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Shopping Cidade São Paulo será inaugurado nesta quinta

Centro de compras com 160 lojas foi construído em terreno que abrigou palacete da família Matarazzo na Avenida Paulista

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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Aberta no fim do século XIX, a Avenida Paulista atravessou suas primeiras décadas como um reduto de elegantes palacetes de barões do café e industriais. O aspecto de condomínio de luxo manteve-se inalterado até os anos 50, quando os casarões clássicos começaram a ceder espaço a arranha-céus comerciais. Ícone das transformações causadas pela expansão financeira da capital, a via fecha um ciclo nesta quinta (23) com a inauguração do Shopping Cidade São Paulo, erguido em um dos últimos lotes que estiveram disponíveis para incorporação imobiliária na região nos últimos anos.

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Localizado no número 1230, na esquina com a Rua Pamplona, o terreno em si representa o emblema do fim de uma era: ali ficava a célebre e suntuosa mansão do conde italiano Francisco Matarazzo (1854-1937), pioneiro da industrialização brasileira, demolida em 1996. O centro de compras terá 160 lojas, praça de alimentação, teatro e cinema distribuídos por cinco pisos. “A avenida atrai um público de jovens, turistas, executivos e trabalhadores durante 24 horas”, afirma José Roberto Voso, diretor de shopping centers da CCP, dona do empreendimento. “Apostamos ainda no ‘filé’ da população dos bairros da Bela Vista e dos Jardins como clientes”, completa.

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A mansão Matarazzo que ocupava a Avenida Paulista, 1230, nos anos 1990: fim de uma era (Foto: Antonio Milena)

Um prédio anexo, a Torre Matarazzo, será finalizado até junho. Vendido por quase 200 milhões de reais à Previ, fundo de previdência de funcionários do Banco do Brasil, possui treze pavimentos aptos a receber 1 200 funcionários. O complexo inteiro consumiu 500 milhões de reais. No shopping, o maior boxe será ocupado pela loja de brinquedos Ri Happy, que será inaugurada em julho, com 953 metros quadrados. “Um espaço da Disney reunirá bonecos de princesas e heróis da Marvel, cinema infantil e videogames interativos”, diz o diretor de novos negócios da marca, Renato Floh. 

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A grife de cristais Swarovski trará um conceito diferente em relação a suas outras nove unidades na cidade. “A proposta é de um ambiente aberto, sem barreiras de vitrines ou portas, e localizado no andar térreo, algo inusitado para joalherias”, explica a diretora-geral de varejo, Carla Assumpção.

O endereço não é o primeiro do gênero na região. O Center 3 e o Conjunto Nacional, próximo à Rua Augusta, têm 100 e 66 lojas, respectivamente. O Top Center, perto da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, possui 67. Em termos de variedade de comércio, o Pátio Paulista, na Rua Treze de Maio, na Bela Vista, com 234 estabelecimentos, continua firme na liderança.

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A obra para a construção do complexo contou com episódios dignos de uma escavação arqueológica: “Encontramos tijolos com as inscrições IRFM, de Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, e guardamos em nosso escritório, pois trata-se de uma relíquia com mais de 100 anos”, conta Rejman (Foto: Mario Rodrigues)

A chegada do novo empreendimento implica mais impacto em um pedaço da metrópole pressionado pelo fluxo diário de 1,5 milhão de pessoas e 2400 veículos por hora. Com o objetivo de reduzir os danos, a incorporadora acertou a realização de uma série de contrapartidas. Uma delas foi o alargamento das ruas Pamplona e São Carlos do Pinhal — nessa segunda fica a entrada principal do shopping. Elas ganharam uma faixa a mais. Outra foi a criação de uma praça pública de 2 400 metros quadrados com mudas da Mata Atlântica e conservação de sessenta árvores nativas. “Será um jardim sem muros nem cercas, qualquer pedestre poderá acessá-lo”, afirma o diretor de desenvolvimento da CCP, Hilton Rejman.

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As obras duraram quatro anos, mas a movimentação em torno do famoso terreno começou bem antes. A polêmica remonta a 1989, quando membros da família Matarazzo teriam tentado, sem sucesso, na calada da noite, derrubar com explosivos o casarão de dezenove quartos e dezesseis salas. A justificativa oficial foi que o palacete enfrentava problemas hidráulicos, que exigiam gastos vultosos.Segundo técnicos da prefeitura daquele período, o real motivo seria escapar de um processo de tombamento. Pouco depois, a então prefeita Luiza Erundina decidiu desapropriar o imóvel para instalar ali o Museu do Trabalhador, projeto nunca concretizado. 

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Renato Floh, diretor de novos negócios da Ri-Happy, que será a maior loja do shopping, com 953 metros quadrados: marca inaugurará seu box em julho com um espaço Disney (Foto: Fernando Moraes)

Em 1996, a construção acabou ruindo após anos de decadência. A negociação para a compra da área pela CCP por 125 milhões de reais até o início das obras foi outra novela, que se arrastou por seis anos, mobilizou cinco ramos da família e terminou em 2011. A obra subsequente contou com episódios dignos de uma escavação arqueológica.“Encontramos tijolos com as inscrições IRFM, de Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, e guardamos em nosso escritório, pois trata-se de uma relíquia com mais de 100 anos”, conta Rejman.

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Esse acervo, no entanto, representa a única parte que sobrou da antiga mansão. “Per deu-se a oportunidade de preservar nossa história”, lamenta o professor Lucio Gomes, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. 

Compras e Negócios

Alguns dos principais números do empreendimento

O COMPLEXO 

  • 500 milhõesde reais de investimento
  • 12 000 metros quadradosde área total do terreno
  • 123 000 metros quadradosde área construída

O SHOPPING

  • 17 500 metros quadradosde área bruta locável
  • 160 lojas
  • 1 500 vagas de estacionamento
  • 170 vagas de bicicletário
  • 2 400 metros quadrados de praça

A TORRE

  • 22 000 metros quadradosde área construída
  • 13 andares

Fonte: VEJA SÃO PAULO