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Os bares mais badalados da Vila Madalena

Alguns são famosos pelo chope, como o Astor. Já São Cristovão e Sabiá atraem por seu ambiente descontraído. Entre esses endereços, certamente um faz o seu estilo

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

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Astor: clima boêmio dos anos 50 (Foto: Cida Souza)

Área boêmia mais famosa da cidade, a Vila Madalena não tem preconceitos: abriga todas as turmas. Sejam casais, que namoram nos cantinhos de alguns bares, ou os desencanados botequeiros frequentadores de outros endereços, todos encontram nas ladeiras do bairro um lugar para chamar de seu. Há também um reduto para os aficionados por drinques: o SubAstor, que levou os prêmios de melhor carta de coquetéis e de melhor barman no especial VEJA COMER E BEBER 2015-2016. Para quem está perdido em meio a tantas opções, confira aqui o que cada casa oferece de melhor e boa balada!  

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Aé Sagarana: as torneiras de chope da casa são estilizadas com chifres de boi ou de bode. Mas não, não se trata do novo Bar dos Cornos. A decoração faz referência ao Brasil interiorano, que o proprietário, Paulo Leite, gosta de homenagear em seus endereços — ele comanda ainda o Empório Sagarana, com unidades nas vilas Romana e Madalena. Na melhor linha multiplicação dos chopes, o número de opções oferecidas da bebida pulou de seis para 22 desde que o estabelecimento abriu, pouco mais de um ano atrás.

Astor: seduz a clientela com um ambiente que remete ao clima boêmio dos anos 50. Quase imexível, a lista de coquetéis do Astor acaba de ganhar uma seleção de doze receitas, todas representadas por ilustrações bacanudas na carta. Algumas delas já foram servidas anos atrás no SubAstor, o bar “escondido” no porão da casa, vencedor da categoria melhor carta de drinques na última edição de VEJA COMER & BEBER. É o caso do pungente il cardinale (gim, vermute seco, Campari e salmoura de azeitonas), um mix dos clássicos negroni e dry martini. Preparada previamente, a receita é “tirada” de torneiras parecidas com as de chope. 

Bar do Seu Zé: com guardanapos e tampas de garrafa no chão e um velho mapa da cidade na parede, este é um dos lugares queridinhos da galera desencanada da Vila Madalena. De chinelão no pé e “roupa de ficar em casa”, esse público se mescla aos mais arrumadinhos que também pintam por lá, sobretudo nas concorridas mesas da calçada, dá para tomar uma gelada na boa. A estufa sobre o balcão guarda o petisco-celebridade do endereço: a empanada. Além da tradicional, de carne com ovo cozido, há recheios como bacalhau e peperoni acrescido de mussarela.

Boteco São Bento, na Vila Madalena
Boteco São Bento: happy hour agitada (Foto: Fernando Moraes)

Boteco São Bento: endereços com vocação para a paquera costumam sair logo de moda. Mas as duas unidades do Boteco São Bento, nascidas há dez anos, fogem à regra. Os grandes salões, escuros e embalados por batidas eletrônicas, continuam a lotar de um pessoal bem produzido e esperançoso de encontrar alguém. Bebem-se, em grandes quantidades, o bem tirado chope e as caras caipirinhas com um picolé mergulhado. 

Empanadas: com espaços recortados e interligados por degraus, a arquitetura do botequim confirma: a casa começou pequena e não parou de crescer. Grande parte do sucesso se deve às empanadas disponíveis em nove sabores e armazenadas nas estufas do balcão. Prove a úmida de frango e a de queijo roquefort, bem saborosas. Universitários, engravatados e senhores do bairro pintam por ali em busca de uma botecagem animada e sem frescura. Em geral, acompanhada de cerveja em garrafa e de caipirinhas servidas em copo alto. 

O ambiente do Filial: intenso movimento durante toda a madrugada
O ambiente do Filial: intenso movimento durante toda a madrugada (Foto: Mario Rodrigues)

Filial: tornou-se o bar número 2 de muito frequentador da Vila Madalena. Isso porque, como o lugar fecha tarde — a cozinha alcança as 3h30 às sextas e aos sábados —, costuma receber boêmios emigrantes de estabelecimentos menos notívagos do bairro. O lugar acolhe ainda tipos que trabalham até tarde e querem tomar alguns (muitos) chopes antes de voltar para casa, caso de músicos e jornalistas.

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Genésio: foi o segundo endereço inaugurado na Vila Madalena pelo clã Altman, dono também dos bares Filial e Genial. Aqui, o foco recai na cozinha, que funciona até altas horas, expedindo sugestões bem variadas como pizzas, sanduíches e massas. Os bolinhos de carne recheados de mussarela vêm em porção de seis unidades. Ainda na linha dos tira-gostos, faz bonito a tigelinha de polenta cremosa coberta de molho de cogumelos e queijo de cabra, que reconforta o estômago após umas e outras. 

Genial
Ambiente com estilo de boteco: boas receitas servidas até a madrugada (Foto: Fernando Moraes)

Genial: foi a terceira casa que os irmãos Altman inauguraram na Vila Madalena — o caçula Mundial, aberto em 2013, fechou as portas em maio. Com figurino que dá direito a gravata-borboleta, os garçons repõem com rapidez o chope Brahma, nas versões claro e escuro. Eles ainda depositam nas mesas a benfeita caipirinha de tangerina. Para petiscar, vá na porção de bolinho de arroz. Também merece ser pedido o caldinho genial, feito com mandioquinha, camarão e gorgonzola.

Hirá Ramen Izakaya: nada de sushi de salmão com cream cheese e couve frita. Depois de dez anos como chef executivo do rodízio Mori Sushi Ohta, Daniel Parolin Hirata deixou para trás os bolinhos de arroz moderninhos e agora se dedica a outro tipo de cozinha: a de izakaya (ou boteco japonês). No fim de 2015, inaugurou o negócio próprio junto da mulher, Valéria Cedano, no imóvel onde funcionou o restaurante AK Vila. Inspirado em receita do badalado chef David Chang, de Nova York, Hirata prepara os apetitosos hirá buns, dupla de pães chineses no vapor recheados de barriga de porco e pepino que são lambuzados de molho de missô e pimenta e aïoli com leite.

Jacaré Grill
A concorrida tarde de fim de semana do Jacaré Grill: polo de azaração para maiores de 40 anos (Foto: Divulgação)

Jacaré Grill: os grelhados fazem a alegria do público maduro, entre eles o bife ancho. Vão muito bem na hora de beber os litros de cerveja que devem vir pela frente, disponíveis em marcas como Bohemia e Stella Artois. Novidade: o endereço passou por uma rápida reformulação e ficou mais jeitoso, com sofás e cadeiras confortáveis. E, em frente ao boteco, foram instalados parklets, que tiraram de cena quase todas as motos Harley-Davidson que costumavam estacionar aos sábados e domingos.

Mercearia São Pedro: depois do susto de um princípio de incêndio em outubro de 2015, a casa já funciona normalmente. Vivem em perfeita harmonia neste botecão de quase meio século alguns cinquentões de barriga avantajada e muitos jovens de estilo neo-hippie, que adoram falar sobre cinema e literatura. Nada mais propício a um ambiente repleto de pôsteres de filmes e livros à venda como a “merça”. O bar está sempre cheio, até na hora do almoço, quando fazem sucesso os grelhados.  À noite, o movimento ganha endosso pela ocupação do salão anexo e da calçada. 

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Salão colorido do Peixaria Bar e Venda: mesas, cadeiras e objetos foram garimpados em todo o país (Foto: Mario Rodrigues)

Peixaria Bar e Venda: quase sempre cheio, o endereço divide suas mesas entre os salões com ar de vendinha e a calçada, onde se mesclam cadeiras de madeira e outras de praia, pouco confortáveis. No maior clima litorâneo, as cervejas em garrafa de 600 mililitros são conservadas em isopores repletos de gelo picado. Já as caipirinhas vêm servidas em potes de conserva, caso da que combina pinga, mexerica, pimenta-rosa e gengibre, bem adocicada. Boa parte do extenso cardápio reverencia o mar.

+ Drinques em jarra para compartilhar 

Razzmatazz: o salão de linhas retas, que vive tomado de gente na faixa dos 30 anos, segue a estética industrial, com paredes sem acabamento, tubulações aparentes e tambores no papel de mesas. Um lance de escada leva ao piso inferior, que pode ser reservado para aniversários e outras efemérides. O nome do bar veio emprestado da canção da banda de britpop Pulp e dá uma pista do que se ouve lá dentro, no som ambiente, onde capas de discos de Oasis, Beatles, Flaming Lips e Smiths ajudam a compor a decoração.

Sabiá
O ambiente bem iluminado e cercado por janelões: no Sabiá (Foto: Mario Rodrigues)

Sabiá:  faz tempo que a Vila Madalena virou um reduto oba-oba, de gente jovem em busca de pegação. Mas o espírito papo-cabeça pelo qual o bairro já foi conhecido ainda pode ser encontrado em alguns redutos por lá. É o caso deste boteco de esquina, em que uma caricatura do cineasta Woody Allen figura na porta do banheiro masculino. Quer algo mais cult? O salão, arejado por janelões, tem pisos antigos e iluminação amena, e acolhe um pessoal com mais de 30 anos de pegada culturete.

Salve Jorge:  piso com cara de antiguinho, ventiladores de teto de aço inoxidável, colunas revestidas de espelhos e muitas, mas muitas garrafas compõem a decoração um tanto manjada do bar, mas nada que deprecie sua boa fama. Todo aberto para a rua, em meio ao burburinho da Rua Aspicuelta,lota de uma moçada desencanada, cujo falatório não raro se sobrepõe à trilha sonora composta de samba, samba rock eaté de um pagodinho maroto. Rega essa pândega cerveja aos baldes e chopes tirados com cuidado.

São Cristovão: a casa é devota do futebol. Disputam lugar nas paredes quadrinhos mil com fotos históricas, páginas de jornal e ingressos de jogos. Permita-se perder os olhos nesse mundaréu de referências ao esporte enquanto beberica um ótimo chope, bem gaseificado e de colarinho espesso. Equilibrada, a caipirinha de lima-da-pérsia feita com a cachaça também merece ser bebida. Para aliviar os efeitos do álcool, escale o cremoso caldo de feijão servido na tigelinha com cubinhos crocantes de bacon do lado.

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SubAstor: para tomar bons drinques (Foto: Veja São Paulo)

SubAstor: o barman Fabio la Pietra arrisca alguns atrevimentos. Experimente, por exemplo, o ceará vs 007, um encontro do vesper, o martíni criado por James Bond em Casino Royale, com o Nordeste. A mistura de gim, vodca com infusão de castanha-de-caju e vermute seco ganha uma borrifada de perfume feito do suco da fruta. O resultado é uma pancada de destilado das boas, afagada pelo doce e ácido do caju. São 25 drinques da mais criativa carta da cidade. Tanto no conteúdo quanto na forma. O cardápio vem no formato de um cubo de papel.

Vila Seu Justino: o clima de paquera dá o tom e ganha força nos fins de semana, com apresentações de bandas de pop rock, samba e sertanejo. Antes e depois dos shows, o som fica a cargo de DJs, que disparam house comercial para animar a galera de 20 e poucos anos. Entre intensas trocas de olhares e corpos esbarrando-se sem querer querendo, a moçada dança até o chão. Turbinam a azaração chope, cervejas long neck e drinques.

+ Bares com mais de dez torneiras de chope 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO