Saúde

Samira Fouad Salah: "Agora é que estou no auge!"

Maquiadora de 36 anos está no último ciclo da quimioterapia para tratamento de um linfoma

Por: Giovana Romani

Samira Fouad Salah
Sem se abater com a doença: Samira passou seu aniversário na balada (Foto: Mario Rodrigues)

“Sempre fui muito ativa e alto-astral. Trabalhava bastante, saía com as amigas, paquerava... Comecei a sentir fortes dores nas costas há um ano. Depois, notei um nódulo na axila direita e os sintomas aumentaram. Tinha febre de 39 graus duas vezes ao dia e suava tanto que precisava trocar o lençol toda noite. Sem falar na coceira insuportável pelo corpo. Vivia à base de dipirona. Consegui ser examinada por um médico conhecido que diagnosticou o linfoma. A palavra câncer jamais passou pela minha cabeça. Nem sequer sabia a dimensão da doença. Tenho linfoma de Hodgkin, tipo de câncer no sistema linfático. Depois da minha primeira sessão de quimioterapia, fui embora para casa, em Campo Limpo, de ônibus. Passei mal durante a noite, tive febre, vomitei e voltei para o hospital chorando em uma cadeira de rodas. Hoje, já me acostumei à rotina do tratamento. Deixei meu cabelo cair naturalmente. No fundo, tinha a esperança de que conseguiria mantê- lo. Eu mesma costuro meus lenços. Preciso manter a autoestima e ser forte para cuidar do meu filho, de 13 anos. Agora estou solteira. Tinha um casinho, mas me afastei quando descobri a doença. Ia ficar triste se ele não me ligasse mais. Em maio, começo meu oitavo — e último — ciclo de quimioterapia. Depois, refarei os exames. No último dia 3, comemorei meu aniversário em uma balada, cercada de amigos. Imagine eu morrer aos 36 anos. Agora é que estou no auge!”

+ A vida depois do diagnóstico de câncer

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp)]

Vinculado à Secretaria Estadual de Saúde, é o maior centro de tratamento oncológico da América Latina. Foi inaugurado em 2008, na Avenida Doutor Arnaldo, com investimento de 340 milhões de reais

Pacientes atendidos por ano: 150.000

Novos casos por ano: 12.000

Sessões de quimioterapia por ano: 50.000

Número de cirurgias oncológicas por ano: 6.000

Porcentual de atendimentos pelo SUS: 100%

Há espera para consulta? Sim, de cerca de um mês (tel.: 3893-2000)

Avanços e novidades: há quinze dias, o instituto adquiriu um equipamento que une ressonância magnética e ultrassom com foco de alta intensidade para localizar e destruir tumores. Trata-se do High Intense Focus Ultrassound (Hifu), de 1,5 milhão de reais, usado no tratamento de miomas e metástases ósseas.

“Nosso objetivo é oferecer alternativas não invasivas ao paciente”, afirma o secretário de Saúde, Giovanni Guido Cerri. Posteriormente, o Hifu poderá ser utilizado em outros tipos de câncer e na liberação de drogas quimioterápicas de alta concentração (tóxicas ao organismo).

Encapsulada, a medicação forte se desprenderá apenas por meio do calor emitido pelo ultrassom, garantindo que atinja somente o tumor. “Temos mais de 100 protocolos em pesquisa clínica”, diz o oncologista Paulo Hoff, diretor do Icesp. Outra unidade recém-inaugurada, o Centro de Investigação Translacional em Oncologia vai integrar uma rede de vinte grupos de estudos do Hospital das Clínicas, do Incor e do A.C. Camargo, entre outros.

Fonte: VEJA SÃO PAULO