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Roberto Carlos se apresenta em São Paulo com plateia só de mulheres

Entre as muitas famosas prestigiaram o evento, Hebe Camargo subiu ao palco do rei

Por: Manuela Nogueira - Atualizado em

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Hebe Camargo enxuga as lágrimas do cantor: fortes emoções (Foto: Cida Souza)

Roberto Carlos estava atrasado. À espera do rei, mais de 2 500 mulheres aguardavam de vestido, salto alto e maquiagem de festa. Gerações de fãs lotaram o Auditório Celso Furtado, no Anhembi, no último dia 21, para assistir a um espetáculo exclusivo para elas — a presença masculina se restringia a catorze músicos da banda. “Vir com marido e filho seria muito chato”, disse a advogada Karen Paselar. “Eles foram para o shopping, e eu aproveitei para convidar a minha mãe.”

A plateia estava completa às 18 horas, horário programado para o início do evento. Por volta das 18h30, uma, duas, centenas de mulheres começaram a gritar: “Roberto, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”. Enquanto ele não aparecia, muitas se entretinham com a chegada de celebridades. A cantora de axé Claudia Leitte trouxe a mãe. A garota de Ipanema, Helô Pinheiro — aquela que em priscas eras encantou Vinicius de Moraes com seu “doce balanço a caminho do mar” —, veio com a filha, Ticiane. A sertaneja Roberta Miranda tentou definir o galã. “Ele é um homem com alma de mulher”, afirmou. “Entende como ninguém o universo feminino.”

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Adenilde Guise, Maria Inês Tercitano e sua mãe, Niña: presente especial para o artista (Foto: Cida Souza)

Quem teve a ideia de um show nesse formato foi Hebe Camargo, tiete declarada. “Os maridos geralmente sentem ciúme do amor que as mulheres nutrem pelo Roberto”, explicou. Quando a apresentadora entrou no local, as seguranças (todas do sexo feminino) tiveram trabalho, tamanho o assédio. Hebe subiu ao palco com a ajuda de duas assistentes: “Senhoras e senhoras, com vocês, o nosso amor”. Antes mesmo de as cortinas se abrirem, às 18h45, houve uma gritaria coletiva.

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Rosa Inforzato não conseguiu entregar a foto de 1972: “Eu amo o Roberto mesmo assim” (Foto: Cida Souza)

Quando Roberto apareceu, algumas mulheres colocaram a mão no coração, arrumaram o decote e balançaram o cabelo. “Para mim, o momento mais especial é a entrada no palco”, disse a dona de casa Rosa Inforzato, que já perdeu as contas de a quantos shows do ídolo assistiu. “Se ele cantar ‘Batatinha quando nasce’, eu vou me emocionar do mesmo jeito.” Felizmente, ele começou com “Emoções”. Ao interpretar “Além do Horizonte”, o rei, envergonhado, tapou os olhos durante os versos “Se amar na relva / Escutando o canto dos pássaros”. Alguma fã, sem vergonha, aproveitou a deixa e gritou “Roberto, eu quero te amar na relva”. Foi a primeira de muitas confissões picantes, que pareciam mais adequadas a um show do Wando.

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Momento família: a cantora Claudia Leitte com a mãe, Ilna (Foto: Cida Souza)

Silêncio mesmo só em “Detalhes”. Em compensação, foi um alvoroço quando Hebe subiu ao palco e os dois fizeram um dueto com “Você Não Sabe”. Ele chorou e ela enxugou suas lágrimas com as mãos. Em um momento mais descontraído, o artista brincou com as fãs. “Por favor, não digam aos seus maridos que eu passei este show cantando as mulheres dos outros.” Mas o ápice da apresentação ocorreu com a sequência de músicas com alto componente erótico: “Proposta”, “O Côncavo e o Convexo” e “Cavalgada”. Dali a alguns minutos, as mesmas senhoras que deliravam ao ouvir “Vou me agarrar aos seus cabelos / Pra não cair do seu galope” estavam de mãos dadas para entoar “Jesus Cristo”. Era a bênção final.

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Mãe e filha: a garota de Ipanema, Helô Pinheiro, com Ticiane (Foto: Cida Souza)

O último ato foi a entrega de rosas brancas e vermelhas. Uma fã vibrou tanto quando agarrou a flor que ela se despedaçou. “Esta é a terceira vez que recebo uma rosa da mão dele”, comemorou a aposentada Adenilde Guise. As duas primeiras secaram e morreram. Desta vez, Adenilde pretende levá-la a um artesão para que fique seca e possa guardá-la em um caderno. A artista plástica e pianista Maria Inês Tercitano pintou um quadro para o cantor e deixou-o sobre o palco. “Tenho certeza de que ele entoou ‘Jesus Cristo’ olhando para a minha pintura.” Rosa Inforzato não teve a mesma sorte. Trouxe uma fotografia tirada com o rei em 1972, mas não conseguiu se aproximar para entregar o retrato. “Não tem problema”, afirmou. “Eu amo o Roberto mesmo assim.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO