Saúde

Carioca Rede D´Or investe em hospitais em São Paulo

Grupo que pertence ao cardiologista e empresário Jorge Moll fez aquisções de peso na região metropolitana

Por: Giuliana Bergamo

Rede D´Or 2225 - Jorge Moll
Jorge Moll, o dono da empresa: "Nossas ambições não têm limites" (Foto: Selmy Yassuda)

Até o mais bairrista dos cariocas sabe que, no quesito medicina, eles estão bem atrás de nós. Não há, no Rio de Janeiro, nada que se equipare à excelência dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês ou Oswaldo Cruz. Nem mesmo isso intimidou o cardiologista e empresário Jorge Moll, dono da Rede D’Or, que possui alguns dos principais centros de tratamento de saúde da capital fluminense. No intervalo de poucos meses, o grupo comandado por ele fez cinco aquisições de peso na Grande São Paulo. Em setembro do ano passado, logo depois de comprar o Hospital Brasil, em Santo André, arrematou de uma vez as três unidades do São Luiz (no Itaim, no Morumbi e no Jardim Anália Franco) por 1 bilhão de reais, financiados pelo BTG Pactual. Em seguida, fincou bandeira no Assunção, em São Caetano — cidade onde, desde março, está sendo construído mais um São Luiz.

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A chegada do grupo foi amparada pelo aquecimento do mercado, fruto da ascensão à classe C de brasileiros que podem, enfim, pagar por planos de saúde. Nos últimos quinze meses, 590.000 paulistanos passaram a ser segurados, totalizando uma rede de 6,6 milhões de usuários. “Investir em saúde tornou-se, mais do que nunca, um grande negócio”, diz o clínico geral Rodolfo Milani, da Aon Gestão e Consultoria em Riscos. Assim como a Rede D’Or, grandes operadoras têm comprado hospitais. A Amil já tem doze unidades em São Paulo. Entre elas estão os dois Metropolitano, na Lapa e no Butantã, e o Paulistano.

A lógica da expansão é a mesma de outros setores: aumentar o poder de barganha com fornecedores e diminuir custos. Algo elementar para o mundo dos negócios, mas que deixa boa parte dos médicos de cabelo em pé. A pressão por resultados em centros de atendimento privados acaba, muitas vezes, por piorar o serviço, com achatamento de salários, consultas cada vez mais rápidas e uma infinidade de exames desnecessários. Ainda não há sinais de que esse seja o destino do São Luiz. “Mas tem muita gente com medo do que pode vir por aí”, diz uma cardiologista que preferiu não se identificar.

Rede D´Or 2225 - maternidade São Luiz
Suíte presidencial da maternidade São Luiz: a obra prevê novos leitos (Foto: Fernando Moraes)

Por enquanto, as maiores mudanças são na estrutura predial. No São Luiz do Itaim, a previsão de investimentos em reformas é de 35 milhões de reais. Além de uma suíte presidencial recém-inaugurada, a maternidade ganhará, até outubro, quarenta apartamentos — hoje são 100. A emergência passará dos atuais 700 para 1.600 metros quadrados, com dezoito novos leitos de repouso. Há também a promessa da ampliação das salas de parto, e o centro obstétrico deve receber equipamentos mais modernos de cirurgia e monitoramento de bebês.

Rede D´O 2225 - Jorge Moll Neto
Jorge Moll Neto: ele quer trazer o Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino para a capital (Foto: Selmy Yassuda)

Por trás de tudo isso, está o médico com espírito de empresário Jorge Moll. Cardiologista especializado em exames complementares, ele começou a investir na área em 1977, quando abriu seu primeiro laboratório. Nascia ali o Grupo Labs, hoje com cinquenta unidades. No fim da década de 90, Moll deu mais um importante passo ao transformar o antigo hotel Copa D’Or, em Copacabana, no hospital que recebeu o mesmo nome. Em seguida, comprou outro ainda em construção na Barra da Tijuca. Finalizou a obra e, em 1998, inaugurou o Barra D’Or. Hoje, o grupo é o maior operador independente de hospitais privados (não ligados a planos) do país. São 22 unidades entre Rio, Recife e São Paulo.

Enquanto não faz mais aquisições — ele não revela quais, mas afirma já ter novos alvos —, a rede pretende montar aqui, até 2012, um braço do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (ID’or), dirigido pelo neurocientista Jorge Moll Neto, um dos cinco filhos do fundador. Além disso, faz parte dos planos do grupo ampliar o número de leitos de UTI e qualificar os hospitais recém-comprados para que sejam reconhecidos por organizações internacionais como a Joint Commission. “Nossas ambições paulistanas não têm limites”, diz Jorge Moll.

Fonte: VEJA SÃO PAULO