Roteiro

Seis peças para conferir com a sua mãe

Sugestões para se divertir no domingo (10)

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Chuva Constante
Chuva Constante traz Malvino Salvador no elenco (Foto: Evandro Halabey)

+ Uma ferramenta para escolher o presente perfeito para sua mãe 

  • Entre uma novela e outra, o ator Malvino Salvador tem feito investidas firmes no teatro, cercado de consistentes parcerias. Foi assim no ótimo Mente Mentira, dirigido em 2010 por Paulo de Moraes. Lançado no Rio de Janeiro no ano passado, o drama Chuva Constante, do americano Keith Huff, marca o reencontro do galã com o encenador. Se, na montagem anterior, Salvador dividia o palco com outros sete artistas, desta vez ele está lado a lado com um colega, o talentoso Augusto Zacchi, e muito mais exposto. A trama foca dois policiais, amigos de infância, envolvidos em acontecimentos que colocarão em xeque os conceitos de honra e lealdade. Denny (papel de Salvador) é casado, encantado com os filhos, mas um tanto bruto e de ética nebulosa. Mais sensível, o solteirão Joey (Zacchi) bebe além da conta e questiona a postura do colega, principalmente em relação à pouca atenção destinada a sua mulher. A direção de Moraes optou por um caminho que imprime menos agilidade, mas não chega a comprometer o espetáculo. Estruturada como dois monólogos que se fundem, a história é um bom veículo para a dupla. Zacchi, especialmente, tira bastante proveito disso. Salvador, por sua vez, não desaponta e comprova energia para formar uma bagagem teatral que já demonstra resultado. Estreou em 13/3/2015.  Até 31/5/2015.
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  • A imensa quantidade de peças sobre as dores e delícias de ser mulher deve saturar até o público feminino. Em seu primeiro solo como autora e protagonista, Heloísa Périssé percebeu que só sobressai nessa multidão quem aposta em diferenciais. Por isso, o monólogo cômico dirigido por Susana Garcia carrega uma boa dose de mea-culpa no perfil da escritora Letícia Amado — e isso humaniza a personagem. Heloísa fica no limite dos clichês, mas escapa ilesa ao investir em um riso amargo que prepara o espectador para, no fim, emocioná-lo. Na trama, Letícia autografa um guia com os melhores lugares para curtir a lua de mel. Seu casamento não sobreviveu ao excesso de viagens do último ano e, no lançamento do livro, ela descobre que o ex-marido já arrumou uma namorada. Versátil, Heloísa se desdobra em outros catorze tipos, como o próprio ex, a psicóloga, a mãe e uma amiga gay, mas se destaca como a dramaturga que oferece uma visão nada ingênua dos relacionamentos. Estreou em 1º/5/2015. Até 28/6/2015.
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  • Na entrada do Teatro de Arena, nomes femininos pelas paredes distraem o público antes da abertura da sala. Como em um jogo, fica a tentativa de encontrar o maior número de expoentes das artes, da política ou da história que, de alguma forma, desafiaram o improvável. Logo depois, os espectadores deparam com mulheres representativas do mundo das ciências que protagonizam o drama escrito por Oswaldo Mendes. A filósofa Hipácia de Alexandria (papel de Vera Kowalska) morreu em 415 d.C. por defender o uso da matemática na transformação da sociedade. A polonesa Marie Curie (1867-1934), a inglesa Rosalind Franklin (1920-1958) e a brasileira Bertha Lutz (1894-1976), interpretadas respectivamente por Selma Luchesi, Monika Plöger e Adriana Dham, tiveram destinos menos trágicos, mas também feitos minimizados pela discriminação. Dirigido por Carlos Palma, o espetáculo aborda a relação de cada uma delas com a intolerância. A montagem soa um tanto verborrágica. Cumpre, no entanto, uma função importante: leva o público a pensar que os tempos mudaram, mas nem tanto assim. Com Letícia Olivares e Rogério Romera. Estreou em 17/1/2015. Até 31/5/2015.
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  • Comédia dramática

    Intocáveis
    VejaSP
    8 avaliações
    Realizado pelos cineastas Olivier Nakache e Éric Toledano em 2011, o filme francês com François Cluzet e Omar Sy teve enorme empatia com o público. Adaptada para o palco por José Rubens Siqueira, a comédia dramática Intocáveis busca um impacto semelhante, com as devidas proporções de alcance entre cinema e teatro. Na trama, ambientada em Paris, o milionário Philipe (interpretado por Marcello Airoldi) perdeu muito da alegria de viver desde que ficou tetraplégico em razão de um acidente. Ele contrata o inexperiente e malandro Driss (vivido por Val Perré, que substitui Ailton Graça) como cuidador e o rapaz lhe apresenta uma nova visão de mundo, devolvendo ao paciente o sorriso abandonado há muito tempo. Eliana Guttman, Bruna Miglioranza, Livia La Gatto, Ricardo Ripa e Sidney Santiago completam o eficiente elenco no apoio, mas sem chance de destaque. É um espetáculo para agradar na medida a quem procura um  programa despretensioso. Estreou em 15/3/2016. Até 30/4/2016.
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  • Monólogo dramático

    A Lista
    VejaSP
    4 avaliações
    Ainda cultivando o sucesso de A Alma Imoral, a atriz Clarice Niskier se impôs mais um desafio. No monólogo dramático da canadense Jennifer Tremblay, a intérprete dá vida a uma mulher dominada pelas tantas atribuições do dia a dia. Perfeccionista, ela anota cada obrigação a cumprir, dos serviços domésticos aos favores devidos aos amigos próximos. A morte de uma vizinha a faz atravessar um turbilhão emocional e, inclusive, questionar a validade de sua agenda. A estrutura da montagem é muito próxima à de A Alma Imoral, e Clarice injeta uma naturalidade tão grande na personagem que, muitas vezes, parece promover um bate-papo. Apoiada na simplicidade, a atriz acerta nessa nova tentativa de comunicação com o público e põe o dedo em questões bastante profundas. Dessa forma, muitos espectadores são gradativamente conduzidos às lágrimas. Estreou em 14/11/2014. Até 13/12/2015.
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  • Os musicais biográficos firmaram-se como filão aparentemente infalível. Contar a vida de um artista de forma atraente e principalmente criativa, porém, passa a ser o desafio desse tipo de produção. Longe da narrativa linear guiada por uma cronologia, Chacrinha, o Musical, escrito por Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, vai para o trono, como diria o Velho Guerreiro em seus programas. Dirigido por Andrucha Waddington, o espetáculo acerta ao mostrar de que forma Abelardo Barbosa (1917-1988) se tornou um dos mais populares comunicadores do Brasil. Para isso, a trama é centrada em duas visões do protagonista que permeiam a montagem. Por intermédio do jovem Abelardo (representado por Leo Bahia), são explicadas as raízes pernambucanas e sua batalha para se firmar profissionalmente. Já o consagrado animador de auditório (interpretado por Stepan Nercessian) surge através de contornos psicológicos que contrastam a fragilidade na intimidade com o espírito festivo e destemido diante do público. Impecável, Nercessian reproduz a alma do biografado apoiado na voz rouca e na postura, mas principalmente ao encantar a plateia com seus improvisos. Tamanha identificação não ofusca o trabalho de Bahia, surpreendente ao se desdobrar com relativa facilidade entre a infância e a vida adulta do personagem. Setenta canções estouradas nos programas de Chacrinha ganham a cena. Completam o elenco 23 atores, na pele de personalidades como o empresário Boni (interpretado por Saulo Rodrigues) e a jurada Elke Maravilha (papel de Mariana Gallindo). Estreou em 27/3/2015. Até 26/7/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO