Trânsito

Radar campeão de multa na cidade flagra um motorista a cada 4 minutos

Número de aparelhos dobrou nos últimos quatro anos, e multas cresceram mais de 250%

Por: Silas Colombo

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Avenida Salim Farah Maluf, na altura do número 4900, após a Rua Fausto Cleva (sentido Vila Prudente) (Foto: Fernando Moraes)

O uso de equipamentos eletrônicos para monitorar as ruas e avenidas da capital vem se intensificando bastante nos últimos tempos. Entre 2008 e 2012, o número de aparelhos especializados em flagrar carros por excesso de velocidade mais que dobrou, aumentando de 250 para 587. No mesmo período, o total de multas aplicadas por esse grupo de radares cresceu 255%. Isso indica que a batalha para melhorar a civilidade no trânsito com o emprego intensivo da tecnologia ainda está longe de ser vencida.

O fiscal eletrônico que mais trabalha na metrópole fica na altura do número 4900 da Avenida Salim Farah Maluf, no sentido da Vila Prudente, na Zona Leste. No ano passado, ele registrou a passagem por lá de 120 903 motoristas que ignoraram o limite de 60 quilômetros por hora para aquela via, o que dá uma média espantosa de uma multa a cada quatro minutos. O segundo colocado nesse ranking (abaixo), com 107 424 autuações no período, está instalado na pista central da Marginal Tietê, nas proximidades da Ponte da Casa Verde.

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2º lugar: Marginal Tietê, pista central, após a Ponte da Casa Verde (sentido Rodovia Castelo Branco) (Foto: Lucas Lima)

O campeão de flagrantes chegou à Salim Farah Maluf em novembro de 2010. Se fosse visto meramente como um negócio, seria um dos melhores empreendimentos disponíveis na praça. Custou cerca de 35 000 reais e rende porano mais de 10 milhões de reais aos cofres públicos. Mas ele não foi colocado naquele local para virar uma máquina de arrecadação. A ideia da prefeitura era resolver um antigo problema de segurança na avenida.

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(Foto: Veja São Paulo)

Naquele trecho, depois de um semáforo, há uma grande reta, com uma subida no final. Não raro, os condutores que exageravam no acelerador perdiam o controle do carro, indo parar na mureta da praça da Rua Cipriana Martinez Zonta, que fica nas redondezas. Desde a chegada do radar, os acidentes diminuíram, mas o trecho continua perigoso. “Quando enxerga a placa de aviso do radar, localizada 300 metros antes, a turma enfia o pé no breque”, conta o borracheiro Julio Lima, que tem uma oficina na região. As várias marcas de pneu no asfalto confirmam suas palavras.

Alguns motoristas detectados pelo equipamento reclamam que o poste onde ele foi instalado está coberto pela folhagem de um frondoso abacateiro. “A câmera fica debaixo da copa e logo depois de uma curva. É uma armadilha”, reclama o representante comercial Clóvis Gomes. Em dezembro, ele foi flagrado bem ali dirigindo a 70 quilômetros por hora. Levou uma multa de 86,13 reais e recebeu quatro pontos na carteira. De acordo com a legislação, os radares precisam estar visíveis. Caso contrário, o condutor pode recorrer da multa.

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O representante comercial Clóvis Gomes: “A câmera fica escondida” (Foto: Lucas Lima)

No caso da Salim Farah Maluf, o abacateiro é podado a cada três meses, segundo a subprefeitura da Mooca. Na semana passada, as folhas camuflavam parte do fiscal eletrônico.Mas dizer que ele fica oculto é um evidente exagero de quem não sabe respeitaro limite de velocidade.

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(Foto: Veja São Paulo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO