Exposição

Robert Rauschenberg

Mostra no Instituto Tomie Ohtake repassa a trajetória do americano Robert Rauschenberg

Por: JONAS LOPES - Atualizado em

Robert Rauschenberg
Robert Rauschenberg (Foto: Divulgação)

Um dos mais emblemáticos nomes da arte americana no século passado, Robert Rauschenberg (1925-2008) é considerado um elo entre os dois principais movimentos de seu país: o expressionismo abstrato e a pop art. Provocador e herdeiro das experimentações de Marcel Duchamp (1887-1968), ele se tornou conhecido pelos métodos na época incomuns de criação. Rauschenberg fazia enormes colagens a partir de imagens preexistentes — de símbolos da mídia e da indústria de massa até pedaços de sucata e citações de pinturas renascentistas — e então as imprimia utilizando técnicas de gravura, a exemplo de serigrafi a e litografi a. Nenhum ícone pop escapava de sua visão ferina, da bandeira dos Estados Unidos à família Kennedy, passando pelo indefectível logotipo da Coca-Cola.

O estilo tão peculiar, que pode ser visto na valiosa retrospectiva de 98 peças no Instituto Tomie Ohtake, nasceu de modo irreverente. Em 1953, o artista pediu ao amigo e compositor John Cage que passasse de carro, cujos pneus estavam lambuzados de tinta, por cima de folhas de papel unidas por fi ta adesiva. Assim, o veículo funcionou como prensa e os pneus, como matriz. O resultado desse processo ganhou o nome de Automobile Tire Print.

Rauschenberg mantinha uma relação carinhosa com o Brasil. Sua primeira exposição de porte internacional aconteceu na Bienal de São Paulo, em 1959 (também teve trabalhos exibidos nas edições de 1967, 1994 e 1998). Chegou a ajudar no planejamento da mostra atual ao fazer uma seleção de obras especialmente pensada para o país. Pretendia vir à abertura. Depois de sua morte, em maio do ano passado, a montagem foi reformulada para traçar um perfi l mais amplo de sua trajetória.

Instituto Tomie Ohtake. Rua Coropés, 88, Pinheiros, ☎ 2245-1900. Estac. (R$ 7,00). Terça a domingo e feriados, 11h às 20h. Grátis. Até 21 de fevereiro de 2010. A partir de quarta (16).

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO