Cinema

“Saturno em Oposição” acerta ao enfocar a convivência de um grupo

Ferzan Ozpetek sabe como poucos juntar héteros e homossexuais em um caldeirão de problemas pessoais comuns

Por: Miguel Barbieri Jr.

Saturno em Oposição - 2220
Os diferentes personagens: uma fatalidade fortalece os laços entre eles (Foto: Divulgação)

Do pendor para o drama de “A Janela da Frente” (2003) às situações bem-humoradas de “O Primeiro que Disse” (2010), o diretor turco radicado na Itália Ferzan Ozpetek sabe como poucos juntar héteros e homossexuais em um caldeirão de problemas pessoais comuns. O melhor exemplo disso está em Saturno em Oposição, seu sexto longa-metragem, uma estreia exclusiva do CineSesc. Rodado em 2007, trata-se de mais um acertado lançamento da novata distribuidora Petrini Filmes, a mesma de “Que Mais Posso Querer”, ainda em cartaz. Em um trabalho insuperável de sua carreira, Ozpetek usa a autenticidade para enfocar os revezes da vida e mostrar a importância dos amigos.

Há quase uma dúzia de papéis importantes e poucas explicações iniciais sobre eles. Por isso, o começo pode parecer confuso. Aos poucos, cada um é apresentado. Bem-sucedido escritor, Davide (Pierfrancesco Favino) divide seu espaçoso apartamento em Roma com o namorado, Lorenzo (Luca Argentero), o narrador da história. Por lá também vivem Sergio (Ennio Fantastichini), ex-companheiro de Davide, e o casal Neval (Serra Yilmaz), uma tradutora turca, e o policial Roberto (Filippo Timi, o Mussolini de “Vincere”). O grupo fica completo com a astróloga Roberta (Ambra Angiolini) e o par formado pelo bancário Antonio (Stefano Accorsi) e pela psicóloga Angelica (Margherita Buy). Não há apenas um protagonista no roteiro coescrito pelo realizador.

Entregue a atores competentes, o texto abarca desde a traição conjugal até o uso de drogas. Uma fatalidade, porém, ganha as atenções e fortalece os laços de amizade. Para absorver melhor as surpresas, convém evitar mais comentários acerca da narrativa. Pode-se, contudo, afirmar: o cineasta, afiadíssimo, tem invejável domínio cênico, evita o sentimentalismo barato e possui um olhar carinhoso e condescendente com todos os personagens. Nos pequenos detalhes do comportamento deles, a grandeza do enredo se distancia da mesmice. Mas é na inserção sem estereótipos dos gays que o filme faz a diferença.

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO