Teatro

Fenômeno de público, 'Wicked' tem fãs que já viram a peça 28 vezes

Enfeitiçadas pelas bruxas do musical, as fãs chegam a trocar mais de 1 000 mensagens por dia

Por: Betina Neves

Wicked
Myra Ruiz (à esq.) e Fabi Bang em cena: 160 000 ingressos em cinco meses (Foto: Ricardo D'angelo)

Nos últimos seis meses, a paulistana Fernanda Tavares, de 30 anos, tem vivido uma jornada dupla intensa. Passou a dividir seu tempo entre o emprego de assistente administrativa e o de gestora da Wicked Family, o fã-clube dedicado ao musical Wicked, em cartaz no Teatro Renault desde março. Diariamente, precisa responder às questões dos 150 membros, organizar ações nas redes sociais e coordenar as “excursões” ao teatro. Muitos assistem até a quatro apresentações seguidas, o que não se compara com o recorde de Fernanda: ela viu nada menos que 28 vezes o espetáculo (como o ingresso mais barato custa 50 reais, a fã já investiu pelo menos 1 400 reais na história).

A turma participa de longos debates sobre o desempenho dos diferentes atores que se revezam nos papéis principais. “Se fico um dia sem olhar nosso grupo no WhatsApp, passa de 1000 mensagens”, conta Fernanda.

Fernanda Tavares - Wicked
Fernanda Tavares, que lidera grupo que idolatra Myra Ruiz (Foto: Leo Martins)

Baseada no livro homônimo do americano Gregory Maguire, de 1995, a peça é uma espécie de flashback do clássico O Mágico de Oz, antes de a protagonista Dorothy pisar na estrada de tijolos amarelos. Narra a amizade entre a bruxa má Elphaba (Myra Ruiz), que nasceu com a pele verde e é esquisita e excluída, e a bruxa Glinda (Fabi Bang), bonita, rica e popular.

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O espetáculo vendeu mais de 160000 ingressos desde a estreia. É surpreendente, levando-se em conta que o público dos musicais encolheu 30% desde 2015 devido à crise econômica. “O espetáculo conquista porque expõe o preconceito e o bom e o ruim de cada um”, diz Rachel Ripani, diretora residente da peça. “Todo mundo já se sentiu Elphaba na vida.”

 

Com o sucesso, surgiram divisões dentro da própria Wicked Family. O grupo que idolatra Myra Ruiz é liderado por Fernanda. “A Myra é encantadora, faz as músicas mexer com os espectadores”, defende. Já a estudante Tayná Gonçalves, de 17 anos, encabeça a turma apaixonada por Glinda. “A Fabi é a atriz mais forte”, afirma. No fim das apresentações, as garotas ficam esperando as atrizes saírem do camarim para fazer selfies.

Tayná Gonçalves Wicked
Tayná Gonçalves: coleção de selfies e autógrafos (Foto: Rogério Albuquerque)

Apesar das preferências diferentes, nenhuma das facções amaldiçoa a outra. “É tudo na paz”, garante Tayná. “Emprestamos dinheiro umas para as outras quando falta para comprar ingresso.” As meninas começaram a economizar para o que vem por aí. A produtora Time for Fun prorrogou a temporada até dezembro (a previsão inicial era fechar as cortinas em 31 de julho). Fernanda já está com os ingressos comprados para as quatro últimas apresentações do ano. E depois que acabar? “Vou ter abstinência, não tem outra palavra”, brinca.

Myra e Fabi - Peça musical Wicked
As protagonistas Myra e Fabi: amigas e rivais na trama  (Foto: Ricardo D'Angelo )

Fonte: VEJA SÃO PAULO