Comportamento

A escalada dos “rolezinhos”

Como uma brincadeira dos jovens de periferia da capital se transformou em um problema de segurança para os shoppings e seus frequentadores

Por: Juliana Deodoro e Silas Colombo (Colaboraram Nathalia Zaccaro e Angela Pinho) - Atualizado em

MC Doug Kamikaze
MC Doug Kamikaze: "Os encontros são para pegação" (Foto: Emiliano Goyeneche)

No início da tarde do sábado 11, a estudante Adrielly Navas, de 15 anos, mostrava-se bastante animada, apesar de ter acabado de levar um corretivo da avó. Uma parte do castigo consistiu em proibi-la de usar por uns tempos suas roupas prediletas, de marcas como Mizuno, Abercrombie e Lacoste. Dricca, como a garota gosta de ser chamada, desobedeceu ao restante da ordem, não ir mais aos “rolezinhos”, como são chamados os encontros nos shoppings de centenas de jovens da periferia convocados pela internet. “Viram aqui na TV o noticiário dizendo que isso estava dando confusão e ficaram preocupados”, conta. Naquele dia, ela prometeu que iria sair de casa apenas para passear com os amigos no Shopping Aricanduva, localizado nas redondezas. A menina mora em um sobrado no Jardim Santa Terezinha, na Zona Leste, com o padrasto, que trabalha como porteiro, a mãe (atualmente desempregada) e outros quatro parentes.

+ Em vídeo: da pegação ao confronto, como nasce um rolezinho

Na hora de se arrumar, colocou no último volume um funk de seu ídolo, o MC Dimenor DR, autor de músicas como Os Amantes do Cifrão. De short jeans curto, blusinha preta, tênis dourados, chapinha intacta e sem desgrudar do celular um instante, caminhou durante cerca de vinte minutos, passando por vielas e uma trilha em um terreno baldio, até chegar ao centro de compras. Ali, foi até a porta do Playland, misto de parquinho de diversões e fliperama, onde encontrou uma turma formada por dezenas de adolescentes. Nas três horas seguintes, namoraram vitrines, zanzaram pela praça de alimentação, conversaram e paqueraram. “Estão falando que a gente quer fazer baderna. Mas queremos é juntar o povo, conhecer pessoas novas”, explica Dricca. 

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A ação da polícia em Itaquera no sábado (11): três detidos (Foto: Bruno Poleti/Folhapress)

No mesmo sábado, outro rolezinho ocorreu na Zona Leste, reunindo mais de 1 000 pessoas no Shopping Metrô Itaquera. Alguns dos grupos de garotos cantavam funks, outros corriam de um lado para outro nos corredores. Depois de um início de tumulto, os comerciantes baixaram as portas e os adolescentes acabaram expulsos do local por policiais, à base de gritos e pancadas de cassetetes. Eles fugiram para o lado de fora e foram dispersados com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo no terminal de ônibus vizinho. O negócio terminou com um saldo oficial de dois furtos e a prisão de um garoto de 16 anos.

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Tumulto e bomba de gás lacrimogêneo durante rolezinho no Shopping Metrô Itaquera (Foto: Diógenes Muniz)

Os tais rolezinhos já acontecem na periferia há alguns anos, mas ganharam uma dimensão maior com a ajuda da internet, sobretudo por força da popularização crescente das redes sociais. Muitas das convocações são feitas via Facebook, como as duas marcadas para 8 de fevereiro nos shoppings Penha e Aricanduva. “Vamos aí pessoal zoá muito conhece novas pessoas e catar muitas minas e curti muito e sem roubo aí só curti mesmo”, diz o anúncio publicado no site que chama para o acontecimento do Penha. O do Aricanduva tem mais de 60 000 convidados, dos quais 2 500 confirmaram presença. Um deles será MC Doug Kamikaze, de 19 anos, cantor que tem dois clipes que fazem sucesso na internet entre os fãs de funk. O da música Ela É Demais teve, até agora, mais de 37 000 visualizações. “Nos rolezinhos, os meninos querem encontrar as meninas, e elas querem encontrar os moleques”, resume.

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A convocação vai esquentando na rede com as adesões e atualizações constantes dos usuários, que respondem a enquetes, trocam fotos e paqueram virtualmente. Em seus perfis pessoais, os jovens pedem curtidas para imagens, divulgam funks que gravaram com os amigos e publicam seu número de telefone para ser adicionado no WhatsApp, programa de troca de torpedos por celular. No dia da festa, há um clima de euforia entre os presentes. “Não tem nada a ver com arrastão”, afirma o estudante Danilo Silva, de 15 anos.

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O estudante Danilo: "Não tem nada a ver com arrastão!" (Foto: Rogério Canela)

Os centros de compras da Zona Leste são os lugares preferidos da turma. “Eles ficam perto de estações do metrô, têm lugar para tomar lanche e um pouco de segurança”, explica Jonathan David, de 19 anos, o MC Chaverinho, que faz sucesso como cantor de ostentação, o subgênero do funk especializado em louvar carrões, mansões e outros objetos de desejo de consumo. Em sua página, Chaverinho soma cerca de 30 000 fãs. Ele calcula ter participado de dez rolezinhos. Na semana passada, cuidava da organização de um marcado para domingo 19, no Shopping Center Penha. Mais de 400 pessoas já confirmaram presença. Um dos grandes objetivos do negócio é a “pegação”, gíria da turma para paquera e namoro. “Preciso ter um lugar para abraçar e beijar minhas admiradoras”, justifica Chaverinho.

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O tumulto criado pela movimentação dos jovens, os gritos e a correria assustam frequentadores e lojistas, muitas vezes pegos de surpresa com o acontecimento. Na confusão, uma minoria se aproveita para praticar pequenos furtos e roubos. Os comerciantes, que pagam a partir de 300 reais por mês pelo aluguel do metro quadrado de uma loja no local, ficaram revoltados. Dona de um comércio especializado em videogames no Terminal Itaquera, ao lado do shopping, a empresária Clélia Butti perdeu um Xbox, caixinhas de som e capinhas de celular, num prejuízo estimado em 5 300 reais. “É um absurdo esse tipo de coisa acontecer”, reclama.

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A comerciante Clélia Butti: prejuízo de 5 300 reais com roubos e furtos (Foto: Lucas Lima)

O temor de também virarem palco desses eventos fez com que os administradores de alguns centros de compras entrassem com liminares na Justiça tentando impedir a realização de rolezinhos, com base na lei do direito à propriedade. No sábado 11, o JK Iguatemi exibia na entrada um documento que avisava que o não cumprimento da ordem poderia acarretar uma multa de 10 000 reais. A medida preventiva ocorreu depois que grupos de estudantes universitários começaram a espalhar no Facebook que o local seria alvo de um evento do tipo — ou seja, nesse caso, a coisa não tinha nada a ver com o movimento surgido na periferia. A ação do JK causou polêmica, pois muitos especialistas entendem que atitudes como essa ferem o direito de ir e vir, também garantido pela Constituição. Além disso, apesar de particulares, os estabelecimentos são locais públicos. “Eles não podem selecionar quem entra e quem não entra”, opina o advogado Ariel de Castro Alves.

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MC Chaverinho: encontros marcados pela internet (Foto: Fernando Moraes)

Na última terça (14), a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) convocou uma reunião de emergência com cerca de setenta representantes dos centros de compras para definir o que fazer daqui por diante. Os empresários pretendem pedir a supermercados no entorno dos centros comerciais que dificultem a venda de bebidas alcoólicas a jovens, assim como aumentar a segurança particular dos espaços e, se necessário, recorrer a reforços da polícia e dos bombeiros. Eles estudam ainda a possibilidade de fechar as portas nos dias em que estiverem agendados novos encontros. Ao mesmo tempo, muitos empreendimentos passaram a reforçar a segurança, item que já consome cerca de 30% do seu orçamento anual. O estado de alerta da categoria é geral, mesmo nos estabelecimentos que, por enquanto, não estão na mira. “Temos um plano de contingência preestabelecido para emergências”, conta Sandro Bispo, coordenador de segurança do Shopping Eldorado, que não revela detalhes da estratégia.

A controvérsia rendeu nos últimos dias grandes discussões na cidade, com vários sociólogos de botequim acusando os shoppings de tentar fazer um apartheid social ao supostamente fechar suas portas a negros e pobres. A tese não faz o menor sentido, haja vista que os garotos costumam promover rolezinhos nos próprios shoppings que já frequentam. O Itaquera, por exemplo, tinha uma liminar, mas não a utilizou para barrar as pessoas no último sábado. “Temos um espaço democrático, e o jovem desta região é nosso cliente. Ele sempre foi e será muito bem-vindo”, afirma Carlos Galvão, executivo da Ancar Ivanhoe, empresa responsável pelo empreendimento.

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(Foto: Veja São Paulo)

Apesar da incoerência do discurso social, ele serviu para criar os “rolezinhos políticos” promovidos por entidades e universitários. Na quinta 16, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto fez um “rolezão popular” contra a violência policial nos shoppings Jardim Sul e Campo Limpo (que fecharam as portas para evitar problemas). Entidades do movimento negro como a União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEafro) estão à frente de outra manifestação, no sábado (18), desta vez no JK Iguatemi. “É um ato pelo direito à livre circulação”, diz o historiador Douglas Belchior, um dos organizadores.

Movimentos do tipo começaram a ser convocados em outras capitais, e a preocupação chegou a Brasília. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Dilma Rousseff convocou na terça (14) os ministros Marta Suplicy (Cultura) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para uma reunião para tratar do assunto. A presidente encomendou diagnósticos sobre o movimento e se mostrou preocupada com uma possível apropriação dele por grupos como os “black blocs” ou até o crime organizado.

Em São Paulo, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, afirmou que a força policial seria usada em caso de tumulto nos rolezinhos na segunda (13). Dois dias depois, porém, Grella abrandou o discurso e disse que o movimento se tratava de um fenômeno cultural e não de um caso de polícia — por certo para que o caso não tomasse as proporções das manifestações criadas pelo Movimento Passe Livre. O prefeito Fernando Haddad incumbiu o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula, de dialogar com as lideranças dos rolezinhos para tentar convencê-las a fazer manifestações em outros locais.

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Enquanto alguns tentam pegar carona no bonde dos rolezinhos, os garotos da periferia se mostram surpresos com a repercussão, e muitos deles não entendem a dimensão que o negócio tomou. “O rolezinho que eu faço quase todo fim de semana agora passa na TV”, afirma Raul de Souza, de 24 anos, o MC GaloSP, frequentador do Shopping Metrô Tatuapé. A estudante Adrielly Navas, do Jardim Santa Terezinha, torce para que a discussão deixe um saldo positivo para os jovens. “Espero que nos compreendam e tratem melhor, principalmente os seguranças”, afirma. Em tempo: Dricca já está livre do castigo. Vestida com Mizuno, Abercrombie e Lacoste e disposta a engordar os novos rolezinhos que virão por aí. 

 

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    A casa de Kátia Barbosa, fundada no Rio, fez tanto sucesso que ganhou esta sucursal paulistana. Boa de bolinho, a cozinheira sugere ótimas pedidas como o de cassoulet (massa de feijão-branco e recheio de carne de porco defumada; R$ 26,00 a porção). Fora da aladas frituras, porém, algumas pedidas decepcionam. É o caso do caldo de camarão (R$18,00), espesso e, em geral, insosso. Sócio da filial, o especialista em cerveja Edu Passarelli compôs a carta de rótulos. Dos 200 de antes, agora a lista contempla cerca de oitenta — a maioria dos títulos internacionais foi extirpadapor conta do aumento do dólar. Ele treinou bem a equipe, que sabe explicar as características da Amazon Taperebá, de Belém (PA), uma witbier de perfume frutado (R$ 18,00,355 mililitros).

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  • Espanhóis

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  • Elise (Veerle Baetens) tem um estúdio de tatuagem em Ghent, na Bélgica. Descolada e solteira, a moça frequenta o bar onde Didier (Johan Heldenbergh), um cantor de folk, se apresenta com sua banda. Não tarda a irem para a cama, descobrirem afinidades e consolidar-se o amor. Contudo, o romance dramático, indicado ao Oscar 2014 de melhor filme estrangeiro, foge dos aguados folhetins. O diretor Felix van Groeningen, um dos adaptadores da peça teatral para o cinema, explicita em passagens densas como a delicada relação se transformou num inferno. Motivo: aos 6 anos de idade, a filha deles, Maybelle (Nell Cattrysse), adoeceu por causa de um câncer. Estreou em 17/1/2014.
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  • Lançada em 2010, Muita Calma Nessa Hora era uma simpática comédia de verão, que trazia três amigas em Búzios e uma caronista riponga de quem se tornavam parceiras. Na sequência, ambientada no Rio de Janeiro três anos depois, o quarteto se reencontra. Tita (Andréia Horta) virou fotógrafa e acabou de voltar de uma temporada em Londres, enquanto Aninha (Fernanda Souza) se mostra cada vez mais indecisa. Vinda da Argentina, a cuca-fresca Estrella (Débora Lamm) ainda mantém a samambaia da avó a tiracolo. O mote do longa é um festival de música produzido por Mari (Gianne Albertoni). São pífios os conflitos. Tita tem rusgas com o pai conservador (Daniel Filho), Aninha continua influenciada por uma cartomante (Heloisa Périssé) e Mari vira alvo das cantadas do vocalista da fictícia banda Los Cunhados — uma óbvia brincadeira com Los Hermanos. Em meio a uma tremenda falta de assunto e muita previsibilidade, surge um ator para salvar a parada. Desde o filme original, Marcelo Adnet roubava a cena e, aqui, sua participação foi estendida. Carioca, Adnet interpreta perfeitamente um mauricinho paulistano interessado em Tita. Também se destacam na mesmice as aparições de Bruno Mazzeo. Na pele do cantor breganejo Renan, ele faz rir na paródia a Luan Santana. Estreou em 17/1/2014.
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  • Além da técnica impecável, os desenhos animados atuais, como Frozen e Meu Malvado Favorito 2, possuem roteiro esperto e espirituoso. Não é o caso de Caminhando com Dinossauros. De uma ideia extraída de uma série de documentários da BBC, essa animação parece um exemplar jurássico do gênero. Os animais criados por computador agradam, mas o texto caminha a passos paquidérmicos. Sem novidades, a história começa com três atores atrás de vestígios dos bichões. A menina segue o tio enquanto o sobrinho adolescente os espera no carro. Surge, então, um pássaro para narrar a trajetória de dois irmãos paquirrinossauros. Volta-se ao período cretáceo para focar o nascimento deles, a separação da mãe e a morte do pai. Jovem, a dupla segue um grupo por locais muitas vezes congelantes (as paisagens são reais). O primogênito Scowler quer ter prioridade sobre o caçula Patchi, um baixinho valente capaz de enfrentar os maiores desafios. Estreou em 17/1/2014.
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  • Mais longevo diretor em atividade, o português Manoel de Oliveira, de 105 anos, não esconde a origem de seu novo longa-metragem. Trata-se da adaptação da peça homônima, escrita por Raul Brandão em 1923. Praticamente rodado num único cenário (a sala de uma casa humilde), com sequências extensas (uma delas dura cerca de trinta minutos sem cortes) e câmera estática, o filme traz um drama familiar. No século XIX, Gebo (Michel Lonsdale) é um contador de honestidade inquestionável. Sua mulher, Doroteia (Claudia Cardinale), vive choramingando pelos cantos por duas razões: a ausência do filho (Ricardo Trêpa) e a pobreza da família. Também mora com eles a compreensiva nora Sofia (Leonor Silveira). No segundo ato, o rapaz reaparece, assim como surgem em cena dois amigos (papéis de Jeanne Moreau e Luís Miguel Cintra). A maioria das fitas do realizador tem ritmo arrastado. Na riqueza das palavras e na esplêndida fotografia à meia-luz, descortina-se um trabalho belo, porém cansativo. Estreou em 17/1/2014.
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  • No início da comédia dramática, ambientada em 1981, Rachel (Juliette Gombert) datilografia na máquina de escrever que passa pela fase mais angustiante de sua vida. Ela tem 9 anos e já sente o peso da idade. Saber o motivo de tanta tristeza move o formidável roteiro. Reservada, Rachel possui um relacionamento problemático com a mãe certinha (Agnès Jaoui) e sonha com ela sendo enterrada. O pai da garota não sente pela mulher a paixão de antes, e a avó dela, depois de sair de uma clínica por ter sofrido um AVC, virou quase uma peça de decoração. Na escola, Rachel encontra Valérie (Anna Lemarchand), a coleguinha capaz de dar uma guinada em seu cotidiano monótono. Com a nova amiga, Rachel vai conhecer o mundo das travessuras e o sentido da palavra liberdade. Construída com base no humor, a história escapa da graça fácil para explorar um drama familiar cujas situações empáticas fisgam a plateia do início ao fim. Contribui para dar encanto ao filme a fina sintonia entre as duas pequenas protagonistas. Estreou em 17/1/2014.
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  • Pouco notado em sua passagem nos cinemas em janeiro de 2014, Quando Eu Era Vivo é um bom (e raro) exemplo de suspense de terror psicológico nacional. Dirigido com segurança por Marco Dutra, o filme traz no elenco Antonio Fagundes e a cantora Sandy, mas é Marat Descartes quem se destaca. Cartaz da mostra Memória Audiovisual Paulista, o longa-metragem tem duas sessões no Cine Olido: neste sábado (21/2), às 19h, e na terça (24/2), às 17h. Entrada a R$ 1,00. Até 25/2/2015.
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  • Concorrentes em várias categorias da premiação estão em exibição nas salas da cidade
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  • Pai e filho atuam respectivamente em Ninfomaníaca — Volume 1 e Pelos Olhos de Maisie
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  • Os nacionais Minhocas e O Menino e o Mundo estão entre as sugestões
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  • Com entrada grátis, a mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo ocupa a Cinemateca deste sábado (30) até 21 de fevereiro. Serão exibidos dezesseis longas-metragens, alguns deles inéditos no circuito e outros recém-saídos dos cinemas, a exemplo de Beira-Mar. Umas das melhores atrações é Quando Eu Era Vivo, de Marco Dutra, misto de terror e drama familiar, estrelado por Antonio Fagundes e Marat Descarte. Até 27/2/2016. Confira a programação: Quinta, 4 de fevereiro 19h - Castanha (2014), de Davi Pretto Sexta, 5 de fevereiro 19h - Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças (2014), de Arthur Tuoto Sábado, 6 de fevereiro 17h - Quando Eu Era Vivo (2014), de Marco Dutra 19h - O Animal Sonhado (2014), de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes 21h - Ventos de Agosto (2014), de Gabriel Mascaro Domingo, 7 de fevereiro 16h - Eles Voltam (2012), de Marcelo Lordello 18h - Feio, Eu? (2013), de Helena Ignez 20h - A Seita (2014), de André Antonio Quinta, 11 de fevereiro 19h - Teobaldo Morto, Romeu Exilado (2014), de Rodrigo de Oliveira 21h - A Misteriosa Morte de Pérola (2014), de Guto Parente e Ticiana Augusto Lima Sexta, 12 de fevereiro 19h - Feio, Eu? (2013), de Helena Ignez 21h - Paixão e Virtude (2014), de Ricardo Miranda Sábado, 13 de fevereiro 17h - Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças (2014), de Arthur Tuoto 19h - Beira-Mar (2015), de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon 21h - Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós Área Externa 20h30 - Califórnia (2015), de Marina Person Domingo, 14 de fevereiro 16h - O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos (2015), de Dellani Lima 18h - Avanti Popolo (2012), de Michael Wahrmann 20h - Eles Voltam (2012), de Marcelo Lordello Quinta, 18 de fevereiro 19h - Califórnia (2015), de Marina Person 21h - Castanha (2014), de Davi Pretto Sexta, 19 de fevereiro 19h - A Seita (2014), de André Antonio 21h - Quando Eu Era Vivo (2014), de Marco Dutra Sábado, 20 de fevereiro 17h - Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós 19h - A Misteriosa Morte de Pérola (2014), de Guto Parente e Ticiana Augusto Lima 21h - O Animal Sonhado (2014), de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes Domingo, 21 de fevereiro 16h - O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos (2015), de Dellani Lima 18h - Paixão e Virtude (2014), de Ricardo Miranda 20h - Teobaldo Morto, Romeu Exilado (2014), de Rodrigo de Oliveira Quinta, 25 de fevereiro 18h - Castanha (2014), de Davi Pretto 20h - Aquilo que Fazemos com as Nossas Desgraças (2014), de Arthur Tuoto Sexta, 26 de fevereiro 17h - Quando Eu Era Vivo (2014), de Marco Dutra 19h - O Animal Sonhado (2014), de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes 21h - Ventos de Agosto (2014), de Gabriel Mascaro Sábado, 27 de fevereiro 16h - Eles Voltam (2012), de Marcelo Lordello 18h - Feio, Eu? (2013), de Helena Ignez 20h - A Seita (2014), de André Antonio
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  • Ao entrar na exposição O Pequeno Príncipe, em cartaz no Shopping JK Iguatemi, o visitante ganha um passaporte. Nele e nas treze atrações da mostra são reproduzidas as mensagens de amor e amizade presentes no livro homônimo, escrito há setenta anos pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. Uma das instalações mais bacanas retrata a passagem em que o protagonista viaja a diversos planetas e encontra personagens, como O Rei e O Vaidoso. Entre as obras interativas, encanta a esfera vermelha que projeta imagens de pássaros na parede ao ser colocada na palma da mão. No fim do passeio, depois de percorrer um labirinto, as crianças encontram estrelas de papel. Elas podem escrever seus desejos e pendurá-los em uma árvore. Há também oficinas de chocolate e papel reciclado. A curadoria é de Sheila Dryzun. Esta exibição já passou pela cidade em 2009, quando foi montada na Oca do Ibirapuera em outro formato. Vale o aviso: vai aproveitar melhor a visita a garotada a partir de 6 anos. Até 23/2/2014.
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  • Catorze apresentações integram a quarta edição do Festival de contadores de Histórias, no Centro Cultural do Banco do Brasil. O evento comemora o aniversário de 460 anos da cidade e reúne narrativas que retratam a capital. Na programação, Kiara Terra convida a criançada a relatar suas próprias experiências no domingo (26/1/2014), às 14 horas. Há a oportunidade de assistir a uma exibição em libras. Nesse formato, Marcela Mantovani conta o Roubo do Martelo no sábado (25/1/2014), às 16h.
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  • Um recorte de uma das coleções particulares mais importantes do mundo promete lotar o Centro Cultural Banco do Brasil nas próximas semanas. Visões na Coleção Ludwig traz 78 trabalhos adquiridos pelo empresário alemão da indústria de chocolates Peter Ludwig (1925-1996). A quantidade de peças obtidas foi tamanha — oficialmente chegou a 20.000, mas há quem diga que eram 50.000 — que suas doações deram origem a diversos museus. No período mais ativo, ele chegou a comprar um item por dia, que variava de arte pré-colombiana a manuscritos medievais, passando pela vanguarda russa. As obras exibidas nos cinco andares do CCBB foram escolhidas do acervo do Museu Russo de São Petesburgo, e sobressai a seleção de pop art. Estarão reunidos exemplares de grandes nomes desse movimento, como Andy Warhol (um retrato do próprio Ludwig), Jasper Johns, Roy Lichtenstein e Claes Oldenburg. Do neoexpressionismo alemão, que retomou a pintura na década de 80, há Georg Baselitz, Markus Lüpertz e Anselm Kiefer. A mostra ainda apresenta uma pintura de Pablo Picasso (um dos preferidos de Ludwig) e uma tela de Jean-Michel Basquiat, famoso por graftar muros em Nova York. De 25/1/2014 a 21/4/2014.
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  • Exposições

