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As vantagens e encrencas do site de compras chinês AliExpress

Famoso pelo preço baixo de roupas e acessórios, marca tornou-se campeã de vendas on-line entre paulistanos

Por: Júlia Gouveia - Atualizado em

Matéria Aliexpress Bárbara Baer
A advogada Bárbara Baer:demora de três meses para receber os produtos (Foto: Ricardo D'Angelo)

Bolsas vendidas por 20 reais. Vestido de renda a 15 reais. Óculos de sol cotados a menos de 4 reais. Capas protetoras de smartphone a 3 reais. Esses são alguns exemplos de preços inacreditavelmente baixos praticados no AliExpress, site do gigante de tecnologia chinês Alibaba. Ao agregar milhares de vendedores particulares das mais diferentes áreas, o negócio funciona como um imenso shopping virtual de artigos de fabricantes do líder da economia asiática. Nem o fato de a maioria das mercadorias ser de procedência duvidosa (há muitas réplicas e falsificações) espanta os consumidores.

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A página se tornou a campeã de vendas da internet brasileira. De acordo com um levantamento recente da empresa Ibope e-commerce, o AliExpress é líder em unidades vendidas no país, contabilizando 11 milhões de pedidos entre julho e setembro deste ano. O valor médio de cada operação é de 30 reais. Há muitos anúncios de quinquilharias, como capinhas de celular e adaptadores. O grosso das compras, no entanto, são artigos de moda e acessórios (confira abaixo). De 2013 para cá, a audiência do negócio cresceu 105%. Encontra-se hoje na casa de 10 milhões de visitantes únicos por mês, segundo a comScore, companhia especializada em análise de dados de tráfego na rede. Com isso, deixa para trás em nosso território concorrentes internacionais de peso como o eBay e a Amazon. De olho no mercado nacional, o site lançou uma versão em português no ano passado com promoções exclusivas para o público brasileiro. Além disso, boa parte dos vendedores não cobra frete ao enviar as mercadorias para cá.

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A empresa não revela números a respeito do perfil de seus clientes, mas especialistas nesse mercado estimam que cerca de 10% das encomendas brasileiras do endereço sejam feitas por consumidores paulistanos. A administradora Fernanda de Bortoli faz parte do grupo de fãs — calcula ter realizado mais de 150 compras pelo canal. De tanto fuçar e descobrir barganhas, ela criou o blog Comprei da Gringa, que conta com uma média de 8 000 visitantes diários. “Hoje, 90% das perguntas que recebo são sobre o AliExpress”, diz. No espaço, internautas compartilham links e depoimentos sobre suas experiências com os “chinesinhos”, como chamam os comerciantes.

Matéria Aliexpress Bárbara Baer
A advogada Bárbara Baer:demora de três meses para receber os produtos (Foto: Ricardo D'Angelo)

Grupos de discussão no Facebook são outra ferramenta utilizada pelos internautas para trocar dicas, caso do Comprei no eBay/Ali. Criada em 2012 pela empresária Denise Jordão, a página contabiliza mais de 27 000 participantes. “Montamos álbuns de fotos divididos por categorias para que os membros mostrem suas aquisições e digam se valeram a pena”, explica. Para ela, a grande vantagem do serviço é a oferta de peças da moda por preço muito baixo. “No Brasil, mesmo que a roupa não seja de marca, o valor do modelo similar é bem maior”, opina. Os itens mais buscados do momento são as blusas com tule, tecido transparente, e o Miracurl, aparelho que produz cachos no cabelo.

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Apesar da possibilidade de fazer uma economia considerável na aquisição, o negócio exige certa dose de paciência. As encomendas podem demorar mais de dois meses para ser entregues e a aparência real nem sempre condiz com a foto do anúncio. Foram esses motivos que levaram a advogada Bárbara Baer a desistir do site chinês. “Comprei uma carteira em agosto e só a recebi em outubro”, recorda. Além disso, para ela, a qualidade dos artigos tem deixado a desejar. “Antes eu era viciada, hoje nem olho mais.” Para os concorrentes nacionais, os percalços enfrentados pelos clientes estão entre os pontos fracos da empresa oriental. “A maioria dos nossos produtos é pronta-entrega e chega em menos de uma semana”, aponta o diretor do Mercado Livre, Leandro Soares.

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Fundado em 1999 pelo chinês Jack Ma, o grupo Alibaba é uma das maiores empresas de comércio eletrônico do mundo. Em setembro, protagonizou a maior abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos. A companhia captou 25 bilhões de dólares na operação. O site AliExpress se tornou um dos seus grandes braços de negócios. No Brasil, o volume de encomendas ganhou tamanha proporção que representantes da empresa asiática e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) se reuniram recentemente para discutir formas de diminuir o tempo de entrega dos artigos por aqui. Para 2015, estuda-se a possibilidade de abertura de armazéns em Hong Kong e em Miami para ajudar na triagem e tributação das mercadorias. A Receita Federal também planeja implantar um sistema informatizado que fiscalizará com mais rigor a entrada desses produtos no Brasil. Qualquer compra de até 500 dólares pode ser taxada em 60% sobre o valor do produto. No entanto, como a aplicação dos encargos é realizada, muitas vezes, por amostragem, alguns pacotes acabam driblando os agentes e escapando da cobrança.

Matéria Aliexpress Jack Ma
O fundador da empresa, Jack Ma, na Bolsa de Nova York: o homem mais rico da China (Foto: Andrew Burton / Getty Images)

PARA NÃO CAIR NO CONTO VIRTUAL

Como evitar problemas na hora de fazer as encomendas

1. Todos os vendedores possuem um selo de avaliação e o número de vendas efetuadas. Quanto melhor for a reputação, mais confiáveis.

2. É possível ver os comentários de outros compradores sobre a mercadoria, um bom termômetro para saber a qualidade dos itens.

3. Muitas lojas vendem os mesmos produtos por preço similar. Caso algum vendedor ofereça um valor muito baixo, desconfie.

4. Qualquer compra corre o risco de ser taxada pela Receita Federal ao chegar ao país. Calcule se, mesmo com a cobrança do imposto, o preço continua compensando.

5. Se a compra não chegar ou vier danificada, faça uma reclamação (chamada de “disputa”) dentro do prazo indicado. O site costuma reembolsar os clientes.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO