Saúde

Governo dá nova ajuda financeira para manter atendimento na Santa Casa

Repasse de 3 milhões de reais será usado para a compra de insumos e remédios durante um mês

Por: Silas Colombo - Atualizado em

Santa Casa
Em julho, pacientes encontraram os portões fechados do pronto-socorro da Santa Casa (Foto: Gero/Foto Arena/Folhapress)

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (24) uma nova ajuda financeira de 3 milhões de reais para manter a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo funcionando. A instituição carrega uma dívida que já superou 820 milhões de reais. Em julho deste ano, o governo já havia aplicado outros 3 milhões de reais, quando o pronto-socorro central foi fechado por 28 horas.

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O auxílio vai servir para a instituição comprar materiais e insumos, como luvas, medicamentos, curativos, seringas e agulhas durante um mês. “O que estamos fazendo  é garantir o atendimento ao SUS. A Santa Casa precisa ter boa gestão”, disse o governador Geraldo Alckmin em entrevista hoje na sede da Secretaria Estadual de Saúde.

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O secretário estadual de Saúde, David Uipi, afirma ainda que, na primeira semana de janeiro, haverá uma reunião entre Santa Casa, Secretaria da Saúde, Ministério Público e Ministério da Saúde "para tratar do que será feito adiante". Ele acredita que o hospital pode cortar gastos e que a ajuda pontual pode continuar. "A Santa Casa custa hoje  30 milhões de reais por mês. A ideia é reduzir esse custo para  22 milhões de reais", diz Uipi.

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A nova ajuda financeira à Santa Casa ocorreu dias após o afastamento por 90 dias do provedor da instituição, o advogado Kalil Rocha Abdalla. Ele havia dito que pediu licença para garantir transparência na sindicância interna feita pela Secretaria de Estado da Saúde, aberta para apurar uma série de irregularidades.

santa casa de misericórdia são paulo
A Santa Casa: auditoria revelou dívida de 770 milhões de reais (Foto: Márcio Fernandes/Estadão)

O então responsável por gerir a entidade havia dito que a crise financeira era reflexo da falta de repasse de recursos pelo governo. Em julho, o pronto-socorro central da Santa Casa ficou fechado por 28 horas devido à falta de dinheiro para comprar remédios e materiais. O governo decidiu ajudar a instituição desde que uma auditoria fosse feita nas contas da entidade. Foram detectados problemas em quase todos os setores do hospital.

A Santa Casa também penhorou um imóvel na Avenida Paulista, avaliado em cerca de  70 milhões de reais, como garantia para um empréstimo de 44 milhões de reais com a Caixa Econômica Federal. O dinheiro será usado para pagamento de salários atrasados, 13º salário de funcionários e pagamento de fornecedores.

Essas medidas, acredita o superintendente do hospital, Irineu Massaia, darão inicio a um processo que, em 18 a 24 meses, conseguirá tornar a operação da entidade  auto-sustentável.

Na última sexta (19), a Santa Casa suspendeu, por tempo indeterminado, as consultas, as cirurgias e os exames que estavam agendados. Só o atendimento de urgência continua funcionando na instituição. Naquele mesmo dia, médicos e funcionários do hospital fizeram manifesto pedindo a saída imediata do provedor Abdalla. Reeleito em abril, o advogado ocupava pela terceira gestão consecutiva o cargo que é o equivalente ao diretor principal da entidade.

Fonte: VEJA SÃO PAULO