Moradia

Grupo sem-teto ocupa prédio de escola em Pinheiros

Segundo Movimento Terra Livre, estabelecimento estava abandonado desde 2008; parte das famílias vieram de ocupação de edifício do Banco Santos na Marginal Pinheiros

Por: Adriana Farias

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A diarista Gesley, com seus sete filhos: ela está saindo da ocupação do prédio do Banco Santos e indo para o do Colégio Butantã (Foto: Mario Rodrigues)

Um grupo sem-teto ocupou nesta sexta-feira (19) o prédio de quadro andares onde funcionava antigamente o Colégio Butantã, em Pinheiros, na zona oeste da capital.

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Segundo o Movimento Terra Livre, o imóvel situado na Rua Butantã, próximo ao Largo da Batata, estava abandonado desde 2008. “Chegamos aqui e encontramos até escrito em giz, na lousa, os detalhes de uma aula com a data 17 de dezembro de 2008. É triste ver esses locais assim, sem nenhuma destinação, e tantas famílias precisando de moradia”, diz Lavínia Clara, do movimento.

Há cerca de trinta famílias no local, totalizando sessenta pessoas, sendo dez crianças e três idosos. Parte deles vieram da ocupação do prédio do Banco Santos, situado na esquina das ruas Iraci e Hungria, ao lado da Marginal Pinheiros, e distante apenas 1 quilômetro da nova ocupação. Esse imóvel, abandonado há dez anos, está ocupado pelo movimento desde março do ano passado e sua reintegração de posse foi decretada para a próxima quarta-feira (24).

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Prédio do Banco Santos: avaliado em 18 milhões de reais (Foto: Mario Rodrigues)

“Como a reintegração de posse está para acontecer lá na Marginal parte das famílias ficaram apreensivas e vieram ocupar esse outro imóvel abandonado em Pinheiros”, diz Clara. Como o local não possui abastecimento de água e nem luz, as famílias estão se acomodando como podem. “Alguns tomam banho lá na outra ocupação e outros se revezam trazendo água para cá em baldes”, diz Eva Lucia Gonçalves, integrante do movimento.

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No topo do imóvel do Banco Santos, cuja reintegração de posse está marcada para esta quarta (24) (Foto: Mario Rodrigues)

Acionadas por vizinhos, ao menos dez viaturas da Polícia Militar estiveram no local no início da tarde deste sábado (19), mas não houve confusão. “Como ocupamos aqui há 24 horas eles só podem entrar com ordem judicial, chegaram a quebrar um cadeado, houve uma tensão, mas ficou tudo bem”, diz Clara após advogados do movimento chegarem ao local.

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A cidade de São Paulo sofre com um déficit de 500 000 moradias. Com a falta de acesso à habitação, terrenos e edifícios abandonados são ocupados por famílias pobres, que não tem condições de custear aluguéis.

A reportagem não conseguiu localizar o proprietário do imóvel para saber se ele entrará na Justiça com pedido de reintegração de posse.

Fonte: VEJA SÃO PAULO