Cidade

Babá de foto polêmica defende uso de uniforme

Imagem da família que ia para protesto acompanhada por funcionária viralizou na internet. “Me senti exposta”, diz ela

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

protesto1
A imagem que deu o que falar nas redes sociais (Foto: Reprodução Facebook)

A foto que mais repercutiu nas redes sociais no último domingo (13) foi a de um casal, usando camisas com as cores do Brasil, a caminho do protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT), enquanto a babá dos filhos, uniformizada, empurrava os carrinhos com as crianças. A imagem causou forte polêmica: por um lado, pessoas na internet apontavam o quadro de desigualdade no Brasil. Por outro, alguns diziam que a mulher era uma funcionária durante o expediente de trabalho. 

+ Ciclista ataca pedalinho estacionado na Ponte Cidade Jardim

O repórter Bruno Alfano, do jornal carioca Extra, conseguiu contato com a babá. Maria Angélica Lima tem 45 anos e mora em Nova Iguaçu, Região Metropolitana do Rio. Casada e mãe de duas filhas, ela trabalha como babá nos finais de semana para aliviar as contas da casa. Durante a semana, ela se dedica aos cuidados com a família. "Eu me senti exposta. Acordei e vi minha cara no jornal. Foi um susto", afirmou sobre a repercussão da imagem. 

baba
Maria Angélica: ela defende o uso do uniforme (Foto: Reprodução/Extra)

Maria Angélica recebeu a reportagem do veículo de comunicação em sua casa. Mostrou onde vive e contou ainda que, quando sai para trabalhar na casa de Claudio Pracownik, executivo do Flamengo, contrata uma garota da região para cuidar de sua filha mais nova.  

Sua residência, ainda tem partes sem acabamento. “O pobre é que sofre. O preço da comida aumentou muito. Íamos reformar a casa, mas não vai dar”, contou ela 

Segundo o jornal, Maria votou em Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais de 2014 e admira o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso Lava Jato na primeira instância (a operação apura esquema de corrupção na Petrobras). “A solução do Brasil começa por mudar o Congresso todo”.

Maria disse também que iria ao protesto se morasse na cidade do Rio. “Ir daqui para lá é bem difícil. Pego dois ônibus para ir trabalhar”. É a ser a favor dos atos , mas não acredita em uma mudança no quadro político. “ Falei para o meu patrão: “As pessoas querem o impeachment e que as coisas mudem, mas não vai mudar”. A presidente Dilma saindo, quem entrar vai continuar roubando. O Brasil é assim. Quem está com dinheiro, como os políticos, vai continuar tudo bem. A gente que vai sempre levar a pior”.

Sobre o uso do uniforme, um dos alvos da polêmica, Maria disse que é um dos deveres. “Desde o momento que a gente trabalha e tem uniforme, a gente tem de usar. Tem casas que não pedem, outras precisam. Eu acho até melhor porque preserva mais as nossas roupas. E tudo eles que dão. Eles dão sapato, calça, bermuda, blusa. Minha patroa que fornece.”

O vídeo com a entrevista de Maria Angélica pode ser visto aqui.

Novo desabafo

Nesta terça-feira (15), Carolina Maia Pracownik, mulher que aparece na foto, ao lado do marido, Claudio Pracownik, postou uma mensagem em sua conta no Facebook. Disse estar assustada com a exposição do caso. “Fui para a rua com toda a minha família, e vou novamente! Minha babá folguista foi conosco nos ajudando com as meninas, e caso ela queira, irá novamente! Caso o país esteja bom para você, para a gente não está. Fomos para protestar contra toda esta corrupção vergonhosa e a falta de investimentos em diversos setores básicos do país”, escreveu. “Como meu marido escreveu, não devemos nada a ninguém”.

carolina maia pracownik  -
Carolina Maia Pracownik postou desabafo nesta terça-feira (15) (Foto: Reprodução / Facebook)

Segundo Carolina, suas “funcionárias” estão com elas há anos porque as trata com respeito e oferece boas condições de trabalho. “Elas usam uniforme? Sim, usam. Eu acho correto! Existe um “Dress Code” para diversas profissões: Médico, enfermeiro, porteiro, dentista, policial, bombeiro, advogados etc. E por qual razão as babás, com sua profissão regulamentada, não podem usar branco, traduzindo paz e assepsia ao cuidar de uma criança?” (confira o depoimento na íntegra abaixo).

Confira o texto abaixo:

Sou uma mãe que não se expõe. Preservo minhas filhas e minha família ao máximo! Posto pouco sobre nossas vidas e respeito quem não o faz. Respeito este, que faltou para alguns.

Estou extremamente chocada e assustada com a nossa exposição forçada e com tamanha crueldade, violência expressa e ódio gratuito. O que é isto???

Fui para a rua com toda a minha família, e vou novamente! Minha babá folguista foi conosco nos ajudando com as meninas, e caso ela queira, irá novamente! Caso o país esteja bom para você, para a gente não está. Fomos para protestar contra toda esta corrupção vergonhosa e a falta de investimentos em diversos setores básicos do país.

+ Confira as últimas notícias

Como meu marido escreveu, não devemos nada a ninguém! Pago meus impostos(altíssimos por sinal) e gero empregos. Minhas funcionárias estão comigo há anos. Sabem por quê? Primeiro porque querem, e depois porque trato-as com respeito e ofereço boas condições de trabalho. Elas usam uniforme? Sim, usam. Eu acho correto! Existe um “Dress Code” para diversas profissões: Médico, enfermeiro, porteiro, dentista, policial, bombeiro, advogados etc. E por qual razão as babás, com sua profissão regulamentada, não podem usar branco, traduzindo paz e assepsia ao cuidar de uma criança? Este argumento de discriminação é inaceitável e preconceituoso. Como dizem: o preconceito está nos olhos de quem vê. Não sou “madame” e não preciso “mostrar” que tenho babá. Eu escolhi ter a ajuda delas para cuidar das minhas filhas. Caso você não tenha feito esta escolha ou não precise, que bom para você! Eu tenho, quero ter e as valorizo! São profissionais atenciosas, cuidadosas, pacientes e carinhosas.

Não preciso esclarecer meu afeto óbvio as minhas filhas e nem assinar por escrito todos meus cuidados com elas. Imagine se minhas filhas fossem medir minha dedicação e o meu amor pela cor da minha pele, do meu cabelo, das minhas roupas ou se empurro ou não o carrinho em determinado momento. Minhas filhas reconhecem o meu cheiro, o calor do meu abraço, meu sorriso de aprovação, a segurança do meu colo e do meu enorme e transbordante amor!

Tamanha é a agressividade e a falta de gentileza. No meu lar, o discurso é afetuoso e os argumentos são inteligentes e calorosos.

Já o odio, o preconceito, a arrogância e a revolta, deixo para eles!

Sejamos felizes!

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO