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O que acontece nesta segunda (9): cinema

Selecionamos bons filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

O Espetacular Homem-Aranha
'O Espetacular Homem-Aranha': filme enfatiza a adolescência de Peter Parker (Foto: Divulgação)

+ O que fazer nesta segunda (9)

  • Resenha por Tiago Faria: Será impossível evitar a sensação de déjà vu: lançado apenas cinco anos depois do dispensável “Homem- Aranha 3”, o novo episódio da superfranquia (que arrecadou cerca de US$ 2,5 bilhões) recomeça o ciclo de aventuras do herói da Marvel. Diferentemente da saga de Batman, essa volta às origens mantém o molde da trilogia original, numa mescla fluente e divertida de ação, romance e humor. Nos trechos mais imaginativos, o diretor da comédia romântica “500 Dias com Ela” (2009) parece até homenagear Sam Raimi, que assinou os três capítulos anteriores. Apesar das redundâncias (e são muitas), a bem sacada escolha do elenco e um roteiro cheio de graça justificam o repeteco. Peter Parker (agora interpretado por Andrew Garfield, de “A Rede Social”) ainda é o rapaz tímido que descobre ter poderes incríveis (e responsabilidades igualmente gigantescas) ao ser contaminado por um aracnídeo de laboratório. A trama ameaça escapar da mesmice ao investir no mistério sobre a morte dos pais do herói. Muito mais palpitante sai-se o caso de amor entre o jovem justiceiro e a espevitada Gwen Stacy (Emma Stone). O vilão da vez, um bioquímico transformado em lagarto (papel do galês Rhys Ifans), carece exatamente da maior qualidade do casal: carisma. Estreou em 06/07/2012.
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  • Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2011, trata-se de um dos projetos mais ambiciosos do diretor russo, que encerra aqui uma série de quatro filmes sobre totalitarismo e corrupção do poder. Depois dos dramas biográficos Moloch (1999), Taurus (2001) e O Sol (2005), Sokurov altera o tom do registro para criar uma fábula épica — e muito particular — a partir da lenda alemã. A tragédia escrita por Goethe (1749-1832) é uma das muitas fontes em que o diretor se referenciou para contar a história de Dr. Fausto (papel de Johannes Zeiler). Obcecado por acumular o máximo de conhecimento sobre o mundo, o estudioso aceita vender a alma ao demônio. Com imagens turvas, o diretor atira o público em um mundo estranho, feito de delírios, sordidez e algum encantamento. Estreou em 29/06/2012.
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  • Resenha por Tiago Faria: Parece até curioso: lançado nos cinemas em plena temporada de superproduções, o drama “Apenas uma Noite” toma um caminho muito diferente do de uma típica atração deste período do ano. A começar pela forma como a diretora, a estreante iraniana radicada na Califórnia Massy Tadjedin, de 34 anos, trata o público. Enquanto os grandes filmes de ação e aventura investem alto para estimular o burburinho bem antes da estreia, este pequeno longa-metragem pretende provocar discussões principalmente após a sessão, ao atiçar a plateia com questões instigantes (e assustadoramente plausíveis) sobre as relações amorosas. O enredo põe à prova a fidelidade de um casal rico, bonito e bem-sucedido — invejável, portanto — de Nova York. Em uma festa, a escritora Joanna (Keira Knightley) percebe uma troca de olhares entre o marido, o executivo Michael (Sam Worthington, de “Avatar”), e uma colega dele, a voluptuosa Laura (Eva Mendes). A desconfiança resulta em bate-boca. No dia seguinte à crise, Michael faz uma viagem de negócios na companhia de Laura. Enquanto isso, Joanna encontra um ex-namorado, o intelectual Alex (Guillaume Canet), por quem ainda se sente atraída. A partir daí, a trama obriga os personagens a dividir algumas horas com os respectivos objetos de desejo. Ceder ou não às tentações? O ponto de vista do espectador terá papel fundamental no tabuleiro desenhado pela realizadora. Depois de escrever roteiros para fitas de pouca repercussão (a exemplo do fraco thriller “Camisa de Força”), Massy disse ter se inspirado no intimismo tenso de “Cenas de um Casamento” (1973), de Ingmar Bergman, e de “Sexo, Mentiras e Videotape” (1989), de Steven Soderbergh, para discutir a mecânica da traição, seja ela física ou emocional. Só desaponta ao imprimir à encenação um ar posudo, semelhante a um editorial de moda. A afobação de iniciante, contudo, é aliviada por uma narrativa recheada de surpresas que estimulam boas conversas a dois. Estreou em 15/06/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Virou tendência transformar histórias infantis em filmes para o público adulto. Enquanto "A Garota da Capa Vermelha" foi uma desastrosa versão de Chapeuzinho Vermelho, "Espelho, Espelho Meu", lançado em abril, optou pelo viés do humor para levar às telas o conto da Branca de Neve. Mais bem-sucedido, "Branca de Neve e o Caçador" traz uma adaptação vigorosa e com algumas licenças para a fábula dos irmãos Grimm. Na trama, a princesa (Kristen Stewart) passa os dias infeliz e aprisionada. Tudo por causa de sua madrasta (Charlize Theron), que lhe tomou o trono após a morte do rei. A mocinha, porém, consegue fugir e, inconformada, a vilã contrata um caçador (Chris Hemsworth, o Thor) para abatê-la. Viúvo, o rapaz encontra Branca de Neve na Floresta Negra, um lugar infestado de criaturas assustadoras e de onde poucos humanos saíram vivos. Há outras alterações no original: o príncipe encantado (papel de Sam Caflin) é um amigo de infância da protagonista e os anões agora são oito e interpretados por excelentes atores de estatura normal, como Ian McShane, Ray Winstone e Toby Jones — há um bom truque para deixá-los pequeninos. Esqueça o desenho animado de Walt Disney da década de 30. O tom aqui mostra-se sombrio, dramático e sem ingredientes para agradar à criançada. Trata-se de uma relevante estreia do cineasta Rupert Sanders. Ele dá conta do recado ao imprimir um ritmo enérgico à narrativa, além de estar bem escudado em um time de especialistas. Entre eles, a figurinista Colleen Atwood (vencedora do Oscar pelo musical "Chicago") e Andrew Ackland- Snow, diretor de arte da cinessérie "Harry Potter". Sorte da plateia: sai a breguice de "Espelho, Espelho Meu" e entra um imponente visual medieval que faz ainda mais diferença entre os dois longas-metragens. Estreou em 1º/06/2012.
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  • Resenha por Tiago Faria.: O cineasta franco-polonês Roman Polanski estava confinado em seu chalé suíço quando começou a desenvolver a comédia “Deus da Carnificina”. Era início de 2010. Enquanto os jornais relembravam o motivo escandaloso da prisão domiciliar — o abuso sexual cometido em 1977 contra uma adolescente de 13 anos —, ele se afeiçoava mais e mais à peça teatral da francesa Yasmina Reza, encenada em São Paulo no ano passado. A identificação fazia sentido: compacto, o texto original isolava personagens e público entre as paredes de um apartamento. Proibido de entrar nos Estados Unidos, o autor de “O Pianista” usou efeitos visuais e um estúdio parisiense para ambientar a história em Nova York. Selecionado para a competição do Festival de Veneza de 2011, o longa-metragem não trai em nada o espírito da dramaturgia e, com um elenco afiado, perfila as obsessões (e as ironias irresistíveis) do realizador de dramas igualmente asfixiantes, como “Faca na Água”, “O Bebê de Rosemary” e “A Morte e a Donzela”. Desta vez, porém, ele dá preferência a um humor cáustico e nervoso. Uma breve cena externa abre e fecha a trama. Dois meninos brigam, e um deles leva uma surra. A partir daí, o roteiro concentra-se na guerra entre dois casais de classe média alta. A fim de selarem um acordo de paz, Michael e Penelope Longstreet (papéis de John C. Reilly e Jodie Foster), pais da vítima, recebem em sua casa Nancy e Alan Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz), cujo rebento iniciou a crise. Ao implodir a polidez de tipos supostamente tão sensatos, o diretor dispara uma provocação contra a hipocrisia dos politicamente corretos. Os selvagens, aqui, ocupam a sala de estar. Estreou em 07/06/2012.
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  • O diretor pernambucano Cláudio Assis, de 52 anos, fez apenas três longas-metragens de ficção. Mas foi o bastante para que deixasse um rastro notável — e ruidoso — nos festivais brasileiros. A estreia, “Amarelo Manga” (2002), venceu com estrondo em Brasília. Quatro anos depois, o perturbador “Baixio das Bestas” repetiu o feito, tão aplaudido quanto vaiado. O drama “Febre do Rato” levou oito troféus em Paulínia, onde arrebatou júri e crítica em 2011. Embora não indique unanimidade, essa coleção de prêmios aponta para um talento do cineasta: a capacidade de provocar reações intensas na plateia. A nova produção de Assis preserva esse temperamento esquentado. Oferece, por isso, munição tanto para os fãs quanto para quem rejeita as transgressões do realizador. Uma parte do público vai identificar um lirismo seco e corajoso neste retrato de um poeta marginal do Recife, interpretado por um enérgico Irandhyr Santos (de “Tropa de Elite 2”). Mas o despudor da narrativa, entrecortada por cenas longas de nudez e sexo, por vezes beira o choque gratuito. Descontadas as previsíveis polêmicas, a força da fita encontra-se nesse desejo intransigente, quase juvenil, de não se impor limites. A atmosfera anárquica combina à perfeição com a história de Zizo, um agitador verborrágico e radical, imerso num mundo particular. Quando o protagonista, autor do tabloide caseiro “Febre do Rato”, se apaixona por uma jovem arredia (papel de Nanda Costa), o texto chega a se embrenhar no romantismo. Para compor esse submundo recifense, Assis se ampara numa impecável fotografia em preto e branco de Walter Carvalho (diretor do documentário “Raul — O Início, o Fim e o Meio”) e numa trilha vibrante de Jorge du Peixe (da banda Nação Zumbi). O roteiro de Hilton Lacerda, sem se prender a uma trama convencional, descreve um cotidiano em que arte, loucura e prazer sexual aliviam os efeitos da miséria. Um enredo torto, imperfeito e narrado à maneira de Zizo — com liberdade e poesia, doa a quem doer. Estreou em 22/06/2012.
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  • Uma das fitas mais belas e sensíveis dos últimos anos chega às telas daqui com certo atraso — o drama foi indicado pela Itália para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro em 2011. Da recriação de época ao roteiro cativante, nada escapa ao olhar sincero com que o diretor Paolo Virzi retrata as reviravoltas na vida de uma família. A trama se passa em duas épocas distintas. Na Roma dos dias atuais, o professor Bruno (Valerio Mastandrea) é procurado por sua irmã, Valeria (Claudia Pandolfi). Ela quer que ele retorne a Livorno para visitar a mãe, Anna (Stefania Sandrelli), Com a saúde debilitada, ela está à beira da morte. Meio a contragosto, Bruno vai até lá. Alternando passado e presente, a história retorna a 1971 para flagrar os motivos do afastamento entre Bruno e Anna (agora vivida por Micaela Ramazzotti), que foi abandonada pelo marido por sua extrema simpatia e fez de tudo para criar sozinha as duas crianças (papéis de Giacomo Bibbiani e Aurora Frasca). Estreou em 15/06/2012.
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  • Resenha por Tiago Faria: O diretor inglês levou três décadas para voltar à ficção científica, filão que havia deixado de lado desde “Blade Runner, o Caçador de Androides” (1982). Não à toa, o retorno ao universo de “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979), uma de suas melhores criações, se tornou um dos lançamentos mais aguardados do ano pelos fãs do gênero. Até eles, desta vez, devem se surpreender com o grau de ambição do projeto. Sem se limitar ao horror, o cineasta pretende conjugar o clima angustiante do original com reflexões filosóficas herdadas de clássicos como “Solaris” (1972) e de “2001 — Uma Odisseia no Espaço” (1968). O resultado, como era de esperar, raramente fica à altura de tanta pretensão. Se as divagações sobre a origem da humanidade esbarram no vazio, mais poderosas são as cenas de angústia e terror físico, que grudam o público na poltrona ao reprisar elegantemente o modelo do primeiro episódio da série. Isolada na nave espacial Prometheus em 2089, trinta anos antes dos acontecimentos de Alien, uma equipe de pesquisadores investiga a existência de vida em outros planetas. À frente do time, os arqueólogos Elizabeth Shaw (personagem defendida com bravura por Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) usam como mapa antigas pinturas rupestres. Ao desembarcarem em um mundo cinzento, descobrem os vestígios de uma civilização alienígena, aniquilada por um inimigo monstruoso. No papel de um androide demasiado cortês, Michael Fassbender (de “Shame”) compõe uma das grandes atuações do ano. Estreou em 15/06/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO