Cidade

Setin e Cyrela compram terreno do Parque Augusta

Construtoras têm projeto de torres onde vizinhos querem área verde; Haddad já disse que parque não é prioridade

Por: Redação VEJASÃOPAULO.COM

Parque Augusta Hoje
Área tem hoje um estacionamento e estruturas abandonadas do antigo Colégio Des Oiseaux | Crédito: Reprodução/Facebook

O sonho dos moradores do Centro de São Paulo de terem um parque em plena Rua Augusta ficou mais distante. O empresário Armando Conde, dono da área de 25 mil m² entre as ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, repassou oficialmente a propriedade às construtoras Setin e Cyrela. Conde, ex-dono do banco BCN, é um dos sócios da Setin.

Juntas, as empresas já apresentaram à prefeitura um projeto de construção de duas torres, uma residencial e outra comercial, que ocupariam 18% do terreno - o restante seria uma área aberta ao público. Incrédulos, os moradores afirmam que só um espaço 100% verde agradaria a vizinhança. "Vão concretar tudo e chamar de área pública. Será nos mesmos moldes de alguns prédios comerciais na Avenida Paulista, que de fato têm uma parte aberta na frente do terreno. Mas não é parque", diz Fábio Canova, dos Aliados do Parque Augusta.

 Sem prioridade

O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) chegou a decretar a área de utilidade pública, mas o decreto expirou sem que a prefeitura retomasse o terreno. Já o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), disse que a criação do parque não era prioridade da administração municipal no momento. Afirmou ainda que se tivesse os 100 milhões de reais necessários à desapropriação - é quanto vale a área em uma das regiões mais valorizadas de São Paulo -  "faria creches e não parque". 

Um grupo de moradores entrou com uma ação civil pública na Justiça, que remeteu ao Ministério Público Estadual o pedido de liminar para impedir ali qualquer construção que não a do parque. A liminar foi indeferida e a briga judicial voltou à estaca zero. 

História

O cobiçado terreno já foi endereço do antigo Colégio Des Oiseaux, onde estudavam as garotas da alta sociedade paulistana. Hoje, abriga um estacionamento, além de construções abandonadas que faziam parte do colégio. Parte da vegetação está preservada. 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO