Restaurantes

Só em dinheiro: restaurantes ainda recusam cartões

Incômodo para o cliente, algumas casas não aceitam pagamento eletrônico e outras trabalham apenas com uma bandeira

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Um estudo divulgado em julho pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) mostra que, hoje em dia, oito em cada dez transações comerciais realizadas no país são feitas com cartões de crédito. Na contramão de tal tendência, 24 dos 550 restaurantes publicados regularmente no roteiro de Veja São Paulo recusam essa forma de pagamento. Não se trata somente de casas pequenas que não aderiram ao chamado dinheiro de plástico. Endereços tradicionais como a pizzaria Castelões e o português Presidente, ambos no Brás, não proporcionam a comodidade ao consumidor.

"Tem freguês que reclama muito", conta o gerente Manuel Teixeira, que trabalha no Presidente há 33 anos. Apesar das queixas, o fundador Antônio Pinto Rodrigues é refratário à mudança. Prefere receber em cheque ou dinheiro. Outro caso notável é o Massimo, um dos templos da gastronomia paulistana, nos Jardins. Com trinta anos de vida, até hoje não aderiu aos cartões. "Não acertamos as negociações com as operadoras", diz Venanzio Ferrari, sócio do restaurante, onde uma massa como o espaguete com tomate e manjericão custa 68 reais. Seus freqüentadores mais assíduos assinam a nota e fazem o acerto no fim do mês – em cheque ou depósito bancário. Pequena e caprichada casa de almoço em Pinheiros, o Sinhá também passa longe do sistema. "As taxas entre 4% e 5% cobradas pelo serviço não compensam", afirma o chef e sócio Júlio Bernardo. "Teríamos de repassar mais esse custo para a comida." No Sinhá, que fornece refeições em bufê, o gasto médio por pessoa é de 16,50 reais.

Embora em escala menor, são igualmente um incômodo para os clientes as casas que adotam um único tipo de cartão. É o caso da rede Rubaiyat, famosa por suas carnes. "Fizemos há dez anos um acordo com a Visa que envolve taxas menores, verba de marketing e um prazo de recebimento do dinheiro a cada sete dias", diz o gerente operacional Adriano Silva. "Preferimos o líder do segmento para atender a um número maior de pessoas." Sem dúvida, para o restaurante pode ser um bom negócio. Mas, para o consumidor, talvez seja uma chateação.

Fonte: VEJA SÃO PAULO