Segurança

Restaurantes apostam em refeições à sombra de árvores

Em tempos ecologicamente corretos, restaurantes e bares paulistanos apostam em áreas verdes ao redor de suas mesas

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

A conversa sobre preservação ambiental foi parar na cozinha. Ou quase lá. Em tempos ecologicamente corretos, restaurantes e bares paulistanos apostam em áreas verdes ao redor de suas mesas para chamar freguesia. "Todo mundo gosta de comer no jardim", afirma o paisagista Gilberto Elkis. Conhecido por ter clientes famosos como a apresentadora Eliana e a atriz Malu Mader, ele conta que nos últimos três anos vem trabalhando para endereços variados da gastronomia – do japonês Kosushi ao contemporâneo D.O.M. "No momento, cuido de três projetos do tipo", diz. Num giro pela cidade é possível encontrar uma série de locais onde almoçar ou jantar à sombra de árvores já faz parte do programa.

Inteiramente bolado em torno de uma figueira instalada há 81 anos na Rua Haddock Lobo, A Figueira Rubaiyat é o mais célebre deles. A poucos metros dali, três seringueiras funcionam como chamariz do francês Chef Rouge – a mais alta alcançou o 8º andar do prédio vizinho –, que anualmente precisa reformar o teto por causa do crescimento dos galhos e copas. Nos fins de semana, conseguir uma das cinco mesas perto delas demora o dobro da espera por um lugar no salão. "É o pedaço mais concorrido", conta Vanessa Fiuza, uma das sócias. Sucesso em Trancoso, no litoral baiano, o Capim Santo aposta no verde para recriar o climão de praia por aqui. No terreno onde fica, no Jardim Paulista, há 27 palmeiras, pitangueiras e outras espécies. "Escolhi o lugar justamente por essa floresta", derrete-se a chef Morena Leite. "Fiquei apaixonada."

Quando o ponto não vem com vegetação própria, vale improvisar. O Bar D'A Rua, no Itaim, plantou uma jabuticabeira de 6 metros de altura na entrada. "Temos dois seguranças para cuidar dela", afirma Claudio Carotta, um dos donos, sobre a estrela local, monitorada 24 horas. Também preocupado, Belarmino Iglesias, proprietário do A Figueira, instalou no mês passado duas câmeras para vigiar sua árvore. Será mais um de seus cuidados – o restaurante dispõe de um time coordenado por um biólogo, que analisa a árvore diariamente. Em geral, gastam-se de 2.000 a 5.000 reais mensais com manutenção. E há quem não possa dormir em serviço, como o caseiro Daniel Silva, funcionário do bar Pé de Manga, na Vila Madalena. Sua missão: arrancar semanalmente as quinze frutas, em média, antes que caiam das três mangueiras dali. "Já pensou se uma delas despenca na cabeça de alguém?", diz Wilson Pimentel, sócio da casa.

Fonte: VEJA SÃO PAULO