Cinema

Sete filmes com mais de duas horas de duração

Opções para dias sem compromissos incluem O Hobbit - A Desolação de Smaug e o drama Azul É a Cor Mais Quente

Por: Miguel Barbieri

O Hobbit - A Desolação de Smaug
Martin Freeman estrela o longa O Hobbit - A Desolação de Smaug: 161 minutos de duração (Foto: Divulgação)

Para dias em que você não tem horários, compromissos e muito menos hora para sair do cinema. Separe a pipoca e escolha uns dos setes filmes que possuem mais de duas horas de duração - entre as opções, o drama Azul É a Cor Mais Quente Capitão Phillips:

  • Entre outros prêmios, Azul É a Cor Mais Quente levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano e  foi escolhido o melhor filme estrangeiro pela Associação dos Críticos de Nova York. O diretor tunisiano Abdellatif Kechiche (de O Segredo do Grão) não se intimida em mostrar um relacionamento de mulheres com todos os pingos nos is. Vale o aviso: o longa-metragem possui três longas cenas de sexo bem pesadas com as protagonistas, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos. Ambas também foram laureadas em Cannes. Magníficas, as duas entregam-se de corpo e alma aos papéis. Jovem descobrindo a sexualidade, Adèle (papel da atriz homônima) está num momento complicado da vida. Ela tem um namoradinho, mas quase nenhum prazer no sexo. Seu cotidiano muda radicalmente ao se aproximar de Emma (Léa), uma lésbica mais velha e assumida. O roteiro é elíptico: são etapas de um relacionamento construído de afinidades, rusgas e rupturas. Não fosse o erotismo explícito, o drama passaria por um arguto registro realista do amor, suas vertentes e fases. Prevaleceu, contudo, a polêmica. Estreou em 6/12/2013.
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  • Em abril de 2009, o comandante americano Richard Phillips (Tom Hanks) é incumbido de levar um navio de contêineres do porto de Omã ao Quênia. Ele lidera a tripulação com ordens rígidas e fica apreensivo quando percebe que piratas estão vindo em direção ao cargueiro. Embora seus homens sejam ágeis, quatro criminosos somalis conseguem invadir a embarcação e, armados, fazem Phillips e seus subordinados reféns. Nas mãos de um quarteto sem nada a perder, o protagonista tenta driblar a expe­riên­cia do líder, Muse (Barkhad Abdi), para ganhar tempo e proteger seus tripulantes. Um dos mais certeiros diretores da atualidade, o inglês Paul Green­grass (de Voo United 93 e O Ultimato Bourne) tem pleno domínio técnico em seu sufocante registro de uma história real encenada com ares documentais. A tensão do drama só aumenta conforme a trama avança. No Oscar 2014, tem indicações a melhor filme, ator coadjuvante (para o somali Barkhad Abdi), roteiro adaptado, montagem, edição e mixagem de som. Direção: Paul Greengrass (Captain Phillips, EUA, 2013, 134min). Estreou em 8/11/2013.
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  • A distribuidora Espaço Filmes dá início a uma programação de classe. Com o objetivo de relançar clássicos e cults do passado, a empresa traz às telas um dos melhores longas-metragens de Alfred Hitchcock, Um Corpo que Cai. Como as novas gerações tiveram poucas chances de vê-lo nos cinemas, eis a oportunidade. A trama envolve um detetive aposentado (papel de James Stewart) que volta à ativa na missão de investigar Madeleine (Kim Novak), esposa de um amigo de faculdade. Há algo que prejudica o seu trabalho, no entanto: ele sofre de acrofobia, o medo de altura. Lançado em 1958, o filme seduz pelo suspense, além de possuir a aura de uma obra-prima. Reestreou em 6/12/2013.
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  • Drama vitorioso do Oscar de melhor filme estrangeiro. De uma plasticidade estupenda, o filme traz um recorte da alta sociedade de Roma, dominada pela breguice e por uma intelectualidade de botequim. Concentra-se em Jep Gambardella (o excelente Toni Servillo) a síntese da decadência. Irônico e ácido, Gambardella, de 65 anos bem vividos e autor de um único livro, faz entrevistas esporádicas para uma revista e mora numa magistral cobertura em frente ao Coliseu. Orbitam em torno dele poucos amigos e muitos sanguessugas. O filme possui o clima onírico das fitas de Fellini e uma alusão ao personagem de Marcello Mastroianni em A Doce Vida. Trata-se de um raro casamento entre a beleza da arquitetura e a riqueza das palavras. Estreou em 20/12/2013.
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  • Quem achou arrastado o primeiro capítulo da trilogia, lançado um ano atrás, pode dar uma chance a Peter Jackson. O diretor neozelandês recuperou quase tudo o que os três longas-metragens da série O Senhor dos Anéis tinham de bom: ritmo ágil, fantasia ilimitada, efeitos visuais de primeira e uma narrativa envolvente. Apesar de longo, o segundo episódio inspirado em O Hobbit, livro de J.R.R. Tolkien, contém qualidades que fazem o tempo passar rapidinho. No Oscar 2014, está na disputa de melhor edição,      mixagem de sons e efeitos especiais. O realizador dá continuidade à saga do rei Thorin (Richard Armitage), que quer recuperar o reino de Erebor, tomado pelo dragão Smaug. Para isso, conta com a ajuda do hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) e de um grupo de anões. Na aventura até lá, eles enfrentam situações de perigo. Direção: Peter Jackson (The Hobbit: The Desolation of Smaug, EUA/Nova Zelândia, 2013, 161min). Estreou em 13/12/2013.
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  • Nesta segunda parte, reduziram a matança quase a zero e sobrou muita falação. Praticamente 45 minutos do filme são dedicados a explicar o que aconteceu a Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson) ,após eles terem burlado as regras e, assim, vencido a competição do 74º jogos mortais. Amigos do Distrito 12, eles inventaram ser namorados e, agora, posam de celebridades como pombinhos apaixonados. Mas o Presidente Snow (Donald Sutherland) não está contente com a situação fora da Capital. Os outros distritos, revoltados, estão armando uma rebelião. Eis, então, que ele tem a ideia de jogar novamente Katniss na arena mortal. O 75º torneio só terá vencedores das outras edições e, sem chances de sobreviver, ela possivelmente seria morta. Uma hora dos longos 146 minutos da história se passa numa floresta onde ocorre o famigerado torneio. Há raríssimas mortes (ao contrário do episódio original) e muitos efeitos digitais fantasiosos para assustar os competidores, como macacos ferozes e uma névoa venenosa. Para tudo isso existe uma explicação que, confusamente, surge nos minutos finais. Além de não empolgar, Jogos Vorazes – Em Chamas não tem fim. Espere pela continuação da saga em 2014 e, pelo desfecho, em 2015 (a terceira parte será dividida em duas). Estreou em 15/11/2013.
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  • O roteiro de Um Toque de Pecado foi premiado no Festival de Cannes neste ano. E não à toa. Chinês de 43 anos, Jia Zhang-ke volta a tocar num assunto recorrente em seus filmes anteriores: as transformações pelas quais passou seu país nos últimos tempos. Para isso, o cineasta divide seu longa-metragem em quatro histórias, todas com alguma forma de violência como reflexo da realidade. A primeira capta a explosão de revolta de um operário de uma mina de carvão que, sentindo-se lesado pelo patrão, vira um serial killer. Na segunda, um ladrão também abusa da artilharia para roubar. A terceira trama traz um casal de amantes cuja mulher é chamada de prostituta por trabalhar como recepcionista de um bordel. O desfecho se dá com a trajetória de um rapaz contratado para um serviço ilícito. São momentos de personagens em crise em uma nação tomada de assalto pelo capitalismo. Estreou em 13/12/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO