Meio ambiente

O drama da crise hídrica em São Paulo

O resultado das medidas de emergência e as obras para enfrentar uma das maiores estiagens da história e evitar o racionamento na capital

Por: Maurício Xavier

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Uma carcaça de carro surge na Represa doAtibainha, em Nazaré Paulista. O nível do reservatório, parte do Sistema Cantareira, atingiu menos de 1,5% de sua capacidade total (Foto: Luís Moura/Agência Estado)

Na semana passada, o nível de água do Sistema Cantareira, que abastece um terço dos habitantes da região metropolitana de São Paulo, atingiu 3% mesmo com o uso do chamado volume morto. Mantendo-se o ritmo atual de queda, os 30 bilhões de litros restantes secariam até o mês que vem. Com o tanque quase vazio, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) realizou obras nos reservatórios para acessar uma segunda cota do líquido que repousa no fundo das represas, abaixo do túnel que leva água à capital (veja mais detalhes no infográfico acima). O formato do resgate  ainda está sendo discutido com a Agência Nacional das Águas (ANA), que quer dividi-lo em parcelas. Mesmo que a autorização seja concedida nos termos propostos pela companhia  estadual, representaria no máximo 105 bilhões de litros, o suficiente para elevar o nível a apenas 10% da capacidade total, mas sem conseguir mudar o cenário crítico.

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Apesar do agravamento da crise, do crescimento de queixas da população e do aumento do volume de críticas (uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o assunto foi instaurada  recentemente na Câmara dos Vereadores), o governador Geraldo Alckmin continua repetindo o discurso da campanha de sua reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Segundo ele, não há torneira seca em nenhum dos 364 municípios atendidos pela Sabesp (incluindo a capital e a região metropolitana). E as medidas adotadas em sua gestão, combinadas às obras em curso, vão garantir o fornecimento nos próximos meses, até a situação ser aliviada de vez pela volta do período de chuvas.

É certo que o problema chegou a esse ponto devido a uma excepcionalidade. A atual seca é a maior registrada nos últimos 84 anos. Mas os especialistas e estudiosos do assunto são quase unânimes em afirmar que a inoperância do poder público na área durante as últimas décadas, sobretudo nas questões de planejamento e de investimentos em infraestrutura, deixou o estado despreparado demais para enfrentar um evento extremo. “As ações só foram aceleradas quando chegou a crise”, entende a arquiteta Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental.

Seca infografico
(Foto: Veja São Paulo)

A seguir, um balanço das políticas de emergência adotadas nos últimos meses, o detalhamento das medidas em curso e o que está planejado para o futuro para tentar resolver de vez essa questão.

A POLÍTICA DA EMERGÊNCIA

Em fevereiro, a Sabesp anunciou um bônus de 30% no valor da conta para o cliente da capital que conseguisse reduzir o consumo mensal de água em 20%. Cerca de 80% dos moradores da região metropolitana diminuíram o gasto e metade deles atingiu a meta. Em abril, o programa foi expandido para os 31 municípios da região metropolitana. A política resultou em gastos extras de mais de 100 milhões de reais até a metade do ano. A conta deve aumentar ainda mais. Na semana passada, foram anunciadas novas faixas de premiação, entre 10% e 20% de economia, com bônus equivalentes. Apesar do crescimento de queixas da população com relação a cortes de fornecimento, o governo diz que não há racionamento por aqui. De acordo com Dilma Pena,  presidente da Sabesp, existe um “contingenciamento do recurso”.

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Desde o começo do ano, a empresa reduz a pressão nos canos no período noturno na região metropolitana. O objetivo seria diminuir o desperdício com vazamentos. Na média, a pressão caiu de 40 metros de coluna d’água para 10 metros. “Com isso, melhoramos a gestão do sistema, o que resultou em uma economia de 2 400 litros por segundo nos últimos meses”, contabiliza o  superintendente da Sabesp, Marco Antonio Lopez Barros. A título de comparação, o Sistema Cantareira está entregando 19 000 litros por segundo (antes da crise, o volume era de 33 000). Como a água passou a chegar com menos força a pontos altos (acima de 10 metros de altura da caixa-d’água do bairro, por exemplo), pode haver parada momentânea no abastecimento, segundo a Sabesp. Viria daí o aumento das queixas, que se tornaram rotineiras nos últimos meses. “Recebemos cerca de 1 000 reclamações por dia, mas essa já era a média antes do início da crise. Não houve mudança”, garante Barros.

Segundo a companhia, a pressão foi reduzida de forma igualitária pelas regiões, apenas evitando a proximidade de serviços públicos como hospitais e delegacias. A diminuição da dependência do Cantareira foi outra ação crucial. O principal sistema do estado era responsável pelo abastecimento de mais da metade da região metropolitana. Em seis meses, sua participação por aqui caiu de 47% para 33% e, até o fim do ano, esse índice vai baixar mais 2,5%. Para isso, outros sistemas, como o Guarapiranga, cujo reservatório está com nível de 42%, passaram a assumir a entrega em áreas do Cantareira.

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OBRAS EM CURSO

O retrato do cenário desolador do Cantareira foi capturado recentemente pela auxiliar administrativa Ingrid Venturini. Em abril, ela havia sido fotografada sentada ao lado do filho Breno, de 3 anos, em um deque diante de uma ainda volumosa Represa do Atibainha, em Nazaré Paulista, a 64 quilômetros da capital. Em outubro, ao voltar ao local, Ingrid deparou com um grande areão no lugar da água. Resolveu fazer um registro na mesma pose e postou no Facebook. A imagem teve mais de 9 000 compartilhamentos. “Foi um baque. Enquanto a gente vê água saindo da torneira, não tem noção do problema”, diz.

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Em abril e outubro deste ano, a auxiliar administrativa Ingrid Venturini tirou fotos ao lado do filho Breno, de 3 anos, em um deque na Represa do Atibainha, em Nazaré Paulista, e registrou o sumiço da água. As imagens, postadas no Facebook, tiveram mais de 9 000 compartilhamentos (Foto: Reprodução/Facebook)

Para aumentar a oferta do líquido na rede operada pela Sabesp, obras emergenciais  estão sendo inauguradas para estancar o problema. Há um mês, terminou o trabalho de ampliação na estação de tratamento do Rio Grande, ao custo de 27 milhões de reais. Isso proporcionou um acréscimo de 500 litros por segundo ao total de 60 000 captados atualmente pela Sabesp nos sete sistemas — Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Alto e Baixo Cotia, Rio Grande e Rio Claro. E, a partir desta semana, após aporte de 50 milhões de reais, a Guarapiranga vai entregar mais 1 000 litros por segundo.

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Ambas as medidas seriam adotadas em 2016, mas foram antecipadas para ajudar no esforço da crise. Outras duas intervenções nestes mesmos dois sistemas ocorrerão ao longo do ano que vem. Com a instalação de equipamentos de filtragem de maior eficiência, será possível retirar mais 2 000 litros por segundo de Guarapiranga e Rio Grande, metade em cada uma. Essa última ainda passará por uma repaginação até o fim de 2016, com uma nova estação de captação e outras melhorias que a farão ser capaz de disponibilizar mais 1 200 litros por segundo.

INVESTIMENTOS FUTUROS

A principal obra no horizonte será inaugurada em outubro de 2017. Com um custo de 2 bilhões de reais, o São Lourenço se tornará o oitavo sistema de abastecimento da região metropolitana.A previsão é captar 4 700 litros de água por segundo no reservatório Cachoeira do França, em Ibiúna, a 70 quilômetros da capital, tratá-los em uma estação em Vargem Grande Paulista e trazê-los a São Paulo por meio de 83 quilômetros de adutoras. No entanto, terá capacidade para produzir até 6 000 litros por segundo, o que representa um terço do que é entregue hoje pelo Cantareira.

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As primeiras tubulações da obra do Sistema SãoLourenço estão sendo instaladas em Barueri.O empreendimento ficará pronto em 2017 e injetará mais 4 700 litros de água por segundo na rede. (Foto: Fernando Moraes/Veja São Paulo)

O empreendimento, uma parceria público-privada, está sendo tocado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. No plano do governo ainda está prevista a integração da Represa do Atibainha, do Cantareira, com a Represa de Jaguari, do Rio Paraíba do Sul. Isso seria executado somente em 2020, mas o projeto deve sair mais cedo da gaveta pela gravidade do momento. Se no próximo verão a chuva ficar dentro da média histórica, a Sabesp prevê que o Cantareira voltará a 50% de seu volume útil em abril. Ainda que isso não ocorra, a captação de uma terceira cota do volume morto ou mesmo a adoção  de racionamento, por enquanto, estão fora de questão. “Estamoscontrolando o nível e, se preciso, usaremos as mesmas estratégias já adotadas, mas com mais intensidade”, diz Barros.

Para especialistas, é temerário confiar na recuperação dos reservatórios apostando em São Pedro. “É preciso esperar novembro para ver como a estação chuvosa se estabelece”, alerta o  professor de climatologia e meteorologia Tércio Ambrizzi, da USP. “Em 2013, as chuvas de outubro estavam acima da média, e ninguém conseguiu prever a atual seca.” Segundo alguns  técnicos, mesmo se o plano da Sabesp tiver sucesso a curto prazo, falta ainda a implantação de um projeto que não se resuma ao aumento de oferta de água.

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No Centro de Controle de Operações da Sabesp, no bairro de Pinheiros, técnicos analisam e controlam os dados relativos aos mananciais e sistemas operados pela companhia,como o nível dos reservatórios e até a temperatura da água. (Foto: Fernando Moraes/Veja São Paulo)

A Califórnia, nos Estados Unidos, é um exemplo bastante citado. O estado enfrenta o quarto ano seguido de seca e pôs em prática um amplo conjunto de medidas que inclui distribuição gratuita de medidores individuais de água para condomínios, tratamento de esgoto para abastecimento de lençóis freáticos e multa por desperdício do recurso. “As ações da Sabesp não serão suficientes a médio prazo, com o provável aumento do consumo em 15% nos próximos dez anos”, diz o especialista de água da ONG The Nature Conservacy, Samuel Barrêto. “O modelo inteiro precisa ser revisto.”

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    Epice

    Rua Haddock Lobo, 1002, Cerqueira César

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  • Brasileiros

    Dalva e Dito

    Rua Padre João Manuel, 1115, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3068 4444

    VejaSP
    21 avaliações

    Nesta casa de Alex Atala, do premiado D.O.M., quem cuida do dia a dia da cozinha é o chef Elton Junior. Deliciosos, os pastéis de vatapá e camarão (R$ 27,00) poderiam ter uma quantidade menos tímida de recheio. Amparado por torradas, o ótimo vinagrete de polvo (R$ 45,00) é uma pequena festa do mar. Um dos pratos mais antigos do cardápio, o porco na lata vem na companhia de purê de batata aromatizado com pequi (R$ 79,00). Adoce o final com o pouco açúcar da torta de chocolate com um toque discreto de cumaru e sorbet de frutas vermelhas (R$ 28,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Na Mata Café

    Rua da Mata, 70, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3079 0300

    VejaSP
    5 avaliações

    Já foi um endereço mais badalado, com noites agitadas e a cozinha tocada pela chef Helena Rizzo (hoje no Maní). Atualmente, sem todo aquele clima de mais de uma década atrás, a casa ganhou com a reformulação de cardápio. Entre as pedidas, serve apetitosos hambúrgueres, caso do hankyspanker (R$ 36,90), um alto disco de capa de filé e patinho rosado no centro e coberto por queijo cheddar, rodelas de cebola-roxa, alface, tomate e picles, tudo dentro de um pão dourado e que aguenta o tranco (não desmorona conforme é comido). O lanche vem na companhia de uma saladinha de repolho e batatas fritas das boas. Antes, vale pedir os minipastéis assados de carne ao curry (R$ 23,90, oito unidades), que ficam ainda melhores quando mergulhados no chutney de manga. Para agitar a noite, há drinques como o docinho apple martini (R$ 25,90) e chope (Stella Artois, R$ 10,90). A pista dos fundos, dedicada às bandas ao vivo e ao clima de paquera, nem sempre é aberta. Por isso, é bom ligar antes para checar a programação.

     

    Preços checados em 25 de março de 2015.

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  • Salgados

    A Hora da Torta

    Avenida Iraí, 176, Indianópolis

    Tel: (11) 5041 7118

    VejaSP
    8 avaliações

    Como ouvir o nome “enroladinho” e não pensar na cantina da escola na hora do recreio? Os tais salgados de jeitão bem caseiro ocupam parte da vitrine da A Hora da Torta, em funcionamento desde maio em Moema. Essa nostalgia se esvai, porém, na primeira mordida da versão de peito de peru, requeijão e queijo prato (R$ 6,50 a porção com duas fatias), um tanto seca. A mesma falha não se repete, felizmente, na quiche de alho confitado, alho-poró e alho negro (R$ 15,00), que pode vir com salada ao molho de mostarda e mel (nesse caso, o preço sobe para R$ 23,00). Ao chegar às sobremesas, há só boas surpresas. A versão chamada dahora traz uma camada alta de creme de ricota e calda de frutas vermelhas. Custa R$ 8,00 o pedaço. Pelo mesmo preço, experimente a beijinho, finalizada por fitas de coco ao forno.

     

    Preços checados em 21 de outubro de 2014.

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  • A conhecida história da Gata Borralheira já recebeu adaptações das mais diversas. Desta vez, numa tentativa de sair da mesmice, o diretor Isser Korik decidiu colocar apenas dois intérpretes no palco. O resultado é uma peça dinâmica e, graças à competência dos atores Michelle Zampieri e Ian Soffredini, também divertida. Cada um vive seis personagens de Cinderela. A rápida troca de figurinos ocorre atrás dos telões que projetam o cenário. Muitas vezes, fica imperceptível. O que não passa batido são as mudanças de voz e linguagem corporal de figuras como o rei, o príncipe, a madrasta e suas filhas. Uma delas, Anastácia, tem um jeitão bem atual e usa gírias como uma adolescente. Se o formato se revela original, o conteúdo segue o mesmo da animação da Disney, de 1950. Após a morte do pai, Cinderela vai morar com a madrasta e suas irmãs postiças. O trio faz dela uma empregada e tenta impedir que ela vá ao baile, evento no qual o herdeiro do reino deve conhecer uma mulher para se casar. Os planos fracassam com a ajuda dos ratinhos Tatá e Jac e de uma Fada Madrinha, que a presenteia com um belo vestido de festa. Estreou em 4/10/2014. Até 29/3/2015.
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  • Aluno de alguns dos maiores nomes da gravura brasileira (estudou com Oswaldo Goeldi e Livio Abramo), o pernambucano Gilvan Samico (1928-2013) criou um estilo único ao se apropriar do grafismo dos cordéis para desenvolver obras coloridas repletas de temas míticos. Linhas, Trançados e Cores: No Reino de Gilvan Samico apresenta 44 peças escolhidas por Renata Pimentel, que cresceu no ateliê do artista, amigo íntimo de seu pai. Ali, não é só a curadoria que tem marcas familiares. No fim da vida de Samico, um neto se responsabilizava pelas impressões, um filho cuidava das molduras e a nora tocava a comercialização. Outra marca particular de sua trajetória era o perfeccionismo do também artesão e marcheteiro que se refletia em uma produção lenta — a partir da década de 90, limitava-se a apenas duas novas gravuras por ano. Para chegar à versão final de A Caça, por exemplo, descartou quarenta estudos anteriores. Nela, pode-se observar como ele gostava de personagens fantásticos inspirados em lendas e folclore. Estão lá ainda desenhos do início de carreira, em que ilustrava histórias bíblicas, e um documentário filmado em casa, em Olinda, dois meses após sua morte, com depoimentos de amigos e artistas próximos. Até 30/11/2014.
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  • Protagonizado por Djin Sganzerla, o drama Ilhada em Mim, Sylvia Plath surge embalado em um conjunto de ousadias. A história concebida por Gabriela Mellão foge da linearidade e de uma proposta óbvia para biografar a poetisa americana Sylvia Plath (1932-1963). O espetáculo retrata as depressões da escritora e sua relação  tumultuada com o poeta inglês Ted Hughes (1930-1998), representado por André Guerreiro Lopes, também diretor e marido de Djin na vida real. Esse jogo de espelhos que reproduz um casal de artistas por intermédio de outro tem sua simbologia traduzida no cenário. No palco alagado, forma-se uma camada d’água, na qual os móveis, roupas e papéis boiam, afundam e submergem de acordo com a tensão dos personagens. Outro recurso interessante é a reprodução de entrevistas radiofônicas de Sylvia e Hughes com as legendas projetadas. Sendo assim, a montagem cativa muito mais pela atmosfera sensorial. Quem não conhecer a vida de Sylvia, que se matou aos 30 anos, sairá do teatro sabendo pouco e provavelmente terá a curiosidade aguçada para ir atrás de sua obra. Estreou em 18/9/2014. Até 14/6/2015.
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  • Em 2012, a atriz Marília Pêra mais uma vez exercitou a veia de cantora no espetáculo Herivelto Como Conheci. O recital dramático dirigido por Claudio Botelho finalmente chega a São Paulo para apenas três sessões no Theatro Net. Acompanhada por Thiago Trajano (violão e bandolim) e Marcio Castro (piano e acordeão), Marília interpreta dezenove composições de Herivelto Martins (1912-1992) em meio à dramaturgia criada por Botelho com base no livro homônimo de Cacau Hygino e Yaçanã Martins. Entre músicas como Camisola do Dia, Atiraste uma Pedra e Ave Maria no Morro, a atriz revive passagens da biografia de Herivelto, principalmente a partir do início do seu relacionamento com a comissária de bordo Lurdes Torelly (1927-1990). Os dois se conheceram quando ele ainda era casado com a cantora Dalva de Oliveira (1917-1972), viveram juntos por 44 anos e são pais da atriz Yaçanã Martins. Dias 31/10, 1º e 2/11/2014.
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  • Eles ainda conservam seus atributos, embora muita gente por aí torça o nariz. A banda inglesa Echo & The Bunnymen, criada em 1978 e que esteve no seu auge na década de 80, volta à cidade depois de quatro anos. A voz de Ian McCulloch pode não segurar a potência dos tempos áureos, mas ele a mantém com toda a dignidade, como prova no recente álbum Live in London (2014). Além dele, o guitarrista Will Sargeant é o remanescente da formação original e também continua a ser o ótimo instrumentista que influenciou de Oasis a Coldplay. Ao lado de Gordy Goudie (guitarra), Stephen Brannan (baixo), Jez Wing (teclado) e Nick Kilroe (bateria), eles vêm à cidade pela sexta vez para divulgar Meteorites, lançado em junho. As novas Holy Moses e Constantinople dividem espaço com as indispensáveis The Killing Moon e Lips Like Sugar. Dia 2/11/2014.
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  • O escritor Bram Stoker (1847-1912) aparece na ficha técnica como criador dos personagens. E é justamente apenas isso que a trama de Drácula — A História Nunca Contada tem em comum com o livro. Os roteiristas Matt Sazama e Burk Sharpless fizeram um enredo para mostrar como o príncipe romeno Vlad Tepes (Luke Evans) virou o lendário vampiro, no século XV. Em guerra contra os turcos, o protagonista precisa proteger o povo da Transilvânia e, sobretudo, sua família. Ao entrar numa caverna, descobre lá uma estranha criatura. Quando o inimigo (Dominic Cooper) pede a ele 1.000 crianças (incluindo seu filho) em troca de paz, Vlad volta ao local para propor um trato com o ser das trevas. Ao beber o sangue dele, torna-se o poderoso sanguessuga, conhecido de tantos outros filmes. Entre eles, Drácula de Bram Stoker (1992), de Francis Ford Coppola, e o Drácula interpretado por Bela Lugosi, em 1931. Na comparação, esta nova versão só ganha no quesito efeitos visuais. O galês Luke Evans (o Aramis de Os Três Mosqueteiros) marca boa presença. Seu papel, porém, parece o de um super-herói vindo de uma fita extraída dos quadrinhos. Estreou em 23/10/2014.
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  • Walter (Gérard Lanvin), Paul (Jean-Hugues Anglade) e Jacques (Wladimir Yordanoff), todos na faixa dos 50 anos, são amigos há mais de três décadas. Cada um seguiu um caminho profissional. Divorciado, Walter tem um restaurante estrelado e mora com a filha, Clémence (Ana Girardot). O homossexual Jacques é dono de uma livraria. Mais tortuosa, a vida de Paul anda num impasse. Esse escritor está em crise e, embora casado, não resiste às cantadas de Clémence. Os segredos entre todos são o mote desta comédia dramática movida por contratempos divertidos e situações de saia-justa. Contribuem para dar leveza e veracidade à trama as ótimas atuações de um trio muito afinado. É difícil não acreditar nos laços de amizade que envolvem os protagonistas. Também se mostra satisfatória a direção de Stéphan Archinard e François Prévôt-Leygonie, que adaptaram uma peça de autoria deles e não deixaram resquícios do tom teatral. Estreou em 23/10/2014.
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  • A programação oficial da Mostra Internacional de Cinema terminou nesta quarta (29/10/2014). Mas, como é tradição em todas as edições do evento, há uma repescagem com uma seleção mais enxuta de filmes. De quinta (30/10) a quarta (5/11), o CineSesc exibe 26 fitas, entre elas as vencedoras deste ano. O alemão Entre Mundos, que levou o prêmio do júri, terá sessão no sábado (1º), às 20h30. O documentário nacional Cássia, agraciado pelo público, será exibido na sexta (31), às 23h10. O diretor Paulo Henrique Fontenelle enfoca no filme a trajetória da cantora Cássia Eller (1962-2001).
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  • Mestre do riso, Cantinfas (1911-1993) foi uma espécie de Mazzaropi mexicano. De família humilde e dotado de humor popular, virou uma estrela do cinema hispânico nas décadas de 40 e 50. Essa cinebiografia, porém, fica na zona de conforto, mostra-se comedida na produção de época e, pior, pouco explica a razão de o astro ter se tornado um fenômeno. Não há momentos de graça para fazer jus ao sucesso de Cantinfas, interpretado por Óscar Jaenada. O roteiro segue em dois tempos. No início dos anos 30, Mario Moreno (seu nome real) dá os primeiros sinais como comediante num circo do interior até receber a proposta para trabalhar como artista num teatro da Cidade do México. A outra ponta da história, mais interessante, enfoca a obsessão do produtor Michael Todd (Michael Imperioli) em querer tirar do papel, com elenco estelar (incluindo Cantinfas), o projeto do longa-metragem A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956). Estreou em 23/10/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO