Consumo

Quer ir ao cinema sem gastar muito? Vá a Nova York

Comparamos alguns produtos e serviços de São Paulo com outras metrópoles da América

Por: Alexandre Aragão - Atualizado em

Cinema Shopping Cidade Jardim
Uma das salas de cinema do Shopping Cidade Jardim: ingresso de matinê custa 26 reais (Foto: Mario Rodrigues)

Em estudo divulgado na última terça (12) pela consultoria britânica Mercer, São Paulo aparece como a 10ª cidade mais cara do mundo para estrangeiros viverem — e a número um das Américas, à frente de Rio de Janeiro (12ª do mundo) e de Nova York (32ª), por exemplo. Apesar de os números serem referentes ao custo de vida de pessoas que vêm de outros países para morar em São Paulo, os paulistanos nativos também sofrem com os altos preços praticados na cidade.

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“O Brasil tem algumas características, como o Real valorizado, que privilegiam esses altos preços”, explica Samy Dana, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele aponta como outros fatores o excesso de crédito e a alta carga tributária. “Dependendo do produto, os impostos chegam a 40%.”

VEJINHA.COM preparou uma lista de dez serviços e produtos encontrados em São Paulo e em outras cinco cidades do continente — Nova York, Los Angeles, Toronto, Buenos Aires e Cidade do México — para comparar os preços. Confira a seguir.

Ingresso de cinema

Com 191 salas espalhadas por 16 shoppings da capital, a rede Cinemark tem sede nos Estados Unidos. Em Nova York, ingressos para matinês em salas comuns custam 7 dólares (11 reais). No shopping Cidade Jardim, nas mesmas condições, a entrada sai por 26 reais. Nas salas IMAX, o ingresso por lá custa 13,75 dólares (21 reais), enquanto a única sala do tipo em São Paulo, no Espaço Unibanco Pompeia, cobra 37 reais.

Corrida de táxi

Uma das marcas da cidade, os táxis pretos com teto amarelo de Buenos Aires cobram preços bem mais em conta que os automóveis brancos paulistanos. Na capital argentina a bandeirada sai por 5,80 pesos (2,20 reais), e um corrida de cinco quilômetros custa, ao todo, aproximadamente 20,30 pesos (7,75 reais). Reajustados em janeiro deste ano, os preços das corridas de táxi em São Paulo fazem o paulistano já sair perdendo: a bandeirada inicial, 4,10 reais, é quase o dobro da portenha. Para percorrer os mesmos cinco quilômetros, os táxis da capital paulista cobram por volta de 17,80 reais.

Calça Levi’s 501

Peça clássica, a calça jeans modelo 501 da Levi’s pode ser encontrada em praticamente todo o mundo. Na Cidade do México, o modelo masculino sai por 700 pesos, o equivalente a 93 reais. Na loja do Shopping Morumbi, o mesmo modelo custa a partir de 199 reais. Dependendo da lavagem, a calça chega a 259 reais, um aumento de 178% em relação ao preço mexicano.

Bolsa Hermès

Bolsa Hermès
Pague duas leve uma: bolsa da francesa Hermès custa metade do preço em Nova York (Foto: Divulgação)

Em Nova York, o modelo Victoria pode carregar os pertences da feliz compradora que desembolsar 4.525 dólares (7.130 reais). Na filial paulistana, no Shopping Cidade Jardim, o mesmo modelo custa o dobro, em torno de 14.700 reais, a depender da coloração do couro.

Honda Fit

Na cidade de Toronto, a mais populosa do Canadá, quem quiser sair andando com a versão LX do carro japonês tem que pagar por volta de 16.880 dólares canadenses, o que equivale a 27.700 reais. Nas concessionárias paulistanas, o preço do mesmo carro gira em torno de 57.000 reais, mais que o dobro.

Big Mac

O sanduíche do McDonald’s é tão universal que a revista inglesa “Economist” até criou um índice econômico baseado nele. Em Los Angeles, dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim custam 3,25 dólares (5,12 reais). Por aqui, no serviço delivery da lanchonete, o sanduíche fora da promoção e sem acompanhamento sai por 9,75 reais.

Estadia no Hilton

Hotel Hilton
Vista de uma das suítes no Hilton: hotel de luxo cobra mais na capital paulista (Foto: Jair Magri)

Fundada em Los Angeles pelo bilionário excêntrico Conrad Hilton, em 1919, a cadeia de hotéis que leva seu sobrenome virou sinônimo de luxo. Em sua terra natal, a diária mais barata nos hotéis da rede custa por volta de 149 dólares (235 reais) aos fins de semana. Na única filial paulistana do Hilton, na Marginal Pinheiros, a diária no sábado ou domingo da suíte executiva para uma pessoa custa 639 reais, quase três vezes o preço de Los Angeles. “No setor hoteleiro, há pouca oferta e os empreendimentos estão nas mãos de poucas empresas. Existe falta de concorrência”, explica Dana, da FGV.

Show do Aerosmith

Com data marcada para voltar a São Paulo em outubro, o Aerosmith se apresenta na Arena Anhembi com dois tipos de entrada: Pista, a 220 reais, e Pista Premium, por 500 reais. Antes de vir ao Brasil, a banda se apresenta no Estádio Único de La Plata, próximo a Buenos Aires. Por lá, a entrada Pista custa 350 pesos (134 reais) e a outra, próxima ao palco — assim como em São Paulo —, custa quase a metade da equivalente brasileira, 700 pesos (268 reais).

Chocolate

Para algumas pessoas, chocolate é um bem de primeira necessidade. Principalmente quando se trata de chocolate suíço. Em uma rede de supermercados de Toronto, no Canadá, é possível encontrar a caixa de bombons Lindor Assorted, da Lindt, por 5,98 dólares locais (9,80 reais). Na capital paulista, o mesmo produto pode ser encontrado a um preço 260% maior: 35,20 reais.

iPad 2

iPad 2
Tablet iPad 2: opção mais cara na Cidade do México é mais barata que qualquer uma em São Paulo (Foto: Divulgação)

O mimo da Apple é sonho de consumo de nove entre dez aficionados por tecnologia. Mas nem o modelo mais completo vendido no México (com 64 GB e acesso à rede 3G) é tão caro quanto o modelo mais simples vendido em São Paulo (16 GB, sem acesso 3G). Na capital mexicana, o iPad mais caro sai por 11.998 pesos mexicanos (1.615 reais). Na loja virtual da Apple no Brasil, a opção mais em conta custa 1.649 reais. Se um paulistano quiser comprar o modelo top de linha, terá que desembolsar 2.599 reais.

Fonte: VEJA SÃO PAULO