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Síndico assusta condôminos com premonição sobre acidente aéreo

Baseado em previsão do vidente Nóbrega da Luz, Severino Lima emitiu comunicado em edifício da Avenida Paulista e causou alarde entre os moradores

Por: Tatiana Izquierdo - Atualizado em

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Os condôminos do edifício Barão de Serro Azul foram surpreendidos por um comunicado não muito agradável na manhã de segunda (17). O síndico do prédio, Severino Alves de Lima, no cargo há sete anos, decidiu avisar aos frequentadores do prédio sobre um acidente aéreo que poderia ocorrer por ali na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Campinas no próximo dia 26, quarta da semana que vem.

Sua mensagem alarmista seria baseada na visão do vidente Juscelino Nóbrega da Luz, de que um avião se chocaria com um edifício do local. "Sempre trabalhei corretamente dentro da minha função e do meu dever. Um síndico responde civil e criminalmente por tudo o que ocorre no prédio. Se acontecer alguma coisa com as pessoas que o frequentam, a responsabilidade também é minha. Me senti no dever de avisar aos trabalhadores, fico com a sensação de dever cumprido", disse o sindíco.

O Barão de Serro Azul está localizado no número 1159 da Avenida Paulista, dentro da rota de colisão do hipotético acidente aéreo. Com dezoito andares comerciais e 200 condôminos, abriga diversos escritórios empresariais que vão desde imobiliárias, escolas de idiomas e clínicas médicas.

No andar térreo, que pode ser acessado livremente pela famosa Avenida Paulista, funcionam lanchonetes, lojas de acessórios em geral, salões de beleza, óticas e assistencias técnicas. "Eu não vou trabalhar e a lanchonete não vai abrir. Eu prefiro levar em consideração a visão do vidente, perder um dia de trabalho, mas ter certeza que posso salvar minha vida. Vou estar bem longe daqui no dia 26", conta o balconista Andy Rappetiny.

"Para ser sincera, eu fico bem em dúvida entre vir ou não vir trabalhar no dia 26. Estou aqui desde fevereiro no prédio, o senhor Severino é uma figura excêntrica e está sempre disposto a colaborar. Dizer que não acredito é mentira. Já tivemos outras discussões sobre o assunto, mas prefiro pensar que os aviões passam bem alto aqui e que nada vai acontecer", diz a coordenadora administrativa Glaucia Hudges, que trabalha no segundo andar do edifício.

Vidente responsável pelo "alerta", Juscelino Luz ganhou destaque após a queda do avião do então candidato à presidência Eduardo Campos, em Santos. Em seu site, ele afirma que todos os casos trágicos que prevê são comunicados para as pessoas envolvidas e registrados em cartório.

"Fui até o cartório onde o vidente registrou suas visões, peguei cópia do material com os dados do possível acidente e resolvi avisar aos condôminos dentro de uma linha sóbria, para não assustar os trabalhadores e visitantes que frequentam aqui. É meu papel", afirma Severino.

Alguns condôminos, no entanto, acreditam que o comunicado do síndico foi desnecessário, só provocou alarde e custos desnecessários para o condomínio. "Achei bem bizarro. Uma pessoa que tem o papel e a importância dele não poderia se deixar alarmar por um assunto banal assim. Eu não acredito nisso, abrirei minha escola normalmente", disse Jorge Klotz, proprietário da You Idiomas, que funciona dentro do prédio.

Um grupo de auxiliares administrativos de uma empresa que vende planos odontológicos está dividido entre o aparecer ou não. "Eu não virei porque minha mãe já tinha visto esse vidente na televisão falando sobre o acidente. Depois do comunicado, ela marcou o dia na folhinha e já disse pra mim que eu estava proibido de vir pra caá", disse Vitor Marques. "Isso tudo é uma besteira, sensacionalismo barato", completou Tiago Vasconcelos, ambos funcionários da mesma empresa.

Questionado sobre a rotina de trabalho no dia do possível acidente, Severino afirma: "Eu estarei aqui. Sou profissional e vou manter minha rotina de trabalho até porque o acidente de fato não será aqui no prédio. Nós estamos apenas na rota de uma possível colisão. Não sou crédulo nem incrédulo, videntes têm essas premonições e algumas de fato ocorrem. Então, eu preferi me precaver e comunicar", finaliza.

Fonte: VEJA SÃO PAULO