Esporte

Rúgbi tenta se popularizar em São Paulo

Em 2004, existiam quarenta times no país, número que hoje cresceu para 230

Por: Catarina Cicarelli

Rúgbi - Spac - UniBrasil Curitiba - 2208
Partida entre o Spac (de azul) e o UniBrasil Curitiba: interesse crescente (Foto: Renan Tobbias)

Apesar de ser visto como um esporte de gringos, o rúgbi é tão velho por aqui quanto o futebol. Foi trazido em meados do século XIX por ingleses que vieram trabalhar na São Paulo Railway, a companhia responsável pelas pioneiras estradas de ferro que cruzavam o estado. O primeiro clube da cidade, o São Paulo Athletic Club (Spac), data de 1888 e tinha entre seus sócios o paulistano de origem britânica Charles Miller. Apesar de ter ficado conhecido como o introdutor do futebol no Brasil, Miller era grande entusiasta também de outros esportes.

Mais de um século depois, clubes e federações apostam na “popularização” do rúgbi. Excluído da Olimpíada desde 1924, foi reaceito em 2009. A edição de 2016, no Rio de Janeiro, marca o seu retorno aos Jogos. Nos campos cariocas será disputada a modalidade Sevens, na qual apenas sete jogadores de cada time entram em campo. A mais praticada no mundo, no entanto, é a categoria XV, que, como sugere o nome, tem equipes de quinze atletas.

Em 2004, existiam quarenta times no país, número que hoje cresceu para 230. Só o estado de São Paulo possui setenta equipes. “Aqui ainda é o maior celeiro de clubes no Brasil”, afirma Eduardo Pacheco e Chaves, diretor de relações institucionais da Federação Paulista de Rugby (FPR). Além do centenário Spac, com sede esportiva em Santo Amaro, estão entre as principais agremiações o Bandeirantes, de Moema, e o Rio Branco, da Vila Anastácio. É nas universidades, no entanto, que o esporte mais cresce. Há times na USP, Mackenzie, Unip e PUC. “Em 2008, era difícil juntar jogadoras interessadas”, lembra a estudante de arquitetura da USP Elissa Terensi, presidente do principal time da universidade. “Hoje temos trinta meninas treinando.”

Rúgbi - Spac - 2208
Jogadores do Spac em cobrança de lateral: clube centenário (Foto: Mario Rodrigues)

O rúgbi lembra o futebol americano, mas é muito mais ágil. Não há aquelas constantes paradas sempre que o jogador com a bola é atingido pelo adversário. Os times se dividem em dois grupos de jogadores: os forwards, que são os mais fortes, ficam na linha de frente e tentam impedir o avanço dos atacantes adversários; os backwards, mais ágeis, têm a missão de correr em direção ao campo do inimigo até cruzar a linha de fundo. A maior pontuação é adquirida por meio do try, que se assemelha ao touch down do futebol americano.

“Os universitários costumam ser mais violentos”, diz Felipe Claro, treinador do time masculino adulto do Spac. “Como eles não são tão familiarizados com as regras, batem mais.” Claro começou a jogar aos 11 anos. Aos 14, fazia parte da seleção brasileira M-18, composta de atletas menores de idade. Em 2006 ele foi para a Inglaterra jogar no Heaton Moor Rugby Union F.C., e só voltou no ano passado.

Apesar de a prática dos brasileiros ainda ser amadora, o país é bem-visto no circuito mundial. Em 2009, a seleção feminina fez a primeira participação do Brasil na Copa do Mundo de Rugby e alcançou a décima colocação. As garotas também são heptacampeãs no Sul-Americano, competição que neste ano ocorreu em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Além disso, o Brasil está atualmente no 28º lugar do ranking mundial de times feito pelo Conselho Internacional de Rugby.

Para investir na formação de base, a Federação Paulista inaugurou em agosto o primeiro campo público exclusivamente dedicado ao esporte, a Arena Paulista de Rugby, que fica no Parque Esportivo do Trabalhador, no Tatuapé. Outra forma de incentivar a prática são os programas que a FPR promove em parceria com a ONG Hurra! e a Secretaria Municipal de Educação. Atualmente, eles oferecem aulas e treinos em catorze dos 45 Centros Educacionais Unificados (Ceus) da cidade.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO