Integrantes do MPL

"Somos um movimento que discute transporte. Não interessa a PEC 37”

Porta-vozes do Movimento Passe Livre participam de sabatina nesta quinta-feira

Por: Redação Veja São Paulo - Atualizado em

Manifestação 20 de junho - Paulista
Manifestantes foram às ruas para protestar contra o aumento da tarifa do transporte público (Foto: Rodrigo Coca/Folhapress)

Em sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo no Museu da Imagem e do Som (MIS), nessa quinta (27), Caio Martins e Mariana Toledo, dois representantes do Movimento Passe Livre (MPL), reforçaram os ideais do grupo em defender a tarifa zero para o transporte público. “Somos um movimento social que discute transporte. Não interessa a PEC 37”, disse Mariana, após ser questionada sobre outras reivindicações do público que participou das manifestações. A PEC 90 foi proposta em 2011 pela deputada Luiza Erundina. Ela determina a criação de um sistema de transporte público como direito social, assim como o sistema de saúde e educação.

Segundo eles, o movimento ainda continua. “Antes, eles diziam que a redução dos 20 centavos era impossível, e aconteceu. Agora, dizem que a tarifa zero é impossível, mas pode acontecer”, afirmou Mariana. Por isso, de acordo com eles, é possível que haja manifestações parecidas com as que foram vistas neste mês. “Não convocamos nenhuma para a semana que vem, mas isso não significa que não possamos nos movimentar eventualmente”, disse Mariana. “O problema é que não depende apenas do MPL. Para a redução, muita gente apoiava, mas a tarifa zero não é todo mundo que concorda”, completou Caio.

Já sobre o encontro com a presidente Dilma Rousseff, os porta-vozes disseram que foi uma conquista da população e que a presidente não teria chamado se não achasse relevante o assunto. “Porém, não pode ficar apenas no chá com a presidente. É preciso que ela ouça o clamor da população”, disse Mariana. Questionados sobre o fim da função de cobrador, os dois defendem a segunda pessoa dentro do ônibus para informações e auxílio à população, especialmente a inibição da violência sexual dentro do transporte público. Para comprovar a teoria eles apresentaram como exemplo uma pesquisa feita em Salvador quando houve a suspensão do cobrador.

A organização do grupo também foi debatida principalmente pelo auditório. De acordo com eles, as decisões são tomadas em consenso. Entretanto, se não chegarem a um acordo, eles abrem a votação. Os participantes também se defenderam contra a personificação do MPL. “Não importa o que o Caio ou a Mariana pensam, e sim o movimento. Fomos destacados para cumprir uma função: conversar com a imprensa”, falou Caio.

Fonte: VEJA SÃO PAULO