Música

A maldição de “Então É Natal”

Gravada em 1995, arrastada versão de Simone para tradicional canção de Festas é tocada incessantemente todo mês de dezembro

Por: Catarina Cicarelli - Atualizado em

Simone
Simone: canção 'Então É Natal' tocada incessantemente (Foto: Divulgação)

Basta chegar dezembro para começar a tortura que tem como “algoz” a cantora Simone. Graças a ela, que em 1995 lançou o CD “25 de Dezembro”, todo fim de ano ouvimos incontáveis vezes a música “Então É Natal”, uma espécie de hino torto a Papai Noel.

A canção é uma versão de “Happy Xmas (War Is Over)”, gravada em 1971 por John Lennon e Yoko Ono como forma de protesto contra a Guerra do Vietnã. “Você sempre pode piorar o que já é originalmente ruim”, afirma o crítico de VEJA Sergio Martins, que considera a letra do ex-Beatles piegas, ainda que tenha uma boa intenção.

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André Barcinski, crítico do jornal “Folha de S.Paulo”, é mais duro em seu julgamento: “A música é bem cafona e exagerada, mas a culpa não é da Simone, e sim de John Lennon e Yoko Ono, que estavam passando pela fase mais megalomaníaca e autoindulgente de suas carreiras”.

É difícil estipular quantas vezes a música é tocada no fim de ano. Segundo a Crowley Broadcast Brasil, empresa que monitora mais de 350 emissoras em 14 cidades brasileiras, em 2010, a versão de Simone só tocou uma vez nas rádios de São Paulo e no Brasil todo teve 120 execuções. O problema, porém, é o som ambiente de lojas populares de ruas como a 25 de Março e a Teodoro Sampaio, onde a canção é executada incessantemente.

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“Essa massificação da música leva à resistência do público”, teoria Julio Maria, editor do “Caderno2+Música”, do jornal “O Estado de S.Paulo”. “Já fugiu ao controle até da Simone o fato de tocar todo o final de ano”, completa.

Há outros pontos que tornam a música questionável para muita gente. Martins se incomoda com o sotaque da cantora. Na letra, também há o misterioso verso “Hiroshima, Nagasaki, Mururoa...”, que fala de cidades que sofreram ataques ou foram palco de testes nucleares. A referência aparece desconexa ao final da música, sem nenhuma ligação com o resto da letra, que trata da celebração natalina.

Se a “maldição” já dura 16 anos e parece não ter data para deixar nossos ouvidos em paz, resta um consolo: o Natal chega neste fim de semana. Depois, só daqui a doze meses.

Para quem por acaso escapou da música neste ano, mas quer sofrer mesmo assim, publicamos o vídeo abaixo: 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO