teatro

Sete peças com ingressos a 30 reais

Entre elas estão os espetáculos Dez Encontros e Killer Joe

Por: Veja São Paulo

Selecionamos peças em cartaz com ingressos a 30 reais. 

  • De tempos em tempos, uma peça estreia de mansinho e chama a atenção pela façanha cada vez mais rara de se manter por meses em cartaz. Os atores da Cia. Os Barulhentos conseguiram um eficiente boca a boca com Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar, que, depois de apresentações no Espaço Elevador, pode ser vista no Centro Cultural São Paulo. Dirigida por Rodrigo Spina, a tragicomédia é formada por catorze cenas escritas pelo dramaturgo romeno Matéi Visniec. Um pouco mais da obra do autor ainda pode ser conhecido em outros espetáculos na cidade, A Máquina Tchekhov e A Volta para Casa. Em um primeiro momento, a encenação concebida por Spina, apoiada na iluminação de Lui Seixas, já deixa o público impactado. O breu do palco aos pouco cede espaço para tons de cinza, branco e preto para que as tramas se cruzem. Enquanto um casal discute a relação depois do sexo, uma mãe luta para atravessar uma fronteira com o filho. A seguir, um garoto é instruído a atirar em supostos inimigos. Em comum, os personagens são marcados pela opressão que os tornam patéticos, vítimas da violência e do totalitarismo. Conceitual e performática, a montagem opta por caminhos opostos ao realismo para reforçar as palavras de Visniec. Garante, porém, sua maior força ao criar, inevitavelmente, comparações com os noticiários. Estreou em 14/3/2015. Até 25/10/2015.
    Saiba mais
  • Dar vida a diferentes personagens em cerca de noventa minutos é um exercício de fôlego e técnica almejado por grande parte dos atores. Sob a direção de Isser Korik, André Garolli e Tania Khalill têm essa chance como protagonistas do drama do inglês David Hare. A dupla se desdobra nos dez tipos das histórias curtas e interligadas sobre sedução, conflitos pessoais, sexo e amor. Uma garota de programa encontra um taxista. Logo, ele transa com uma empregada doméstica, que em seguida vai para a cama com um estudante. Este rapaz tem um romance com a mulher de um político, mas o marido dela sai com uma modelo e por aí vai até fechar o círculo. Ágil e bem conduzida por Korik, essa ciranda sexual entretém o público, principalmente nos momentos em que escorrega para o terreno cômico e investe na diversão. Um grande trunfo são as caracterizações de Garolli, capaz de convencer nos papéis mais pueris e também nos sisudos, sempre em busca de dividir o brilho com Tania. Montado na Broadway com Nicole Kidman, o texto já foi visto no Brasil em 2002, com Christiane Torloni e Murilo Rosa no elenco. Estreou em 9/1/2015. Até 31/3/2016.
    Saiba mais
  • A encenadora Monique Gardenberg radicaliza na estética cinematográfica para o drama de Adam Rapp. Prova maior é o cenário de Daniela Thomas, que deixa o público com a sensação de estar diante de uma tela. Em uma cidade em guerra, Ellen (interpretada por Deborah Evelyn) tenta sobreviver escondida no porão de seu prédio e alimenta a esperança de rever o marido. Uma jovem drogada, um professor e um fugitivo passam pelo bunker em uma história densa e opressora. Mesmo que o elenco não humanize os personagens, a reflexão sobre o isolamento na sociedade pode cativar o público. Com Isabel Wilker, Michel Bercovitch, Darlan Cunha, Daniel Infantini e Daniele do Rosario. Estreou em 20/2/2015. Até 29/3/2015.
    Saiba mais
  • Monólogo dramático

