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Suspeito de atropelamento se apresenta à polícia e é liberado

Renan Bento da Silva diz que fugiu do local por medo de ser agredido. Laudo aponta que ele estava a 118 quilômetros por hora no momento da batida

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Renan Bento Silva - Atropelamento Avenida Roland Garros
Renan Bento Silva: suspeito prestou depoimento e foi liberado (Foto: Marco Ambrosio/Folhapress)

O motorista suspeito de atropelar dezesseis pessoas na saída de uma igreja na manhã do último domingo (9), Renan Bento da Silva, de 26 anos, apresentou-se à polícia na tarde de quinta-feira (13) e alegou que perdeu o controle do veículo. O acidente aconteceu na Avenida Roland Garros, na Vila Medeiros (Zona Norte). Segundo a polícia, o laudo pericial constatou que o Fiat Marea conduzido por Silva estava a 118 quilômetros por hora no momento da batida.

Após ser ouvido, o suspeito foi liberado. Na saída, pediu perdão às vítimas. "Peço que Deus conforte as famílias. Não tinha a intenção de machucar ninguém."

Na manhã de quinta, Kauan Israel Castro da Silva, de três anos, que foi atropelado com o grupo, teve morte encefálica constatada, segundo o Hospital das Clínicas. Ele chegou a ser submetido a uma cirurgia no abdome.

Segundo o delegado titular do 39º DP (Vila Gustavo) Marco Antonio Dario, Silva negou que estivesse em alta velocidade e afirmou que foi fechado por outro carro. A polícia contesta a versão. "O laudo pericial apontou 118 km/h e ele foi confrontado com esse laudo. Ele disse que tinha sido fechado por outro veículo, o que também não corresponde com a verdade. No local, a marca da frenagem está em linha reta."

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Ainda de acordo com o delegado, o suspeito disse que não prestou socorro às vítimas por medo de ser agredido. "Não havia testemunhas. Como ele poderia ser linchado se só havia as vítimas, que estavam feridas, no local?", questiona Dario.

Avenida Roland Garros
Carro do motorista que atropelou quinze pessoas na Zona Norte (Foto: Adriano Lima/Alpha/Folhapress)

Em depoimento, o suspeito negou ainda que era dono das 24 embalagens com maconha e dos quinze pinos de cocaína encontrados no veículo. Silva tem passagem por porte ilegal de armas, segundo a polícia. "A droga estava acondicionada em condições típicas de tráfico: em pequenas porções e dentro de uma sacola plástica", explicou o delegado.

A mulher que estava no carro com Silva, identificada como Michele Cristina Reis, de 21 anos, também prestou depoimento nesta quinta. Ela disse que estava em um relacionamento com o suspeito havia um mês e confirmou que o motorista fugiu sem ajudar os feridos. Ela negou saber da existência das drogas e também foi liberada.

A polícia investiga se uma terceira pessoa, apontada por uma das vítimas, estava no veículo no momento do acidente, pois Silva e Michele contaram que estavam sozinhos. Dario diz que o suspeito deve ser indiciado por homicídio com dolo eventual, tentativa de homicídio e tráfico de drogas. A prisão dele será pedida à Justiça, segundo o delegado.

(Com Estadão Conteúdo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO