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Ronaldo Fraga faz mostra sobre o Rio São Francisco

Expedição do estilista mineiro resultou em um interessante acervo

Por: Meriane Morselli

Exposição Ronaldo Fraga - 2212
Instalação O Chico e o Caixeiro Viajante: trajeto de Minas Gerais a Alagoa (Foto: Nelio Rodrigues)

Lendas sobre o Rio São Francisco povoam a imaginação do estilista mineiro Ronaldo Fraga desde a infância. Seu pai costumava pescar em Pirapora (a 340 quilômetros de Belo Horizonte, onde morava a família) e sempre voltava cheio de histórias. Em 2008, Fraga decidiu criar uma coleção baseada nessas lembranças e empreendeu uma viagem de três meses a bordo do Benjamin Guimarães, uma das últimas embarcações a vapor em atividade no São Francisco. O estilista conheceu a nascente, em Minas Gerais, e foi até Piaçabuçu, em Alagoas. Suas roupas inspiradas nessa viagem foram vistas na São Paulo Fashion Week, mas a paixão pelo rio ficou. Nos últimos três anos, Fraga retornou à região e percorreu cerca de 5.000 quilômetros ao longo de comunidades ribeirinhas. O resultado pode ser conferido em Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga: Cultura Popular, Moda e História.

+ Entrevista: Ronaldo Fraga fala sobre a exposição

Dividida em treze instalações, a montagem apresenta mitos, cores, memórias e crenças. Logo na entrada, um cardume feito de garrafas PET pendurado no teto chama atenção pelo efeito visual — o objetivo da obra é abordar a poluição e salinização das águas. Repleto de malas e fotos antigas, o ambiente “O Chico e o Caixeiro Viajante” exibe curtos documentários sobre anônimos. Na sala “Cidades Submersas”, um vídeo produzido por Wagner Moura registra os últimos dias de Rodelas, na Bahia. O município onde o ator cresceu foi inundado, em 1988, para a construção de uma barragem. Uma vistosa estante reúne garrafas com rótulos semelhantes aos de cachaça: elas estão cheias de amostras de água coletadas em vários pontos do leito. Há ainda dois espaços interativos. Um deles simula uma pescaria e no outro o visitante abraça vestidos e ouve um poema declamado por Maria Bethânia.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO