Lazer

Skates motorizados invadem as ruas

Novos modelos custam cerca de 3000 reais e são usados também como meio de transporte

Por: Catarina Cicarelli

Skate - 2202
A versão elétrica (2) e a motorizada (1): o auxiliar administrativo Alexandre Pilar utiliza o primeiro modelo para ir de casa ao trabalho (Foto: Alexandre Paoli)

Não é de hoje que o skate figura na paisagem paulistana. Recentemente, no entanto, foi incrementado por um acessório barulhento, o motor, e passou a ser chamado de carve. No mercado, existem dois modelos do equipamento que se propõe a juntar três esportes — o skate, o snowboard e o surfe — em um, já que o shape de madeira do “brinquedinho” é flexível. Há o movido a gasolina e o elétrico, com 800 watts, recarregável em qualquer tomada. “O carve motor é ideal para o asfalto e, por ter mais peso, costuma ser mais bem aproveitado por pessoas que possuem experiência com skate”, diz Ricardo Zucco, diretor da importadora Dropboards, que, além de vender os produtos, os comercializa para 45 lojas da capital. “O elétrico, mais estável e fácil de andar, é indicado para iniciantes.” Desde 2007, quando esses skates diferentões começaram a ser trazidos da China, a marca vendeu 1600 carves no país, quase metade deles em São Paulo.

Um dos compradores foi o auxiliar administrativo Alexandre Pilar, que utiliza sua prancha a gasolina como meio de transporte. Ele percorre diariamente 5 quilômetros no Morumbi para ir da sua casa ao trabalho. “O skate é o meu carro”, diz. Com um grupo de cinco pessoas, Pilar fez um giro pelos estádios de São Paulo: o passeio começou no Morumbi e terminou no Palestra Itália. Outro que aderiu à novidade foi o estudante de direito Marcus Vinícius de Freitas Palma, que tinha um carve sem motor quando comprou o turbinado, há dois anos. Ele mora em Taboão da Serra e, para evitar o trânsito até o trabalho, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, deixa seu carro no Morumbi e faz o resto do caminho deslizando sobre o asfalto. “O trânsito é muito estressante, ir com o skate é bem mais divertido”, acredita Palma, que não prescinde de equipamentos de segurança como capacete, cotoveleiras e joelheiras.

O representante comercial Márcio Tranquez arrematou dois modelos para andar com o filho Lucas, de 16 anos. Nos fins de semana, eles se divertem em Interlagos, onde moram. “Já tivemos o elétrico, mas o de gasolina é melhor pela autonomia e potência”, afirma Lucas. O carve motor, que custa 2990 reais, possui tanque de 1 litro, o que representa capacidade para rodar 50 quilômetros. Por causa da fumaça e do barulho, seu uso é proibido nos parques. O elétrico (2890 reais) tem a vantagem de ser mais silencioso, mas não pode pegar chuva. Sua bateria dura noventa minutos, o que muitas vezes não satisfaz o usuário. Um kit extra de baterias, que rende mais noventa minutos de brincadeira, ou transporte, é vendido por 380 reais.

Fonte: VEJA SÃO PAULO