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Revitalização da Favela Real Parque está em xeque

Moradores do Morumbi protestam contra urbanização da região

Por: Daniel Salles - Atualizado em

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Os terrenos, nos quais está prevista a construção de 28 conjuntos habitacionais: impasse (Foto: Fernando Moraes)

A prefeitura iniciou em setembro uma faxina para alterar a fisionomia da Favela Real Parque, na região do Morumbi, habitada por quase 4.000 pessoas. Orçadas em 140 milhões de reais, as melhorias preveem a substituição dos barracos existentes por 28 conjuntos habitacionais, em um total de 1.135 apartamentos. Cada unidade, de 55 metros quadrados, terá dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. Praças e quadras poliesportivas também estão no projeto. Apenas os atuais residentes da favela — cadastrados em 2008, antes do anúncio de sua urbanização — poderão se mudar para esses conjuntos. De forma geral, eles gostaram da notícia do início das obras, que deverão durar dois anos. 

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Projeto: substituição dos barracos existentes por 28 conjuntos habitacionais, em um total de 1 135 apartamentos (Foto: Divulgação)

O sentimento, porém, não é partilhado por alguns moradores de prédios vizinhos, de alto padrão. Motivo da discórdia: parte dos conjuntos habitacionais será construída em dois terrenos atualmente vagos, que custaram 7,5 milhões de reais. “Não somos contrários às melhorias, mas deveríamos ter sido consultados sobre a incorporação dessas áreas”, diz o empresário Luis Paulo Netto, que afirma representar os condôminos de nove edifícios próximos. “A prefeitura decidiu ampliar o atual perímetro da favela e vai deixar espaços livres no meio dela, nos quais surgirão novos barracos”, acredita o engenheiro Antônio Nogueira. “Faltam ainda estudos de impacto ambiental e no trânsito da região.”

Com um pedido de suspensão das obras, o grupo protocolou em dezembro uma denúncia no Ministério Público, ainda em análise. Incomodado com as queixas, o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite, assegurou que a revitalização seguirá conforme o programado. “Não podemos transformar casebres em moradias dignas utilizando o mesmo espaço físico”, afirma. “O que deve estar causando incômodo à vizinhança é a ausência no projeto de um muro cercando toda a favela”, provoca.

Fonte: VEJA SÃO PAULO