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Sósia de Chuck Norris prepara 200 refeições por dia no Brooklin

Wagner Lolla aproveita a semelhança com o astro dos filmes de ação para promover as refeições de seu restaurante

Por: Lívia Roncolato - Atualizado em

Chuck Norris paulistano - Wagner Lolla
O comerciante na cozinha: confundido até no exterior com o xará (Foto: Lucas Lima)

Na hora do almoço, cerca de dez clientes esperam em fila na calçada por uma das quarenta mesas disponíveis no Lanches Hípica, especializado em pratos feitos, no Brooklin. Poucos conhecem o estabelecimento pelo nome oficial. Para os frequentadores, ali funciona o PF do Chuck. E ponto. Se existe alguma dúvida sobre a razão da alcunha, basta reparar no sujeito atrás do balcão, de camiseta, calça e barba. Wagner Lolla, dono do restaurante há 31 anos, é a cara de Chuck Norris, o astro americano de dezenas de filmes de ação, com poucos diálogos e muita pancadaria comendo solta.

Nascido no bairro do Brás, o sósia paulistano adora a comparação. “Já gostava dele antes disso e, agora, acompanho os filmes com muito mais prazer”, afirma Lolla, fã de títulos como O Homem do Presidente e Braddock. Vários cantos do endereço, com capacidade para oitenta clientes, fazem referência à semelhança: da lousa com as opções do dia, com uma caricatura do ator segurando duas pistolas, até as paredes, onde há imagens comparativas com os dois retratos, do tipo “jogo dos sete erros”.

A fama do “gêmeo” nacional não surgiu em razão da força dos braços e da destreza nas lutas (o restaurateur da Zona Leste jura ser um homem da paz). O apelido pegou de uma forma mais prosaica. Quando começou a participar de provas de rua, em 2002, ao lado da mulher, Vera Lúcia, os outros corredores o apelidaram de Chuck. Ele entrou na brincadeira e passou a aparar a barba ao estilo do americano. Os fregueses, em geral profissionais da região da Berrini, hoje o abordam para tirar fotos e o presenteiam com DVDs de filmes do ator. Procurado por VEJA SÃO PAULO, Chuck Norris, o original, não quis comentar o caso do sósia paulistano.

Chuck Norris paulistano
O salão, em fim de expediente: casa aberta até as 15 horas (Foto: Mário Rodrigues)

Diariamente, Lolla sai para correr às 9 horas pelo bairro, por cerca de uma hora. Às 11, chega ao restaurante. Ao lado da equipe de oito funcionários, atende em média 200 pessoas por almoço. O prato feito custa a partir de 15 reais e inclui arroz, feijão, batata frita ou salada e variações de carne, como picadinho e frango à milanesa. O chapeiro Vicente Oliveira está lá desde a fundação e é o responsável pela receita do feijão, o item mais elogiado da casa, de caldo espesso e temperado apenas com cebola em pedaços grandes, alho e pouco sal. Após o almoço, o proprietário, que faz as compras em feiras e atacadões, realiza pessoalmente o corte das carnes para a manhã seguinte. A tradição culinária vem de família. Quando criança, via a avó confeccionar linguiças para vender na vizinhança, no Brás. Aos 14 anos, começou a trabalhar como metalúrgico.

Hoje, aos 63, sem pensar em aposentadoria, costuma tirar trinta dias de férias por ano para viajar pelo mundo com a mulher — conheceu do Alasca à Croácia. Nessas ocasiões, coleciona casos em que é confundido com o herói de Hollywood. Na Bósnia, em setembro, dois guardas pediram para fazer fotos com ele. “Não entendi nada e fiquei com medo de ser preso.” Em 2011, em um supermercado de Nova York, um fã o abordou, incrédulo: “Chuck Norris?”. Como não fala inglês, respondeu afirmativamente com a cabeça. Assim que o rapaz se virou para chamar um amigo, ele saiu correndo, em uma fuga digna do astro. “Não queria que descobrissem minha verdadeira identidade”, justifica. Ele já tem programada a  próxima homenagem ao xará de Hollywood no Lanches Hípica: o bife do chuck, feito na chapa, com queijo, tomate e orégano, sem molho. Sob medida para uma dieta digna de Braddock.

tabela Chuck Norris paulistano
(Foto: Reprodução)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO