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São Paulo: a cidade de todos os shoppings

Com a inauguração do Vila Olímpia, São Paulo ganha seu 50º centro de compras. E mais novidades marcam a boa fase do setor

23.nov.2009 | Atualizada em 7.dez.2010 por Giovana Romani

Nos últimos dois anos, o triângulo formado pelas ruas Fidêncio Ramos, Gomes de Carvalho e Olimpíadas, na Vila Olímpia, foi transformado em um imenso canteiro de obras. Agora, durante o dia todo, 1 500 operários revezam-se nos acabamentos - da limpeza dos vidros à pintura das paredes - para a festa de inauguração do Shopping Vila Olímpia, prevista para a próxima terça (24). Criado para atender à crescente demanda de moradores e executivos que trabalham nas redondezasele será aberto ao público na quarta (25).

Trata-se do 50º shopping da cidade, segundo contagem da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Prova de que o setor está longe de ficar saturado. ' Esse mercado ainda é altamente promissor ', afirma Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). ' Cresce na faixa de 7% ao ano. '

Outros três shoppings estão em construção na capital: o Metrô Tucuruvi, na Zona Norte, o Mooca, na Zona Leste, e o JK Iguatemi, na Zona Sul. Todos têm previsão de abrir as portas em 2011. Iniciativa do grupo Iguatemi, o JK será praticamente vizinho do Vila Olímpia - em linha reta, há menos de 1 quilômetro de distância entre eles. ' O Vila Olímpia terá dois anos para se firmar até a chegada do concorrente ', diz Tadeu Masano, da consultoria Geografia de Mercado. Esforços para isso não faltam. Com investimento de 310 milhões de reais, o shopping tem 187 lojas e 32 restaurantes, além de sete salas de cinema do grupo Severiano Ribeiro e um teatro, que ficarão prontos apenas no ano que vem. Na entrada principal, na Rua Olimpíadas, seis imponentes palmeiras de 10 metros cada uma, trazidas do Uruguai, dão as boas-vindas aos clientes. Lá dentro, seis andares são interligados por escadas rolantes centrais. Entre os estabelecimentos-âncora, aqueles responsáveis por causar um grande tráfego de pessoas, estão a rede gaúcha Colombo Premium, de eletroeletrônicos, e a CTIS, especializada em produtos e serviços de tecnologia, do Distrito Federal.

A maior aposta dos empreendedores, porém, é a praça de alimentação localizada no 4º andar. Eles consideram garantida a presença de quem frequenta os vários prédios comerciais do entorno. ' Estimamos que 60% de nosso público venha a pé nos dias de semana ', conta o superintendente Rogério Miola. Em meio a lanchonetes e restaurantes, o ambiente foi pensado para passar ' sensação de conforto ', nas palavras de Miola. Há, por exemplo, tratamento acústico para minimizar o barulho. A iluminação tem tons suaves de rosa e laranja. O teto ondulado e o mobiliário de madeira, somados às grandes janelas com vista panorâmica, ajudam a espantar o aspecto de fast-food. Uma das opções gastronômicas é o Folha de Uva, a primeira filial da casa árabe, cuja matriz fica na Rua Bela Cintra.

Outra atração do piso, o boliche Villa Bowling foi inspirado no luxuoso Red Rock Lanes, de Las Vegas, e custou 5 milhões de reais. Em seus 1 200 metros quadrados, há doze pistas, sala de games e restaurante. Equipamentos e tecnologia foram importados dos Estados Unidos. ' Queremos ressuscitar o boliche ', afirma o empresário Caco Cruz, jogador profissional e dono de três dessas casas no Rio de Janeiro. ' O pessoal com bom poder aquisitivo perdeu o costume de jogar há pelo menos quinze anos. ' Para tentar reverter isso, Cruz aposta em telas de LCD para marcar os pontos, iluminação de boate e bolas criadas pelo estúdio italiano Pininfarina, responsável pelo desenho de alguns modelos da Ferrari. Cada bola custou 150 reais (o empresário comprou 200 delas). ' A capital paulista comporta esse tipo de investimento ', acredita Armando d’Almeida Neto, vice-presidente da Multiplan, administradora do Vila Olímpia, do Morumbi e do Anália Franco. Esse último, aliás, acabou de ganhar 76 lojas em um 3º piso. Segundo a Alshop, 30% dos centros de compra paulistanos estão com expansões em curso (veja algumas no quadro ao lado).

Funcionando há menos de dois anos, o Cidade Jardim promete abrir mais cinquenta lojas em março. Antes disso, em dezembro, inaugura a primeira filial da grife Carolina Herrera no país. O concorrente Iguatemi não fica atrás. No dia 10 de dezembro, um de seus corredores receberá a marca italiana de vestuário Missoni. ' Como a lei brasileira garante a renovação automática do contrato do lojista que é bom pagador, um shopping só consegue se modernizar se passar por ampliações ', explica Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce. Antigos, reformulados ou novíssimos, os shoppings paulistanos não parecem ter problema para atrair consumidores. Juntos, eles recebem 85 milhões de pessoas por mês (os frequentadores habituais de cada endereço entram diversas vezes nessa conta). Pelo visto, sempre cabe mais um.

O QUE VEM POR AÍ

Estes serão inaugurados...

JK Iguatemi

Localizado no número 2041 da Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, tem abertura prevista para março de 2011. O investimento é de 186,6 milhões de reais.

Metrô Tucuruvi

O empreendimento do grupo JHSF será integrado à Estação Tucuruvi do metrô. Entre as 238 lojas, já estão ga rantidas as âncoras Renner e Ria chuelo. Deve ficar pronto em setembro de 2011.

Ilustração da fachada do Shopping Metrô Tucuruvi

Mooca

Focado nas classes A e B, será erguido em um terreno de 112 000 metros quadrados. Terá boliche, academia, cinemas da rede Cinemark e um teatro. Inauguração prometida para abril de 2011.

... e estes ampliados

Cidade Jardim

Pronto desde a abertura do shopping, em 2008, o 2º piso receberá em março cinquenta novas lojas, na maioria nacionais.

Eldorado

Está em obras de revitalização, que têm custo de 7 milhões de reais. A fachada restaurada deve ficar pronta ainda neste ano. Até 2010, a praça de alimentação oferecerá mais espaço para os clientes.

Frei Caneca

A construção de um anexo começa no primeiro semestre do ano que vem. Deve terminar apenas no início de 2012, quando o shopping passará a ter mais 18 000 metros quadrados de área construída - um aumento de 25% em relação à área atual.

Ibirapuera

No primeiro trimestre do próximo ano, começam as obras para a troca de piso, iluminação e mobiliário. A reforma ocorrerá durante a madrugada e deve durar até 2012. Há pouco mais de dois anos, o shopping aguarda aprovação dos órgãos públicos para ser ampliado.

Interlar Aricanduva

Ao fim da expansão, prevista para o primeiro semestre do próximo ano, ganhará 38 000 metros quadrados de área construída e 2 100 novas vagas gratuitas de estacionamento. Investimento de 40 milhões de reais.

Pátio Higienópolis

Recebeu no início do ano autorização do Conpresp para a ampliação, que deve ficar pronta no primeiro semestre de 2010. Para isso, comprometeu-se a restaurar um casarão vizinho tombado pelo patrimônio histórico.

SP Market

Com custo de 200 milhões de reais, a expansão está dividida em três fases. A primeira delas, com duas novas áreas de lojas, deve ser concluída até dezembro. Ao fim do projeto, previsto para outubro de 2011, o centro terá 102 000 metros quadrados a mais de área construída.

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