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Snapchat é usado por webcelebridades como um reality show pessoal

Rede social do momento vem conquistando adeptos por sua espontaneidade e rapidez

Por: Bárbara Öberg

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Na terça (18), a designer Gabriela Pugliesi, conhecida como a “musa fitness” da internet, foi acordada pelas lambidas do seu pitbull Budapeste por volta das 6 horas. Fez o desjejum com suco verde do Detox Market, almoçou na lanchonete Frutaria São Paulo, treinou na academia Cross Sett, visitou a joalheria Dryzun e praticou lições de adestramento com o cachorro. Esses passos não foram registrados pelas lentes de nenhum paparazzo, mas por ela própria, em fotos e pequenos vídeos de um a dez segundos, vistos em média por 200 000 pessoas por dia, na rede social do momento entre os jovens da cidade: o Snapchat.

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Criado em setembro de 2011 por dois estudantes da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, o aplicativo inovou pela efemeridade: fotos e vídeos produzidos desaparecem em até 24 horas, o que incentiva a exposição. Afinal, não é um material feito para ser eternizado. Por isso, tornou-se o canal preferencial para o envio de imagens íntimas entre os adeptos, os famosos “nudes”. O negócio também serviu para a criação de reality shows pelos celulares.

Muitos usuários que fazem sucesso disponibilizam para todos os seguidores seu conteúdo de cena em cena, no formato de uma novelinha particular. “Parece que estou conversando com uma amiga, então me empolgo e vou falando longamente com os meus fãs”, conta Gabriela. Com 1,3 milhão de admiradores no Instagram, ela preferiu o Snapchat para desabafar sobre o término recente do relacionamento com o namorado, Ricardo Barbato, e celebrar a vida nova de solteira, em dezenas de pequenos posts confessionais. Mesmo com quase quatro anos de existência, a plataforma só vem ganhando força entre o público brasileiro nos últimos meses.

Gabriela Pugliesi
Gabriela Pugliesi: pacotes por até 55 000 reais (Foto: Divulgação)

Um levantamento da companhia Nielsen Ibope mostra que, em julho, cerca de 600 000 paulistas usavam a rede social em seus smartphones, um aumento de 30% em comparação com o mês de março, quando havia 460 000 usuários. Na semana passada, era o quarto aplicativo mais baixado na Apple Store, uma posição à frente do Instagram. O WhatsApp ocupa o primeiro lugar da lista, com 14 milhões de usuários em São Paulo.

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O Snapchat está se tornando também um bom negócio para as webcelebridades. Com uma média de 50 000 visualizações diárias para cada vídeo instantâneo que posta, a atriz e blogueira Julia Faria é uma das mais influentes desse meio. Segundo fontes do mercado, cobra até 30 000 reais por um pacote de inserções que inclui Snapchat, Instagram, YouTube e sua presença em eventos. Os rendimentos estão entre os maiores do setor (mas seu cachê fica atrás do de Gabriela Pugliesi, que chega à casa dos 55 000 reais).

Para Julia, o “Snap” é a rede da vez. “Não dá para diminuir barriga, editar quadril, não tem fingimento”, afirma. “As pessoas estavam cansadas de quem posta no Instagram a foto em uma praia linda, mas na verdade está em casa de pijama.” Apesar de ter representantes do sexo masculino, como PC Siqueira, ex-VJ da MTV, e o humorista Rafinha Bastos, o aplicativo tem se tornado a ferramenta predileta das it girls.

Luciana e Marcella Tranchesi
As irmãs Luciana e Marcella Tranchesi: da badalação aos afazeres domésticos (Foto: Mario Rodrigues)

As irmãs Luciana e Marcella Tranchesi, por exemplo, possuem, respectivamente, média de 20 000 e 10 000 visualizações em cada post. Publicam dicas de produtos e decoração, receitas, festas com amigos, idas ao cabeleireiro, exercícios na academia e comentários irônicos sobre programas românticos de rádio. Motivada pela popularidade dos vídeos, Marcella lançou na segunda (17) um canal no YouTube, a fim de estender as cenas que fazem sucesso. “A tendência é que a febre da blogueira de foto vire a febre da blogueira do vídeo”, diz a irmã, Luciana. “Mas nada supera a espontaneidade do Snapchat, no qual não há produção e tudo parece bem mais íntimo, natural.”

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Alessandro Lima, presidente da E.life, empresa que monitora hábitos e comportamentos de usuários das redes sociais, diz que ainda há certa resistência a indicar para patrocinadores ações no aplicativo. O problema, ressalta, é a falta de métricas, pois nenhum adepto consegue saber quantos seguidores tem. “É difícil fazer um estudo do retorno da publicidade por esse mecanismo.” A mensagem autodestrutiva, por outro lado, é um atrativo, avalia Felipe Iacocca, CEO da IWM Agency. “Esse tipo de comunicação tem tudo a ver com as atuais formas de consumo: imediatista, descartável”, analisa. “Ela dá a oportunidade de criar cada vez mais uma relação autêntica com o público.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO