Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, vai para o trono, como diria o Velho Guerreiro em seus programas. Dirigido por Andrucha Waddington, o espetáculo acerta ao mostrar de que forma Abelardo Barbosa (1917-1988) se tornou um dos mais populares comunicadores do Brasil. Para isso, a trama é centrada em duas visões do protagonista que permeiam a montagem. Por intermédio do jovem Abelardo (representado por Leo Bahia), são explicadas as raízes pernambucanas e sua batalha para se firmar profissionalmente. Já o consagrado animador de auditório (interpretado por Stepan Nercessian) surge através de contornos psicológicos que contrastam a fragilidade na intimidade com o espírito festivo e destemido diante do público. Impecável, Nercessian reproduz a alma do biografado apoiado na voz rouca e na postura, mas principalmente ao encantar a plateia com seus improvisos. Tamanha identificação não ofusca o trabalho de Bahia, surpreendente ao se desdobrar com relativa facilidade entre a infância e a vida adulta do personagem. Setenta canções estouradas nos programas de Chacrinha ganham a cena. Completam o elenco 23 atores, na pele de personalidades como o empresário Boni (interpretado por Saulo Rodrigues) e a jurada Elke Maravilha (papel de Mariana Gallindo). Estreou em 27/3/2015. Até 26/7/2015.
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  • Instant Article

    Melhores peças em cartaz

    Atualizado em: 25.Nov.2016

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  • Elas deixaram de ser as gatinhas que esnobavam a rapaziada, tampouco se esbaldam na balada como se não houvesse amanhã. Escrita e dirigida por Elzemann Neves, a comédia Quando Eu Era Bonita traz as atrizes Ester Laccava e Lulu Pavarin na pele de duas mulheres à deriva na festa de fim de ano da firma. Embalada por taças de champanhe, a dupla conversa, ri e chora, sempre relembrando os tempos em que tinham na mão o trunfo da beleza. Entrosadas, as atrizes surgem guiadas por várias ambições e as tiram de letra com desenvoltura. Provocam gargalhadas, apelam para a tragédia e ainda estimulam o público a uma interessante reflexão sobre a condição feminina nos dias atuais. Estreou em 13/3/2015. Até 12/7/2015.
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  • Os bem-sucedidos dramas Consertando Frank e Propriedades Condenadas estão em cartaz
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  • A fadista portuguesa Carminho aprofundou ainda mais a presença da música brasileira em seu novo trabalho, Canto, lançado em março. No álbum, a intérprete solta a voz nas inéditas O Sol, Eu e Tu (composição de Caetano Veloso em parceria com o filho Tom e Cézar Mendes) e Chuva no Mar (de Arnaldo Antunes e Marisa Monte). Além disso, conta com a participação de artistas nacionais a exemplo de Jaques Morelenbaum, Carlinhos Brown e Naná Vasconcelos. Não por acaso, ela mostra as novas canções pela primeira vez por aqui em uma apresentação junto de Milton Nascimento. Inicialmente, executa acompanhada por sua banda as faixas A Ponte, Contra a Maré e Espera. Em seguida, Bituca é amparado por seu trio em Sueño con Serpientes, Idolatrada e Andorinha. Por fim, eles se encontram para intercalar clássicos da música do Brasil e de Portugal, em repertório ainda a ser definido. Certa no roteiro da dupla, por enquanto, só Cais, do disco Clube da Esquina (1972). Dias 10 e 11/4/2015.
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  • Lugar de passear

    Atualizado em: 2.Abr.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO