Turismo

Singapura, a Suíça do Sudeste Asiático

Planejada para funcionar com perfeição quase irreal, a cidade-estado investe pesado para atrair novos visitantes

Por: Alecsandra Zapparoli, de Singapura - Atualizado em

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Não existe luxo maior do que visitar uma cidade limpa, organizada e segura. Mas a asiática Singapura tem uma série de outros atrativos que traduzem o luxo de maneira mais óbvia: ostentação, requinte e lojas e mais lojas de grife. Com menos da metade da área do município de São Paulo e com um terço dos habitantes daqui, essa ilhota localizada na ponta da Península Malaia concentra seis Gucci (temos duas), sete Burberry (temos uma) e cinco Prada (não temos nenhuma). Só para ficar em alguns exemplos. O mais impressionante é ver longas filas nas portas dessas grandes marcas, como se liquidação fizesse parte da cartilha delas, o que definitivamente não é o caso. A sensação entre as orientais ainda é a Louis Vuitton. Não à toa, o grupo promete inaugurar em setembro uma quinta unidade, flutuante, no meio da baía, ligada por um túnel a um dos 145 shoppings de lá. Sim, 145. São quinze só na Orchard Road, a avenida-símbolo da prosperidade singapurana.

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Trata-se de uma sociedade que tem certa obsessão por conjugar o verbo comprar. Mas isso está longe de ser um problema para os seus habitantes, já que lhes sobra cacife para alimentar esse vício de consumo. A cidade-estado concentra maior densidade de milionários que qualquer outro país do mundo, de acordo com pesquisa do Boston Consulting Group. Sem contar a contribuição dos turistas, que surgem em número cada vez maior. Nos primeiros três meses deste ano, foram 3,1 milhões de visitantes, 16% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Eles vêm principalmente da Indonésia, China, Malásia, Austrália e Índia, nessa ordem, atraídos pelas vitrines reluzentes e pela possibilidade de comprar mais barato.

Mas seria injustiça resumir Singapura a um conglomerado de shoppings. É mais que isso: tem hotéis de primeira, resorts em praias artificiais, SPAS, com maiúsculas mesmo, restaurantes capazes de agradar ao mais exigente paulistano e cassino desde 2006, quando o rigoroso governo relaxou as restrições à jogatina. Sem falar na sua eficiência como cidade. Singapura é hoje uma das metrópoles mais limpas, organizadas e seguras do mundo. Antiga vila de pescadores, a ilha foi colônia britânica de 1819 a 1959 (daí a direção dos veículos do lado direito e o inglês ser um dos quatro idiomas oficiais — há ainda o mandarim, o malaio e o tâmil). Sob a presença inglesa, desenvolveu uma vocação comercial, atraindo imigrantes a seu porto, livre de impostos. Em 1963, uniu-se à federação da Malásia, da qual se separou dois anos depois para se transformar em estado independente. Àquela época, convivia com corrupção e com uma série de problemas sociais. Hoje, os sistemas de educação e saúde locais rivalizam com os de qualquer país ocidental. Há transporte público de altíssima qualidade, cerca de 85% da população vive em decentes moradias subsidiadas pelo governo e a taxa de desemprego fica em torno de 3%. A contrapartida para desfrutar tudo isso é alta, já que não se trata de uma democracia. Existem centenas de restrições aos moradores, que pagam caro (não só no sentido literal) caso descumpram as leis vigentes. É proibido, por exemplo, jogar lixo ou cuspir no chão, mascar chiclete, fumar na rua e deixar de dar descarga em banheiro público. As punições vão de pesadas multas (650 reais se comer no metrô, por exemplo) à pena de morte (tráfico de drogas). A boa notícia para os turistas é que esse clima de “aqui não pode nada” não é sentido nas (limpíssimas) calçadas. Muito pelo contrário. Primeiro, porque não se vê policiamento ostensivo (a cidade aposta em fiscalização à paisana e câmeras). Outro fator que contribui para isso é a grande miscigenação da população — a proporção é de um estrangeiro para cada cinco nativos. É possível cruzar com os tipos mais improváveis, boa parte com visual descontraído, como em qualquer metrópole.