    A Hora e Vez
    VejaSP
    2 avaliações
    O mineiro Rui Ricardo Diaz deu vida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no filme Lula, o Filho do Brasil (2009), de Fábio Barreto. Sem ter a repercussão esperada pelos produtores, o longa também não projetou o protagonista. Por isso, o monólogo A Hora e Vez vai surpreender muita gente e, principalmente, mostrar que, sob a direção de Antonio Januzelli, Diaz se revela um grande ator. Baseado no conto A Hora e Vez de Augusto Matraga, escrito por Guimarães Rosa (1908-1967), o espetáculo radicaliza no minimalismo, jogando praticamente toda a responsabilidade nas mãos do intérprete e também adaptador. A saga do sertanejo publicada em 1946 vem à tona por meio de um personagem neutro que representa as angústias de um fazendeiro desalmado. Abandonado por todos, ele se arrepende dos pecados e busca a redenção. No palco nu, Diaz modula a voz e a postura para se transformar em diferentes tipos em torno de Augusto. Ainda oferece ao espectador ferramentas para soltar a imaginação, criando imagens que remetem ao sertão. Estreou em 23/5/2014. Até 28/8/2016.
    Saiba mais
  • O dramaturgo e diretor Elzemann Neves recorreu às metáforas do conto Josefina, a Cantora ou o Povo dos Ratos, do escritor checo Franz Kafka (1883-1924), para tratar de temas próximos da nossa realidade. Protagonizada por Inês Aranha, a comédia Josefina Canta faz uma crítica à indústria cultural e à influência dos meios de comunicação na formação de um ídolo. Na trama, uma cantora, que já conheceu dias de glória, vive esquecida. Com o apoio de uma criada (papel de Bia Toledo) e de um marqueteiro (o ator Germano Melo), ela tenta retomar a carreira, mesmo que sua voz hoje não passe de um chiado e sua postura não encontre identificação com o público. Neves abre mão do realismo para aumentar a abrangência de significados do espetáculo. O vigoroso e expressivo trio de atores, contudo, é o trunfo. Cada um deles constrói o personagem como se fosse uma imagem em movimento e transita entre o discurso político e as alegorias para dar sentido ao conflito da protagonista. Estreou em 16/1/2015. Até 29/3/2015.
    Saiba mais
  • Cultuado no meio teatral, o dramaturgo e roteirista americano Tracy Letts tem a obra divulgada no Brasil muito mais pelo cinema. Os dramas Álbum de Família, protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, e Killer Joe – Matador de Aluguel, com Matthew McConaughey, são adaptações de densas peças de sua autoria. Escrito em 1991, o original desse último filme ganha a primeira encenação brasileira em uma eletrizante e vigorosa montagem dirigida por Mário Bortolotto. Perseguido por traficantes, um jovem (papel de Gabriel Pinheiro) elabora um plano para salvar a própria pele e envolve a família na jogada. Para isso, ele contrata um matador de aluguel (Carlos Carcarah), que se encanta com a irmã do rapaz (Ana Hartmann, que se reveza com Gabriella Spaciari) e passa a conviver com o pai (o ator Fernão Lacerda) e a madrasta deles (Aline Abovsky). Fracassados por natureza e sem chance de redenção, os personagens de Letts se adaptam perfeitamente ao universo de Bortolotto, que não economiza no realismo e extrai surpreendentes interpretações do elenco. Trata-se de uma história destinada a quem tem estômago forte, levada ao palco com similar intensidade. Estreou em 13/6/2014. Até 10/3/2016.
    Saiba mais
  • No fundo de uma cafeteria da Rua Rui Barbosa, no Bixiga, está há dois meses o Top Teatro. O espaço é comandado pelo ator Tony Giusti, que escreveu e protagoniza o principal espetáculo da programação, o monólogo Pós-Man. Sob a direção de Einat Falbel, ele vive um sujeito de meia-idade, entediado com o casamento, que é cortejado por outro homem numa padaria. O argumento oferece reflexão oportuna sobre o papel do macho na sociedade contemporânea. Montado em uma estrutura literária e pouco dramatúrgica, o texto, no entanto, perde fluência e tropeça em clichês. Giusti obtém o engajamento da plateia, mas perde a chance de mostrar mais profundidade. Estreou em 19/4/2014. Até 29/3/2015.
    Saiba mais

Fonte: VEJA SÃO PAULO