Beleza

Salões da cidade cobram até 220 reais para desenhar a sobrancelha

Nome mais caro do circuito é o de Cayo Lanza, estrela da unidade do Shopping Iguatemi do Studio W

Por: Flora Monteiro - Atualizado em

Cayo Lanza, do Studio W - designer de sobrancelhas - BELEZA - 2249
Cayo Lanza, do Studio W: “Tenho um olhar clínico” (Foto: Fernando Moraes)

Arrumar ou depilar os supercílios sempre foi um dos serviços mais banais realizados dentro dos salões de beleza. As mulheres pagavam entre 10 e 20 reais e eram atendidas por manicures ou maquiadoras que davam perfeitamente conta do recado. Simples assim. De uns tempos para cá, porém, a coisa aumentou muito em termos de complexidade. Nos estabelecimentos mais sofisticados da capital, o atendimento fica hoje aos cuidados de profissionais treinados apenas para realizar esse trabalho. Eles usam técnicas e instrumentos especiais na criação de desenhos capazes de valorizar o rosto e o olhar das clientes, dando ares de ciência ao que parecia um traço corriqueiro. A fim de se diferenciarem dos colegas, criaram uma nova denominação para o ofício: designer de sobrancelhas.

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Acertou quem apostou que o título pretensioso trouxe embutido um substancial aumento nos preços cobrados. Atualmente, o valor costuma ultrapassar 100 reais em alguns endereços da cidade. O nome mais caro do circuito é o de Cayo Lanza, estrela da unidade do Shopping Iguatemi do Studio W. Ele cobra 220 reais para cuidar de um par de sobrancelhas (o tempo médio da intervenção é de vinte minutos). É uma taxa salgada até para os padrões do badalado salão (há profissionais dali mesmo que executam esse serviço por 78 reais). Cayo tornou-se uma grife da área graças à experiência de mais de uma década e de uma freguesia que inclui nomes como a atriz Claudia Raia e a apresentadora Carolina Magalhães. “Nos dias de maior movimento, chego a atender 25 pessoas”, conta ele. “Tenho um olhar clínico e faço coisas sob medida, fugindo da linha comum de produção.”

Soho Itaim - designer de sobrancelhas - BELEZA - 2249
Maria Fátima, do Soho Itaim: o cachê aumentou depois do curso técnico (Foto: Fernando Moraes)

A valorização do procedimento foi precedida pelo surgimento dos primeiros cursos de formação de mão de obra. Uma das pioneiras no mercado de capacitação “sobrancelhística” é Raquel Guidalli, ex-professora do curso de Estética da Universidade Anhembi Morumbi, no câmpus na Zona Leste. No ano passado, ao perceber o crescimento do novo filão, ela deixou de trabalhar lá para seguir carreira-solo, oferecendo workshops aos candidatos a designer nos salões. Cobra uma taxa de 460 reais por oito horas de aula. “Minha agenda está completamente cheia”, comemora.

Em treinamentos desse tipo, os aprendizes se aprofundam na arte de utilizar equipamentos como o paquímetro, espécie de régua muito útil para medir os traços da face e delimitar o contorno ideal dos supercílios. Funcionária do Soho Hair na unidade do Itaim Bibi, Maria Fátima Silva faz parte do grupo cujo passe foi inflacionado após a obtenção do tal diploma. “Antes de estudar, cobrava 15 reais pelo trabalho”, compara. “Agora, minha taxa é de 73 reais.” Ainda são poucos os homens que se arriscam nas mãos dessa turma. Mas a onda deixa aberta a brecha para que os tradicionais barbeiros adotem a denominação de “designers de bigode” e faturem algum a mais.

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Em um campo extremamente dinâmico e promissor, não tardaram a surgir nichos dentro da especialidade. O free-lancer Andrei Branco é conhecido como um dos craques na chamada técnica egípcia. Em alguns momentos do trabalho, ele descarta a pinça e utiliza linhas de algodão para obter melhores resultados no acabamento. Com os fios entrelaçados nos dedos, vai retirando os pelos e arrematando o desenho da sobrancelha. O preço é de 70 reais. “Parece um detalhe, mas faz muita diferença na composição do visual”, afirma.

O boom do serviço e a busca pelo formato ideal tornaram possível eleger as tendências e os modelos mais requisitados para o verão. “O estilo curvado da atriz Christiane Torloni e o arqueado da Ana Hickmann estão sendo bastante pedidos”, aponta Raquel Guidalli. Uma intervenção um pouco mais ousada, sugerida por Cayo Lanza, consiste em tingir os pelos de tons claros ou dourados. A mania começou com os manequins das passarelas de moda e chegou aos salões da metrópole. “O efeito fica bem interessante e ajuda a iluminar o rosto”, diz ele.

ESPECIALIDADE VALORIZADA

O custo do serviço em alguns estabelecimentos da capital

Studio W ................... 78,00 a 220,00*

MG Hair ...................... 130,00

Mauro Freire ............. 100,00

C.Kamura .................. 80,00 a 95,00

Hair Stylist ................. 90,00

Red Door .................... 85,00

Marcos Proença ....... 80,00

Galeria ........................ 74,00

Soho Hair ................... 73,00

Spa Dios .................... 70,00

L’Officiel III ................. 60,00

Valores em reais.

* Os preços variam de acordo com o profissional

Fonte: VEJA SÃO PAULO