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De uns anos para cá, a meta de Singapura é alavancar o turismo. Para isso, está investindo pesado em novidades. Inaugurado há pouco mais de um ano, o complexo Marina Bay Sands virou um de seus principais cartões-postais. São três edifícios, cada um deles com 55 andares, unidos por uma plataforma instalada no topo dos prédios. Fica lá, a 200 metros de altura, a célebre e aflitiva (dependendo do ângulo em que se vê) piscina com borda infinita. Na área conhecida como Sky Park, há ofurôs para os hóspedes, restaurantes, discoteca e uma vista daquelas. O lugar engloba um hotel com 2.561 apartamentos, com diárias na faixa de 350 dólares (é a tarifa média dos bons hotéis de lá), um shopping que oferece passeio de gôndola (nem pense no charme de Veneza), um museu em forma de flor-de-lótus e um cassino com 600 mesas de jogos e 1.500 máquinas. Uma curiosidade: para evitar que os singapuranos se viciem em jogo, as autoridades exigiram que o lugar cobrasse entrada de cerca de 130 reais de seus habitantes. Os estrangeiros têm passe livre.

Ligada a Singapura por uma ponte, um teleférico e um pequeno trem, Sentosa é outro grande atrativo. A ilha está recheada de hotéis recém-construídos, várias opções de restaurante, praias artificiais e uma filial da Universal Studios. Lugar ideal para ir com criança. De tão perfeitinha, dá a sensação de que em algum momento vão surgir de trás de um coqueiro os personagens Tattoo e Sr. Roarke em seus ternos brancos. Não seria de se espantar. Singapura não deixa de ser uma ilha da fantasia.

Suaves 26 horas de voo

Requinte no serviço e as poltronas mais largas do setor. Assim é a primeira classe da premiada Singapore Airlines 

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Conforto: poltronas com o mesmo couro dos carros Ferrari e Jaguar se transformam em camas e ainda há tela individual de 23 polegadas (Foto: Divulgação)

Colecionar prêmios é uma constante na história da Singapore Airlines. Só no ano passado, foram oitenta — recebeu, por exemplo, o título de melhor companhia aérea do mundo por publicações especializadas como a Condé Nast Traveller e a Business Traveller. Também apareceu entre as vinte empresas mais admiradas do planeta, de acordo com ranking divulgado pela revista americana Fortune. Conhecida por oferecer serviço impecável e as maiores poltronas na sua primeira classe, inaugurou a rota São Paulo-Barcelona-Singapura em março, com o Boeing 777-300ER. Os assentos, com 88,9 centímetros de largura, são revestidos de couro de granulação fina, igual ao usado nos carros Ferrari, Jaguar e Rolls-Royce. Mas o melhor mesmo é que se transformam em camas (na executiva, a posição de 180 graus é atingida na diagonal, o que não chega a ser desconfortável). Grifes conhecidas dão o tom da exclusividade proposta pela companhia. Aparecem no nécessaire (Salvatore Ferragamo), nos pijamas e nas louças (Givenchy), no champanhe (Krug e Dom Pérignon) e até na maquiagem das aeromoças (Lancôme). Em sexy sarongues feitos sob medida, as apelidadas singapore girls chamam atenção pela doçura e beleza. “Há consistência do serviço. O atendimento é padronizado e sempre muito, muito bom”, diz Tereza Peres, dona de uma operadora de viagens de luxo. 

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Refeição servida em louças Givenchy e aeromoças que usam sarongues feito sob medida: atendimento impecável (Foto: Divulgação)

Essa excelência no atendimento, o conforto e a frota renovada (a idade média das aeronaves é de seis anos) explicam a liderança da empresa em quase todos os rankings que disputa com os outros gigantes dos ares. “É respeitável o fato de uma ilha minúscula conseguir colocar sua companhia aérea em primeiro lugar no mundo durante tantos anos. A Singapore continua reinando e impondo exigências cada vez maiores aos concorrentes.” E quanto vale cruzar os céus com tamanha mordomia? No trecho São Paulo-Barcelona, pagam-se 9.500 dólares para ocupar um dos oito lugares da primeira classe. Se a viagem se estender até Singapura, o valor subirá para 17.000 dólares. Na executiva, que tem 42 lugares, custa 3.200 e 7.500 dólares, respectivamente. O preço da passagem de fato equivale a algumas diárias em hotel cinco-estrelas. Desnecessário dizer que, para quem pode pagar, vale cada centavo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO