Noite

Rua Augusta é diversificada por bares e baladas descolados

Antes reduto de inferninhos, rua agora atrai de jovens moderninhos a playboys

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Três novos bares abriram as portas nos arredores da Rua Augusta nas últimas semanas. Mais que oferecer opções de lazer, as inaugurações consolidam o movimento de revitalização da região. Sim, a vocação notívaga continua. Mas agora, ao lado de prostitutas e figuras marginais, circulam nas calçadas jovens baladeiros das mais diversas turmas - de modernos com calças ultra-apertadas a playboys com roupas caras de grife. Bem-vindo ao Baixo Augusta, termo que os frequentadores utilizam para se referir ao quadrilátero formado entre a via boêmia do centro e a Consolação, no trecho que vai da Rua Fernando de Albuquerque à Praça Roosevelt. "Escolhemos o lugar porque, além de abundância de transporte público, mistura gente de todos os estilos", afirma Beto Lago, sócio de uma das novas casas, o Sonique, na Bela Cintra.

Os outros recém-abertos (o Volt, na Haddock Lobo, e a Z Carniceria, na própria Augusta) têm no time de proprietários os empresários Facundo Guerra e José Tibiriçá, dois dos primeiros a apostar no até então reduto decadente de inferninhos. Foi em 2005, com a inauguração do Vegas, quase na esquina com a Rua Dona Antônia de Queirós. "Quando contava para os amigos sobre o ponto, achavam que eu tinha enlouquecido", lembra Guerra. O sucesso da casa, que atraiu parte do público do circuito Itaim-Vila Olímpia, mostrou que não era bem o caso. Desde então, quase trinta novos bares ou casas noturnas se instalaram por ali, uns que tiveram vida curta, outros quase sempre com fila na porta, como o Studio SP - esse, aliás, nasceu na Vila Madalena e se mudou para a Augusta.

Como reflexo da transformação, o mercado imobiliário da área se aqueceu. "A boa localização e a vida noturna agitada são responsáveis por uma escalada nos preços", analisa Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Um apartamento de um dormitório, que custava 64 000 reais em 2003, hoje sai por quase o dobro disso - enquanto a valorização média da cidade, no mesmo período, foi de 43%. "Esse boom de pessoas nas ruas e de estabelecimentos com estrutura de primeira abrindo as portas mostra que é possível reocupar e reabitar o centro", afirma o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Segundo ele, a região vai servir de modelo para a recuperação de outras áreas próximas, como a República e a Luz. Tomara.

Fonte: VEJA SÃO PAULO