Cinema

'Reflexões de um Liquidificador' é marcado pelo humor negro

Comédia policial de André Klotzel estreia nesta segunda (9), no Espaço Unibanco

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Reflexões de um liquidificador - 2177
A atriz Ana Lúcia Torre: um papel grande e inusitado (Foto: Beatriz Lefévre)

Diretor de ‘A Marvada Carne’ (1985) e ‘Memórias Póstumas’ (2001), o paulistano André Klotzel quer agitar o circuito cinematográfico com a estreia de seu quarto longa-metragem. ‘Reflexões de um Liquidificador’ chega à tela do Espaço Unibanco na segunda (9) — não numa sexta-feira, como de costume — e terá sessões a preços diferenciados, entre R$ 4,00 (às 14h) e R$ 16,00 (às 20h e 22h). Antes das duas últimas projeções, Marcelo Mansfield, Carol Zoccoli e outros nomes da stand-up comedy fazem rápidas apresentações. Está programada também a exibição de curtas. Todas essas novidades são legais, mas, é bom dizer, só o filme já vale o ingresso.

Em gêneros pouco explorados na filmografia nacional, Klotzel não usa meio-termo para fisgar o espectador com uma comédia policial de humor muito negro. Na trama, a sexagenária Elvira (Ana Lúcia Torre) vai à delegacia comunicar o desaparecimento do marido (Germano Haiut). Sai de lá apontada como a principal suspeita. O roteiro, então, retrocede no tempo para mostrar um velho liquidificador (que tem a voz de Selton Mello) mudar a rotina dessa humilde dona de casa. Amigo e confidente, o eletrodoméstico acabou se tornando uma válvula de escape para as tensões do cotidiano de Elvira.

Além de enquadrar uma São Paulo fora dos cartões-postais, a fita traz outros méritos. Um dos principais é dar papel importante e inusitado à grande atriz Ana Lúcia Torre, que vive sua primeira protagonista no cinema em quatro décadas de carreira. Também são bacanas as atuações dos coadjuvantes Fabiula Nascimento (a vizinha), Aramis Trindade (o investigador) e Marcos Cesana (o carteiro), morto em maio, em um de seus derradeiros trabalhos. Klotzel, cineasta de 56 anos, captou bem o tom espirituoso do roteiro. Embora seja previsível e tenha um desenlace indefinido, a história cativa pelo absurdo e pelo tom abusadamente trash.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO