Memória

Bairro do Ipiranga já foi reduto de tanques de guerra

Entre os anos 70 e 80, a indústria Bernardini produziu as maquinas às margens da Avenida do Estado

Por: Mauricio Xavier

Memória Infantaria Ipiranga
O galpão interno: o projeto de um modelo nacional não vingou (Foto: Sommer Andrey)

No último dia 26, a Polícia Militar descobriu duas carcaças de tanques de guerra, sem armamento nem motor, em um galpão no Ipiranga. Os veículos — um M41 Walker Bulldog, da americana General Motors, e um EE9 Cascavel, da brasileira Engesa — estão fora de uso desde a década de 90 e teriam sido comprados em um leilão em 2003 para ser exibidos em eventos de colecionadores de armas.

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Apesar do episódio inusitado, não foi a primeira vez que blindados desfilaram pelo bairro da Zona Sul. Fundada em 1912 para fazer cofres, a indústria Bernardini entrou no ramo bélico em 1976 ao fabricar carros de combate em sua sede na Rua Hipólito Soares, na esquina com a Avenida do Estado. Ali, criou uma versão a diesel do americano M41B, usado na Guerra da Coreia, nos anos 50.

Memória Infantaria Ipiranga
O pátio da empresa, em 1979: estacionamento de carros de combate (Foto: Sommer Andrey)

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Sua frota incluía o X-1A2 (veículo leve com esteiras), o X-30 (tanque médio de 30 toneladas) e o XlF-40 (lança- mísseis). Em 1979, a empresa começou a investir em um projeto ousado para desenvolver um modelo 100% nacional. O primeiro protótipo do Tamoyo seria apresentado em 1984, mas, embora fosse parceiro do projeto, o Exército brasileiro nunca se interessou em adquirir o tanque. A produção na fábrica foi reduzida a partir de 1992, e a Bernardini fechou as portas em 2001.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO