Segurança

Rodovia Imigrantes tem alta nos números de casos de roubo

No final de maio, tentativa de assalto no final da serra acabou em morte

Por: Bárbara Öberg - Atualizado em

Congestionamento Imigrantes
Congestionamento na via: os carros tornam-se alvo fácil para os bandidos (Foto: Luis Cleber / Estadão Conteúdo)

Na última segunda (30), por volta das 5h20, um grupo de cinco pessoas seguia tranquilamente de Santos para São Paulo na Rodovia dos Imigrantes. Até que acabou surpreendido por uma dupla de garotos armados em um Siena dirigido em alta velocidade. Os bandidos tentavam, a qualquer custo, lançar o outro veículo ao acostamento. “Eles jogavam o carro para cima do nosso e, quando desviamos, atiraram pedras e nos ameaçaram mostrando os revólveres”, descreve Milena Macedo, uma das passageiras. A turma só saiu ilesa do ataque porque o motorista conseguiu alcançar um posto policial e os assaltantes seguiram viagem. “Foram minutos de terror”, lembra Milena.

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Fazia apenas quatro dias que Reinaldo Lima de Souza Júnior, de 17 anos, havia morrido na mesma altura, depois de ser atingido por uma pedra de aproximadamente 10 quilos, arremessada contra o vidro do veículo onde estava. O crime ocorreu às 21h50, na altura do quilômetro 59, no final do percurso de serra -- dois suspeitos foram presos na sexta (3). O adolescente morava na capital e passaria o feriado na Baixada. Naquele mesmo dia, outros cinco automóveis acabaram atingidos por rochas e galhos no trecho.

Quando comparados os registros dos primeiros cinco meses de 2015 e 2016, o número de roubos está em alta na Imigrantes (de 110 para 165), segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Na Anchieta, houve uma diminuição (de 206 para 162). Trafegam pelo Sistema Anchieta-Imigrantes cerca de 115 000 veículos por dia, em média.

Reinaldo Júnior - Pedrada Imigrantes
O veículo atingido pela pedra que matou Reinaldo (abaixo): por enquanto, sem culpados (Foto: A Tribuna da Santos / Folhapress)

São dois os principais tipos de ação: uso de obstáculos e pedras para barrar os condutores, em horários de trânsito fluente, ou abordagem durante os engarrafamentos. Para Manoel Gatto Neto, titular da Delegacia Seccional de Polícia de Santos, esses problemas têm ligação direta com o cinturão de favelas que continua crescendo ao redor das rodovias e serve de abrigo aos criminosos. Só a Vila Esperança tem população estimada em 20 000 pessoas.

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“Os bandidos não têm nenhuma estratégia e não estão atrás de grandes quantias”, explica Neto. “Costumam roubar itens como celular, dinheiro e relógio e depois sumir pela viela mais próxima.” Mesmo que improvisadas, as ações mantêm um padrão. A maioria delas acontece no horário da noite, durante os picos de trânsito, principalmente em feriados e na alta temporada. “Eles chegam em bandos, atacam e vão embora rapidamente”, afirma Gatto Neto.

Reinaldo Lima de Souza Júnior
Reinaldo Lima de Souza Júnior, de 17 anos: vítima fatal na rodovia Imigrantes (Foto: Reprodução Facebook)

No fim do ano passado, ônibus também se tornaram alvos. Um dos episódios ocorreu em outubro. Perto de Cubatão, um fretado foi parado, por volta das 18h20, e seus passageiros tiveram pertences saqueados. No total, as vítimas contabilizaram uma gangue de dezoito pessoas na abordagem. “Dá até um nervoso quando passamos por ali”, diz o economista Guilherme Monteiro, que cruza a área com frequência. O pedágio na Imigrantes no sentido São Paulo-Santos é de 23 reais, o posto mais caro do estado. O mínimo que se poderia esperar das autoridades, com essa tarifa salgada, é uma estrutura que permita trafegar com tranquilidade pelo pedaço. 

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A partir de novembro de 2015, a Ecovias instalou 118 pontos de luz e três câmeras de monitoramento na Imigrantes. O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, anunciou na tarde do último sábado (28) uma série de novas medidas, que ainda deverão ser discutidas e aprovadas em conjunto com a concessionária. O objetivo é reforçar a segurança nos locais críticos. Também há a intenção de ampliar a área de dois muros construídos às margens do asfalto.

Imigrantes - muro
O paredão próximo à favela Vila Esperança: ponto de risco (Foto: Davi Ribeiro)

Finalizados em maio, os dois paredões com 3 metros de altura estendem- se do quilômetro 68 ao 68,8, perto da favela México 70, em São Vicente, e do quilômetro 58,5 ao 59,5, ao lado da Vila Esperança, em Cubatão. Alguns motoristas e moradores da região reclamam que essas estruturas, na prática, servem de esconderijo aos bandidos. “Eles vieram por trás da parede, de uma hora para a outra, e estraçalharam meu carro”, conta Arnaldo dos Santos Júnior. O automóvel foi abordado no último dia 26, mas o condutor conseguiu escapar ileso dos criminosos.

Para a família de Reinaldo Lima de Souza Júnior, o que resta é torcer ao menos por avanços nas investigações sobre sua morte. Há dois suspeitos por enquanto, mas nenhum apontado como culpado. Bom filho, o adolescente ajudava a cuidar de dois irmãos, um de 2 anos e um de 16, que enfrenta um linfoma. “Desta vez, a vítima foi ele. Amanhã será outro, e depois mais um, se nada mudar urgentemente”, diz a mãe, Helena Amaro.

ROTA DE FUGA

Cinco dicas para escapar de situações de risco durante o trajeto nas estradas

› Caso seja vítima de falha mecânica ou de apedrejamento, tente seguir viagem até um local seguro, como uma base policial ou um posto de gasolina

› Durante um congestionamento, mantenha os vidros fechados e as portas trancadas

› É recomendável realizar viagens durante o dia, quando o motorista tem melhor visibilidade da pista

› Não pare no acostamento para dar telefonemas, tirar fotos nem por outros motivos não emergenciais

› Faça a revisão das condições gerais do veículo antes de iniciar a viagem. Automóveis quebrados tornam-se alvo fácil

Fonte: Capitão Jefferson Aurélio Cansian, da PM-SP

Fonte: VEJA SÃO PAULO