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Museu da Língua Portuguesa celebra o centenário de Rubem Braga

Textos, documentos, pinturas e recursos multimídia resgatam a trajetória do escritor e jornalista

Por: Bruna Ribeiro - Atualizado em

Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar - Museu da Língua Portuguesa
Rubem Braga caminha em uma fazenda, em 1984 (Foto: Divulgação)

Até 2 de setembro, os visitantes do Museu da Língua Portuguesa poderão mergulhar no universo de Rubem Braga, tema da exposição Rubem Braga - O Fazendeiro do Ar, que reúne textos, documentos, correspondências, desenhos, pinturas, fotografias, objetos, publicações e depoimentos em vídeo sobre a carreira do intelectual.

Morto em 1990, Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Em 1932, ele se formou em Direito, em Belo Horizonte (MG), mas não atuou como advogado. Abraçou o jornalismo, a literatura e, principalmente, a crônica, profissões que exerceu em jornais de Recife (PE), onde dirigiu o Diário de Pernambuco; São Paulo, cidade em que fundou a revista Problemas; e Rio de Janeiro, local onde fixou domicílio e colaborou para programas como o Jornal Hoje, da Rede Globo.

Segundo o curador da mostra, Joaquim Ferreira dos Santos, embora o gênero já existisse desde José de Alencar e Machado de Assis, foi Braga quem lhe acrescentou lirismo poético e a influência do humor e do coloquialismo dos modernistas de 1922. "É o formato que a gente conhece hoje, por exemplo, em textos de [Luis Fernando] Veríssimo”, afirma.

Dividida nos módulos Redação, Guerra, Cobertura, Passarinhos e Retratos, a exposição percorre sua trajetória desde a infância até a rotina em jornais, passando pela paixão pelos pássaros e a lendária cobertura com pomar que manteve em Ipanema, no Rio de Janeiro.

O primeiro espaço reproduz a redação de um jornal. O chão e as paredes são revestidos pelas crônicas do autor. Mesas com máquinas de escrever carregam placas que definem as funções que Rubem Braga desempenhou ao longo da vida: homem, andarilho, editor, escritor, repórter e diplomata. Em cada uma delas, há um texto, fotos, crônicas, anotações e souvenires. Ali, não deixe de abrir as gavetas das escrivaninhas, ocupadas por seus objetos pessoais.

Em cinco mesas, há tablets sobre as máquinas de escrever. Basta bater em uma das teclas antigas para que se inicie uma sequência de vídeos ou textos. Embora nem todos os botões funcionem, os tablets não são meramente decorativos. Se tiver dificuldade em dar início à exibição, tente o número 5. De acordo com os orientadores da exposição, ele sempre funciona.

Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar - Museu da Língua Portuguesa 1
Máquinas de escrever resgatam o período em que o escritor trabalhou em redações de jornais (Foto: Divulgação)

Na segunda sala, Guerra, dez telefones resgatam o período em que Braga foi correspondente do Diário Carioca, nos campos de batalha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Ao colocar o fone no ouvido, é possível escutar áudios da época, que vão de gravações de rádio a músicas. No teto, aviões de origami chamam a atenção. Eles se transformam em pássaros, conforme avançam para o terceiro espaço da exposição.

A sala mais curiosa é a que possui uma réplica da cobertura onde o cronista morou em Ipanema. Uma das paredes exibe uma fotografia da vista da sacada para o mar. Móveis reproduzem a decoração do ambiente. Na mesa de centro, duas telas exibem frases de amigos sobre o autor. Com um toque, é possível selecionar o vídeo de um dos oito depoimentos de Ana Maria Machado, Danuza Leão, Fernanda Montenegro, José Hugo Celidônio, Lygia Marina, Maria Lúcia Rangel, Ziraldo e Zuenir Ventura.

Lygia Marina, por exemplo, conta que a porta do apartamento estava sempre aberta. "Era só entrar." Fotos e quadros pendurados no mesmo módulo temático comprovam a declaração. Artistas como Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Ziraldo aparecem em reuniões ao lado de Braga. Além disso, uma pintura representa as mangueiras e pitangueiras de seu quintal, lembrança de seu cenário na infância em Cachoeira de Itapemerim.

Essa fase é representada em Retratos, sala com caixas fechadas de madeira que escondem fotos e crônicas de quando Rubem era criança. Nesse espaço, a instalação interativa Passarinhos chama a atenção. Basta se aproximar de uma projeção de aves voando e posicionar suas mãos abaixo delas para que elas pousem e caminhem pela sombra do visitante.

Percorra abaixo uma parte da mostra na galeria de fotos:

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Fonte: VEJA SÃO PAULO