Música

Obra de Elis Regina será disponibilizada na internet

Promessa é de João Marcello Bôscoli, filho da cantora, que captou 5,8 milhões de reais para projeto que marcará trinta anos de morte da artista

Por: Alexandre Aragão - Atualizado em

João Marcello Bôscoli
O produtor João Marcello Bôscoli: quer manter viva a memória de Elis (Foto: Cleones Ribeiro/Divulgação)

Em 19 de janeiro de 2012 completam-se trinta anos da morte de Elis Regina. Uma das maiores estrelas da música nacional, a cantora gaúcha de temperamento explosivo (o que lhe rendeu o apelido de Pimentinha) foi encontrada morta em seu apartamento na Rua Melo Alves, vítima de uma overdose de cocaína. Tinha apenas 36 anos.

Uma série de homenagens começa a ser preparada. A principal delas, batizada de “Redescobrindo Elis”, é capitaneada pelo empresário João Marcello Bôscoli, um de seus três filhos. Trata-se de um “combo” com exposição de fotos e objetos da cantora, um documentário, biografia e shows da irmã dele, Maria Rita, com repertório da mãe. O evento prevê também o relançamento de toda a discografia de Elis, que ficará disponível na internet, como ele relata na entrevista a seguir.

Veja São Paulo — É difícil reconstituir a trajetória de um familiar famoso? João Marcello Bôscoli — As pessoas ainda têm uma memória muito viva dela. Todo mundo que encontra alguém tão forte, ainda mais por ela ter morrido jovem, acaba ficando marcado de alguma maneira. Encontramos muito material porque a Elis foi uma artista que surgiu para o país por meio da televisão, trabalhou na Record, na Globo e na Band. A ideia é reunir os principais discos, os marcos da carreira, imagens de shows aqui e fora do Brasil e que tudo isso seja facilmente acessado pelo público.

Elis Regina João Marcello Bôscoli
Elis Regina e João Marcello: cantora morreu quando o filho tinha 11 anos (Foto: Dario de Freitas)

Veja São Paulo — Como é feita a pesquisa? João Marcello Bôscoli — Quando anunciamos o Redescobrindo Elis, muitos fãs começaram a enviar material. Recebi um álbum de fotografia de casamento e uma carteira de trabalho do primeiro emprego dela, numa rádio gaúcha. Minha mãe tinha jogado esses objetos fora, mas uma ex-funcionária resgatou e guardou por quase quarenta anos. Isso tudo estava perdido por aí, mas as pessoas têm carinho e, quando sabem do projeto, mandam para mim. Nosso papel agora é compilar e editar isso.

Veja São Paulo — E o que será feito em relação aos discos? João Marcello Bôscoli — Nossa principal iniciativa é organizar o site oficial e deixar lá todos os discos para as pessoas baixarem de graça. Esses álbuns já existem na internet, o que a gente vai fazer é colocar tudo num lugar só, de maneira organizada e com informações.

Veja São Paulo — Em que pé está o projeto? João Marcello Bôscoli — Esse ano é o ano da preparação, dos projetos. É o momento de convidar os profissionais que vão estar envolvidos e fazer a venda para os patrocinadores.

Veja São Paulo — Quanto foi captado? João Marcello Bôscoli — A gente captou 5,8 milhões de reais.

Veja São Paulo — Que empresas investiram? João Marcello Bôscoli — A empresa ainda não quer que divulgue.

Veja São Paulo — Então foi uma única empresa? João Marcello Bôscoli — Foram duas. Não queríamos trabalhar com muitas. E gosto de lembrar que tudo que será oferecido para o público por meio do “Redescobrindo...” será de graça: a exposição, o livro, o documentário e os shows.

Veja São Paulo — Você considera que é seu papel manter viva a história da Elis? João Marcello Bôscoli — Eu diria que é contribuir para essa manutenção, que na verdade já é feita pelos fãs. A quantidade de vídeos na internet, e o número de pessoas que acessam diariamente são bem grandes. A Elis não precisa de ninguém, só do público.

Fonte: VEJA SÃO PAULO