    Cinco mostras badaladas que estreiam no primeiro semestre

    Atualizado em: 17.Jan.2014

    Instalações que passaram por vários países chegam a São Paulo
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  • Com direção de Marco Antônio Braz, o drama Bola de Ouro vai além de apresentar a obra do autor francês Jean - Pierre Sarrazac, até então inédito no Brasil. Em monólogos ou diálogos, Celso Frateschi, Walter Breda, Marlene Fortuna e Luiz Amorim interpretam personagens que, na década de 60, tentaram mudar o mundo. Hoje, percebem que suas ideias envelheceram e pouco restou do idealismo. E pior: fica visível a adequação de cada um ao sistema. A comprovação do fracasso se dá diante da relação deles com uma estagiária de jornalismo (a atriz Carolina Gonzalez), que pouco se importa com as causas coletivas. Em uma encenação limpa, o texto é valorizado ao extremo e transmite sua mensagem com qualidade. Mesmo que abra mão de tornar o espetáculo mais palatável, Braz dispensa o óbvio e concentra as forças nas palavras. Frateschi e Breda mostram firmeza no discurso, mas algumas vezes a verborragia aproxima a montagem de um recital. Estreou em 14/11/2013. Até 7/3/2014.
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  • Ricardo III, A Morte de Ivan Ilitch e Nossa Cidade estão em cartaz
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  • Em um território inimigo, um soldado subverte as ordens recebidas e, na hora de bombardear o alvo, monta uma operação em nome dos conceitos de liberdade em que acredita. Montagem do grupo Barracão Teatro, o monólogo cômico WWW para Freedom foi escrito por Tiche Vianna e Esio Magalhães, também protagonista e diretor, e traz uma boa ideia. Magalhães, no entanto, economiza na melancolia e se excede no tom bem-humorado do seu palhaço. A reflexão cede espaço a um riso passageiro e resulta em uma inegável diversão, mas sem a profundidade sugerida por um tema atual e contundente. Estreou em 7/7/2006. Até 23/2/2014.
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  • Metá Metá, Jards Macalé, Potencial 3 e Rashid estão entre as atrações do Parque Villa-Lobos e do Parque Ecológico do Tietê no sábado (25)
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  • O nome e o perfume

    Atualizado em: 17.Jan.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO