Bebida

Hype, cachaça Busca Vida faz sucesso em bares e restaurantes

À base de mel e limão, ganhou fama e viu sua produção pular de 3 000 para 12 000 litros ao mês

Por: Fábio Galib

CARLOS DE OLIVEIRA - BUSCA VIDA
Carlos de Oliveira: planos de exportar para a Europa e os Estados Unidos (Foto: Ligia Skowronsi)

Para combater gripe e resfriado, a antiga receita do caderninho da vovó prescrevia uma “marvada” da boa: pinga, limão e mel. Pois a combinação, agora com registro no Ministério da Agricultura e o espirituoso nome de Busca Vida, provou ser tiro e queda também nos negócios. Feita há quase duas décadas em Bragança Paulista, a bebida passou a ficar conhecida na capital nos últimos anos. Ela pode ser encontrada atualmente do pé-sujo Empanadas, na Vila Madalena, ao boteco chique Vaca Véia, do Itaim.

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No total, são cerca de 300 casas, ou 70% mais pontos do que há quatro anos. A misturinha começou a subir à cabeça do paulistano em 2010, quando a fabricante firmou uma parceria com a importadora e distribuidora Interfood. De lá para cá, ganhou espaço também nas prateleiras de supermercados e de lojinhas duty free nos aeroportos. Com toda essa rede, a marca responsável pela pinga da moda viu o volume de produção pular de 3 000 para 12 000 litros ao mês. Em baladas e bares descolados da cidade, um exemplar chega a custar 120 reais. Uma dose não sai por menos de 10 reais.

O responsável pelo negócio é Carlos de Oliveira, sujeito de 56 anos com pinta de hippie moderno. Nascido em Amparo, no interior paulista, ele foi cozinheiro na Itália e morou na Bahia até pingar de vez no sítio de 25 hectares da família, em Bragança Paulista. Lá, Carlão, como é conhecido, montou restaurante, teatro, hospedaria e um galpão que funciona como bar e casa de shows, onde já se apresentaram Tom Zé, Moraes Moreira e Arnaldo Antunes.

Busca Vida
Garrafa da cachaça Busca Vida: bebida da vez em bares e restaurantes de São Paulo (Foto: Divulgação)

A ideia de produzir uma bebida surgiu em 1996, após uma breve experiência como dono de cachaçaria no Pelourinho, em Salvador. “Queria algo que as pessoas tomassem sem fazer careta”, conta. Como metade da área da sua propriedade está sob proteção ambiental, ele fechou parceria com um alambique na vizinha Itatiba. Até chegar à fórmula ideal, foram quatro anos de testes.

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A Busca Vida não é a única a explorar o território das aguardentes saborizadas com mel e limão. Depois dela, vieram a pernambucana Santa Dose, a mineira B e até uma versão da popular cearense Ypióca. Carlão se prepara agora para enviar, no segundo semestre, um primeiro lote de garrafas para Miami, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, negocia a expansão das vendas para países como Itália, Espanha, Portugal e Alemanha. “Tudo foi conquistado sem investir um centavo em publicidade”, garante ele. Haja boca a boca!

DOIS DEDOS DE LUCRO

Alguns dos bons resultados alcançados pela marca

12 000 garrafas são produzidas por mês, número quatro vezes maior do que o de 2010

300 é a quantidade estimada de endereços que vendem a bebida em doses em seu balcão na capital

120 reais é o preço médio de uma garrafa nos bares, valor equivalente ao de uma bebida premium

Fonte: VEJA SÃO PAULO